Em entrevista à CNN Portugal, porta-voz das IDF acusa o Hamas de expor civis à morte para manipular a opinião pública
Mais de 400 pessoas morreram em Gaza num ataque de Israel, que quebrou assim o cessar-fogo. Questionado pela CNN Portugal sobre as vítimas civis, Rafael Rozenszajn, porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF), argumenta que Israel "faz tudo o que pode para minimizar os danos a civis, enquanto o Hamas faz tudo o que pode para maximizar os danos a civis".
"Acho que a pergunta tem de ser o que o Hamas está a fazer para tirar as crianças das zonas de combate, o que o Hamas está a fazer para não utilizar escolas como centros de operação, o que o Hamas está a fazer para não utilizar cemitérios como plataforma para lançar os seus mísseis, o que o Hamas está a fazer para não utilizar casas de civis para armazenar as suas armas. Essa é a pergunta correta. Nós fazemos tudo o que podemos para minimizar danos a civis. O Hamas faz tudo o que pode para maximizar danos a civis, exatamente para que jornalistas como você me façam essa pergunta sobre os danos a civis na faixa de Gaza. Existe, é impossível negá-lo."
As autoridades em Gaza falam em mais de 400 mortos com os ataques desta terça-feira. O porta-voz das IDF desmente: "Eu sugiro, antes de mais nada, que não se apoie nos números do Hamas. O Hamas já aprovou a todos que não tem nenhum compromisso com a verdade, não podemos apoiar-nos nos números de terroristas. O exército de Israel atua de acordo com todas as normas do Direito Internacional", afirma Rafael Rozenszajn. "Todos os nossos alvos são alvos militares, são terroristas do Hamas, são líderes do Hamas, são infraestruturas terroristas utilizadas pelo Hamas para cometer os seus atos de terrorismo. Então, é diferente do Hamas, que não tem nenhum compromisso com as leis internacionais, que se esconde atrás de civis e utiliza a morte de civis como uma estratégia", prossegue Rafael Rozenszajn. "Para nós, qualquer dano a civis é uma tragédia. Nós fazemos tudo o que podemos para minimizar danos a civis, mas o Hamas faz tudo o que pode para maximizar danos a civis, porque essa é a estratégia do Hamas. Nós vamos continuar a atuar com mão forte para atacar os terroristas do Hamas e a fazer tudo o que podemos para garantir que os civis não sejam feridos, não sejam mortos nessa guerra, e fazer tudo o que podemos para minimizar os danos a civis".
Rafael Rozenszajn diz ainda que "o grande responsável" pela vítimas civis "não é quem ataca terroristas e sim quem utiliza civis para garantir a vida dos terroristas". "Essa é a pergunta correta a ser feita", insiste.
Por outro lado, o porta-voz das IDF acusa o Hamas de "não ser sério na possibilidade de devolver os 59 reféns que ainda estão de uma forma desumana em Gaza". "Infelizmente o Hamas, que é um grupo terrorista cruel, não é sério na possibilidade de devolver os 59 reféns. Nós temos informações de que o Hamas está a reerguer-se, que está a reorganizar-se e que estava a planear fazer mais ataques contra o Estado de Israel. Nós não podemos permitir uma situação na qual somente o exército israelita está a atuar de acordo com o cessar-fogo e um grupo terrorista está a planear cometer ataques contra Israel e não tem nenhuma seriedade nem intenção em devolver os 59 reféns, que ainda estão de uma forma desumana nos túneis subterrâneos da Faixa de Gaza", afirmou.
Confrontado com as declarações das famílias dos reféns, que estão nesta altura a dizer que estes novos ataques israelitas significam desistir de todas as negociações para a libertação, Rafael Rozenszajn afirma que o objetivo das IDF é "trazer de volta os 59 reféns que ainda estão nas mãos do Hamas na Faixa de Gaza e desmantelar a capacidade terrorista militar do Hamas e a capacidade do Hamas de continuar a governar a Faixa de Gaza". "O Hamas diz claramente que tem como objetivo continuar a fazer ataques como o do 7 de outubro. Nenhum país soberano aceitaria uma situação como essa. Nós não temos outra escolha a não ser continuar a atuar para alcançar os objetivos dessa guerra - quando entendemos que o Hamas não tem intenção de devolver os reféns e está a atuar para planear e fazer mais ataques terroristas contra Israel."
O coordenador humanitário da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinianos (UNRWA), Muhannad Hadi, classificou o ataque israelita à Faixa de Gaza como inaceitável, apelando à restauração imediata do cessar-fogo. Num comunicado, afirma que centenas de pessoas foram mortas na onda de ataques aéreos contra o enclave palestiniano.
Pouco depois das 02:00 (00:00 em Lisboa), o gabinete do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, informou que este tinha ordenado ao exército que agisse "vigorosamente contra a organização terrorista Hamas na Faixa de Gaza". O gabinete de Netanyahu justificou o ataque ao afirmar que o Hamas rejeita libertar os reféns. Os bombardeamentos, que tiveram como alvo vários locais do enclave, atingiram escolas que acolhem refugiados e zonas humanitárias, causando vítimas em Khan Yunis, no sul de Gaza, bem como em Nuseirat e Al-Bureij (centro) e em Jabalia e na Cidade de Gaza (norte), de acordo com informações e imagens divulgadas pelos meios de comunicação palestinianos.
