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À segunda-feira Trump acusa o Papa de "pôr em perigo católicos e pessoas", à quinta envia Rubio ao Papa para "cultivar boas relações"

CNN , Christopher Lamb e Jennifer Hansler (Sophie Tanno, Kristen Holmes e Laura Sharman contribuíram para este artigo)
7 mai, 18:00
Papa Marco Rubio
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Secretário de Estado esteve duas horas dentro da residência oficial do Papa. E a seguir vai visitar Meloni, que Trump também criticou recentemente

Rubio encontra-se com o Papa Leão após semanas de tensões com Trump

por Christopher Lamb e Jennifer Hansler, CNN (Sophie Tanno, Kristen Holmes e Laura Sharman contribuíram para este artigo)

 

O secretário de Estado dos EUA Marco Rubio manteve um encontro com o Papa Leão XIV esta quinta-feira, no meio de um período histórico de tensões entre Washington DC e o Vaticano.

Os dois discutiram "a situação no Médio Oriente e temas de interesse mútuo no Hemisfério Ocidental", de acordo com uma breve descrição do encontro feita pelo Departamento de Estado dos EUA.

"O encontro sublinhou a forte relação entre os Estados Unidos e a Santa Sé e o seu compromisso comum na promoção da paz e da dignidade humana", refere o comunicado.

A visita segue-se às extraordinárias críticas do presidente Donald Trump ao primeiro Papa americano nos 2.000 anos de história da Igreja Católica, que surgiram depois de o pontífice ter manifestado a sua oposição à operação militar dos EUA no Irão.

Leão também continuou a falar pelos interesses dos refugiados e migrantes, em nítido contraste com a administração Trump e a sua repressão da imigração.

Rubio esteve dentro do Palácio Apostólico, a residência oficial do Papa, durante mais de duas horas, de acordo com a imprensa local. Não se sabe ao certo quanto tempo durou o encontro com Leão.

O gabinete de imprensa do Vaticano diz que Rubio encontrou-se com o Papa Leão antes de se reunir com o cardeal Pietro Parolin, que é o secretário de Estado do Vaticano, e com o arcebispo Paul R. Gallagher, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Vaticano, acrescentando que, durante as reuniões, "o compromisso partilhado de cultivar boas relações bilaterais foi renovado".

O gabinete de imprensa do Vaticano acrescenta que houve "uma troca de pontos de vista sobre a situação regional e internacional, com especial atenção para os países marcados pela guerra, tensões políticas e situações humanitárias difíceis, bem como sobre a necessidade de trabalhar incansavelmente pela paz". Um porta-voz do Vaticano acrescentou que as discussões cobriram o Médio Oriente, incluindo o Irão e o Líbano, conflitos em África e a situação enfrentada pela população em Cuba.

Rubio tinha dito antes da reunião que tencionava discutir Cuba com o Papa. A administração Trump distribuiu milhões em ajuda humanitária na ilha através da Igreja Católica.

O avião de Rubio aterrou em Roma na manhã desta quinta-feira, também a véspera do primeiro aniversário de Leão como Papa.

Reunião segue-se aos ataques de Trump ao Papa

Antes da partida para esta viagem, o principal diplomata dos EUA rejeitou a noção de que o encontro com o Papa Leão seja uma tentativa de restabelecer as relações diplomáticas com o Vaticano, com o qual os EUA contam como parceiro humanitário há anos. Rubio reconheceu, no entanto, que "há muito para falar com o Vaticano", incluindo Cuba.

"A viagem não está realmente ligada a nada mais do que o facto de que seria normal envolvermo-nos com eles", disse Rubio terça-feira, numa conferência de imprensa na Casa Branca.

Esta viagem a Roma e ao Vaticano ocorre numa altura em que Trump não só atacou o Papa pelas suas opiniões sobre a guerra, como também criticou os aliados europeus de longa data dos EUA — testando ainda mais a relação transatlântica de formas não vistas em décadas. Rubio vai ainda reunir-se esta sexta-feira com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, no meio de críticas contínuas de Trump pelo que disse ser a falta de apoio de Itália à guerra dos EUA contra o Irão.

