Segundo novas informações das autoridades francesas, o assalto foi levado a cabo por quatro homens que fugiram em aceleras de alta potência
Os ladrões que assaltaram o Museu do Louvre, em Paris, no domingo, fugiram com "oito objetos de valor incalculável", enquanto um nono, que tentaram roubar, foi recuperado no local, afirmou a Procuradora de Paris, Laure Beccuau.
Segundo Beccuau, os ladrões não visaram nem roubaram o mundialmente famoso diamante Regent, que se encontra na mesma galeria onde ocorreu o assalto. A leiloeira Sotheby’s estima que o Regent vale mais de 56 milhões de euros.
As autoridades estão a investigar a existência de possíveis “patrocinadores ou agentes internos” ligados ao crime.
“Tudo isto demonstra preparação”, afirmou Beccuau à estação televisiva francesa BFMTV, acrescentando que, embora não se descarte uma possível interferência estrangeira, essa “não é a hipótese preferida”.
Entre as linhas de investigação, as autoridades estão a considerar a possibilidade de o roubo ter sido encomendado por um colecionador privado ou de ter como objetivo o desmantelamento das peças para venda das pedras preciosas individualmente.
O Ministério da Cultura francês classificou o furto como “um golpe no património francês” e destacou que as joias roubadas “fazem parte da história e da identidade cultural da França”.
A imprensa francesa noticiou que a coroa foi recuperada após o assalto de domingo, mas sofreu danos.
De acordo com as autoridades, o roubo histórico foi levado a cabo por quatro assaltantes. Estes quatro homens tinham o rosto coberto e fugiram “em aceleras de alta potência”, acrescentou a magistrada.
A Procuradora de Paris explicou ainda, na BFM TV, que os investigadores dispõem de imagens de videovigilância do museu e da cidade, e esperam também poder contar com a colaboração dos cidadãos.
Um colete amarelo usado pelos autores do roubo para se fazerem passar por operários foi encontrado um pouco mais longe, perdido durante a fuga, acrescentaram as autoridades.“Um dos nossos cidadãos informou a polícia judiciária de que um dos assaltantes se tinha livrado do colete amarelo que usava", sublinhou, acrescentando que esse colete já se encontra nas mãos dos investigadores.
Até ao momento, sabe-se que os ladrões conseguiram levar consigo um colar e um brinco da coleção Marie-Louise; três joias (um colar, um par de brincos e um diadema) das coleções das rainhas Maria Amélia e Hortênsia e ainda quatro peças da coleção da Imperatriz Eugénia, incluindo um laço de corpete e um diadema.
Os quatro homens também tentaram roubar a coroa da Imperatriz Eugénia, mas esta foi recuperada no local.
Um vídeo captado no local mostra a polícia francesa a inspecionar um elevador de móveis abandonado, colocado junto a um dos cantos do Louvre, com a escada a conduzir até uma janela partida junto a uma varanda.
De acordo com o jornal Le Parisien, a polícia encontrou “duas rebarbadoras, um maçarico, gasolina, luvas, um walkie-talkie, uma manta e uma coroa” no local do assalto.
O museu, que alberga obras de arte mundialmente famosas, incluindo a Mona Lisa de Leonardo da Vinci, anunciou que permaneceria encerrado no domingo por “motivos excecionais”.
Mais tarde, o Ministério do Interior esclareceu que o encerramento se devia a medidas de segurança destinadas a preservar provas para a investigação.
O presidente da Câmara do Centro de Paris, Ariel Weil, declarou aos jornalistas que os ladrões “planearam isto de forma meticulosa, obviamente”, acrescentando que não se recorda de o Louvre ter sido alvo de um assalto há mais de um século.
“Penso, claro, no golpe da Mona Lisa em 1911, mas não me ocorre nenhum roubo mais recente”, disse.
No ano passado, o Louvre recebeu 8,7 milhões de visitantes, sendo que os turistas norte-americanos representaram 13% do total, ficando apenas atrás dos visitantes franceses.