Partidos unem-se contra decisão da TAP em reduzir rotas no Porto

Agência Lusa , PP
2 abr, 19:15

BE acusa TAP de querer transformar aeroporto do Porto em “apeadeiro” para Lisboa. PSD/Porto e PCP também já vieram criticar decisão. E até o PS/Porto pede cuidado na leitura da estratégia da TAP

O BE acusou hoje a TAP de querer transformar o aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, “numa espécie de apeadeiro” de ligação a Lisboa, estando a seguir uma “estratégia de menorização” daquela infraestrutura.

Em declarações à Lusa, o deputado bloquista eleito pelo Porto José Soeiro considerou fundamental haver uma “aposta da TAP no aeroporto do Porto enquanto “infraestrutura para poder captar passageiros para toda a região Norte”.

Na edição de hoje, o ‘Jornal de Noticias’ noticia que, que face ao verão de 2019, a TAP vai operar menos sete rotas e oferecer menos 705 mil lugares a partir do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, ao contrário das principais companhias internacionais que reforçam a presença a partir do Porto.

“É altamente negativo este fenómeno de concentração [em Lisboa] e transformar o aeroporto do Porto numa espécie de apeadeiro de ligação com o aeroporto de Lisboa. Isto obviamente não é desligado do que tem acontecido no setor, não é desligado de processos anteriores, tem a ver com a privatização da ANA e com a política de Estado do próprio aeroporto”, afirmou José Soeiro.

Para o BE, a decisão da TAP de reduzir rotas a partir do Aeroporto Francisco Sá Carneiro “é uma decisão negativa e que, aliás, confirma uma estratégia que tem vindo a ser seguida de menorização” do aeroporto do Porto.

“Aquilo que se tem vindo a assistir é uma a uma subalternização do aeroporto do Porto e uma concentração da operação em Lisboa, transformando Lisboa no centro de onde fazem parte onde se fazem os voos internacionais e o Porto tem uma ligação para Lisboa”, reforçou.

O deputado salientou ainda ser “fundamental do ponto de vista económico, do ponto de vista do Turismo mas também do ponto de vista da ligação das pessoas do Porto” a manutenção de rotas no Norte.

“O Bloco de Esquerda pretende levar este assunto ao Parlamento para discutir como confrontar o Governo e no Parlamento”, garantiu José Soeiro.

PSD/Porto considera “completamente inconcebível” estratégia da TAP

O presidente da Distrital do PSD do Porto, Alberto Machado, afirmou hoje ser “completamente inconcebível” a estratégia da TAP para o Aeroporto Sá Carneiro, acusando a transportadora de “concentrar a atividade quase em exclusivo” em Lisboa.

Em declarações à Lusa, Alberto Machado considerou que a TAP está a “abandonar as comunidades portuguesas” com ligação ao Norte ao deixar de operar do Porto para cidades como Zurique ou Bruxelas, criando “Portugueses de primeira e portugueses de segunda” pelo que “já não serve a Portugal”.

“Isto vem reforçar a ideia que já está, de certa forma, criada de que a TAP não serve os interesses dos portugueses porque de certa forma aliena o seu papel junto de um conjunto de aeroportos importantes, neste caso do Porto (…) para servir apenas e só o aeroporto de Lisboa”, afirmou Alberto Machado.

Para o líder do PSD/Porto a TAP, “paga por todos os portugueses”, está “a criar uma diferenciação que é completamente inadmissível”.

Alberto Machado considerou “esta estratégia” da TAP “completamente inconcebível”, salientando que “tem que ser rapidamente redefinida”.

“Se somos todos a suportar os custos da TAP, todos temos que ser beneficiados de igual forma pela empresa. Se a TAP pretende operar apenas num determinado destino, então que se privatize a TAP porque a TAP já não serve Portugal, já não é a nossa empresa de bandeira”, apontou.

O social-democrata lembrou ainda a importância das rotas da TAP para as comunidades de imigrantes: “Pelas rotas que nos são dadas a saber que vão ser extintas ou reduzidas, Luxemburgo, Genebra, Londres, Zurique, ou Bruxelas, milhares de portugueses que trabalham na emigração vão deixar de ter ligação direta ao Norte de Portugal”, disse.

Portanto, explicou, “não só a TAP abandona o país, concentrando a sua atividade quase em exclusivo na cidade de Lisboa, como abandona também as comunidades portuguesas que deixam de ter uma ligação direta a aeroportos que lhes permitem chegar mais rapidamente às suas terras natal”.

PCP diz ser “profundamente negativa” para o Norte e para o país

O PCP considerou hoje “profundamente negativo” para o Norte e para o país a anunciada redução da operação da TAP no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, por comparação ao verificado no verão de 2019.

Em declarações à Lusa, Jaime Toga, membro da comissão política do partido, começou por dizer que, “confirmando-se, é um episódio negativo e prejudicial para a região”.

“É uma medida que é profundamente negativa para o Porto e para o Norte, mas também para o país, porque o desenvolvimento económico do país não se pode fazer sem potenciar o desenvolvimento económico do Norte”, assinalou o político comunista.

E prosseguiu: “não é possível termos um país a avançar se não avançar no seu conjunto, se não tiver uma estratégia nacional de desenvolvimento, e a transportadora aérea pública tem obrigatoriamente que contribuir para essa estratégia nacional de desenvolvimento”.

Continuando com os alertas, Jaime Toga disse que havendo “uma grande preocupação com o desenvolvimento regional” (…) ele é integrante do desenvolvimento nacional e não haverá se se acentuarem as assimetrias e desigualdades entre regiões”.

Voltando à TAP, o dirigente comunista acusou o Governo do PS de ter “particular responsabilidade neste processo, porque podia ter uma intervenção, a partir do controlo público, que permitisse pôr a empresa a servir o país e não uma empresa que não responde às necessidades do país”.

“Entendemos que o país precisa de uma empresa de bandeira, de uma transportadora pública que contribua para a coesão territorial, o desenvolvimento económico e que sirva o país e os portugueses, mas esta é uma medida que vai em sentido contrário, porque não favorece a coesão, não potencia o desenvolvimento económico, porque não serve o país e, neste caso concreto, prejudica seriamente uma importante região do país”, insistiu.

PS/Porto pede cuidado na leitura da estratégia da TAP e unidade na resposta

O presidente da Federação do Porto do PS, Manuel Pizarro, pediu hoje moderação na reação à redução, face ao verão de 2019, da operação da TAP no aeroporto Francisco Sá Carneiro, apelando à unidade no diálogo com o Governo.

Em declarações à Lusa, o dirigente socialista fez um ponto prévio para marcar que o “PS/Porto é a favor da recuperação da TAP e lutará intransigentemente pela natureza nacional da companhia, o que implica, naturalmente, uma presença maior no aeroporto Sá Carneiro”.

Pizarro disse, contudo, que os socialistas do Porto “não estão satisfeitos” com a presença atual da TAP no aeroporto.

“A comparação não pode ser feita com a operação que a TAP fazia em 2019, temos de introduzir aqui alguma moderação. Isto é, nós não estamos satisfeitos, mas a operação anunciada pela TAP compara favoravelmente com a operação de 2021 e muito desfavoravelmente com a operação de 2019”, assinalou o político.

E prosseguiu: “isso significa que os agentes regionais têm de continuar a lutar por uma maior presença da TAP no aeroporto Sá Carneiro, isto é, o PS/Porto não desiste da TAP, o que talvez nos distinga de outras personalidades e de outras forças políticas que acham que a solução é desistir da TAP. Não, não a solução é exigir uma maior presença da TAP no aeroporto Sá Carneiro”.

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