Este é o segundo encontro entre Rubio, que é um católico devoto, e o Papa nascido em Chicago e é o primeiro encontro conhecido entre um membro da administração Trump e Leão em quase um ano. Rubio e o vice-presidente, JD Vance, encontraram-se com o Papa após a missa de inauguração deste pontificado, no ano passado.

Numa longa publicação no Truth Social no mês passado, Trump criticou Leão como sendo "FRACO no Crime e terrível para a Política Externa".

"Leão devia organizar-se como Papa, usar o Senso Comum, parar de agradar à Esquerda Radical e focar-se em ser um Grande Papa, não um Político. Está a prejudicá-lo muito e, mais importante ainda, está a prejudicar a Igreja Católica!", escreveu Trump.

O Papa Leão respondeu um dia depois que não tinha "medo" da administração Trump e que continuaria a falar pela paz, mas insistiu que não era do seu "interesse" debater com o presidente dos EUA. Um funcionário do Vaticano, minimizando mais tarde as tensões, disse à CNN com um sorriso irónico que "o presidente Trump é demasiado inteligente para estar numa batalha com um Papa nascido nos Estados Unidos".

Mas os ataques de Trump a Leão não são apenas sem precedentes - são contínuos. Esta segunda-feira, Trump voltou a atacar o Papa dizendo que Leão estava a "pôr em perigo muitos católicos e muitas pessoas", com Trump a afirmar que o Papa está feliz com o facto de o Irão ter uma arma nuclear.

Os comentários pareceram suscitar uma repreensão do ministro dos Negócios Estrangeiros de Itália, que na terça-feira disse que os ataques contra o pontífice não eram aceitáveis nem úteis para a causa da paz.

Marco Rubio
O secretário de Estado Marco Rubio fala durante uma conferência de imprensa na Casa Branca, em Washington DC, a 5 de maio, antes da viagem a Roma e ao Vaticano (foto Anna Moneymaker/Getty Images)

Papa diz que deve ser criticado "com a verdade"

Na terça-feira, Leão disse que as pessoas são livres de o criticar, embora devam "fazê-lo com a verdade" e que "a missão da Igreja é pregar o Evangelho e a paz". Sobre as afirmações de Trump acerca de armas nucleares, o Papa disse que a igreja "manifestou-se há anos contra todas as armas nucleares, por isso não há dúvida sobre esse ponto". Rubio, na terça-feira, desvalorizou o último ataque de Trump.

Desde a sua eleição em maio passado, o primeiro Papa americano não teve qualquer contacto direto — de acordo com os registos públicos — com Trump. O Vaticano deixou claro que não haverá visita papal aos Estados Unidos em 2026, em grande parte devido às eleições intercalares de novembro - o Papa não visita países durante períodos que antecedem eleições locais.

As tensões também têm estado a aumentar após a notícia de que, a 22 de janeiro, o Pentágono realizou uma reunião invulgar com o então embaixador papal nos Estados Unidos. Embora tanto o Vaticano como o Pentágono tenham desmentido algumas notícias sobre o que foi discutido, uma fonte do Vaticano descreveu à CNN a reunião como "sem precedentes" e disse que foi "tensa".

As autoridades dizem que o encontro desta quinta-feira marca uma tentativa de ir além do vai-e-vem público e  é o regresso à diplomacia de bastidores favorecida pelo Vaticano. O reverendo Antonio Spadaro, um funcionário do Vaticano, vê o encontro Papa-Rubio como um "arrefecimento da retórica", enquanto Brian Burch, o embaixador dos EUA no Vaticano, disse aos jornalistas esta semana que o secretário de Estado vem para ter "uma conversa franca sobre a política dos EUA, para se envolver em diálogo".

E embora o propósito principal da viagem não seja político, há potencialmente um lado positivo se Rubio conseguir atenuar as tensões. Embora muitos católicos tenham votado na reeleição de Trump, alguns especialistas questionam a lógica política de atacar o Papa, com o analista-chefe de dados da CNN, Harry Enten, a destacar as avaliações positivas de popularidade do Papa Leão. Depois de criticar o Papa, o presidente Trump também publicou — e depois apagou — uma imagem de inteligência artificial em que se retratava a si próprio como uma figura semelhante a Cristo, tendo Trump dito mais tarde que afinal a imagem estava a retratá-lo como um médico.

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