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Economista; Professor Associado e Coordenador na Universidade Europeia; Investigador Integrado no CETRAD

Ruben Amorim, a equação impossível da paciência e do lucro

29 set 2025, 09:23
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A convicção de Amorim perante o caos é aquilo que mais impressiona de forma positiva. Mas o que está em causa no Manchester United vai muito além de vitórias e derrotas. Envolve custos irrecuperáveis, retorno sobre investimento, capital reputacional e sustentabilidade do projeto desportivo.

O clube canalizou dezenas de milhões de libras para reforços, estrutura e adaptação ao modelo de Amorim. Esse investimento funciona como ativo de alto risco, que exige rendimento competitivo e valorização de marca. Cada derrota acentua a perceção de depreciação do capital simbólico junto de adeptos, patrocinadores e investidores e levanta dúvidas sobre a viabilidade de continuar a apostar neste modelo. Ainda assim, Amorim insiste em que a fidelidade à estratégia é o caminho para transformar turbulência em crescimento.

É nesse quadro que o treinador enfrenta talvez o teste mais duro da sua carreira. Em pouco mais de um ano, acumulou uma das piores folhas de resultados da história recente do United. E o calendário não tem sido benevolente. Após a derrota pesada por 3-0 no derby com o Manchester City, Amorim reafirmou que manteria o seu 3-4-3, recusando-se a ceder às pressões para alterar o sistema. Essa confirmação chegou antes do jogo de 27 de setembro de 2025, frente ao Brentford, em que o United voltou a cair por 3-1, em Londres.

Há sinais dispersos de descontentamento. Adeptos, analistas e ex-jogadores pedem mudanças e ouvem-se vozes a pedir o despedimento do treinador. Amorim também se expressa com clareza. “Às vezes, quero sair. Outras, quero ficar 20 anos”, confessou à BBC Sports. Uma ambivalência que não traduz apenas desgaste, mas também autoconsciência emocional. Ele compreende a pressão, mas sabe que desistir seria aceitar a lógica de descartabilidade que domina o futebol moderno.

Este comportamento coloca-o como caso de estudo no futebol mundial, não apenas por liderar um gigante em crise, mas por resistir, assumir falhas e manter coerência estratégica. Em clubes desta dimensão, o treinador é muitas vezes moeda de troca fácil. Amorim prefere remar contra a maré. Não o faz por teimosia vazia, mas por convicção de que coerência e consistência são ativos que podem gerar retorno futuro.

No fim, Amorim vive uma encruzilhada. Ou transforma esta fase num ativo intangível de resiliência e credibilidade, ou será substituído antes de provar o valor real do projeto. O que está em causa não é apenas um treinador, mas a forma como o futebol contemporâneo lida com paciência, investimento e risco.

E nisso, Amorim já está a ensinar muita coisa… mesmo enquanto muitos duvidam.

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