Investigação liga partido liberal da Roménia à campanha de TikTok que deu a vitória a candidato de extrema-direita

CNN Portugal , JAV
22 dez 2024, 15:20
Calin Georgescu Roménia presidenciais extrema-direita (Robert Ghement/EPA)

Empresa externa contratada pelos liberais romenos diz que o plano originalmente enviado a influenciadores para potenciar a candidatura de Nicolae Ciuca foi alterado e pede "medidas legais necessárias" após usurpação a favor de Călin Georgescu

O jornal de investigação romeno snoop.ro apurou que a campanha de desinformação pró-Rússia que deu a vitória ao candidato independente de extrema-direita Călin Georgescu na primeira volta das presidenciais do país, em novembro, teve origem numa campanha inicialmente lançada pelo Partido Liberal Nacional (PLN, de centro-direita) – que integrou a última coligação governamental do país e cujo candidato presidencial, o ex-primeiro-ministro Nicolae Ciuca, ficou em quinto lugar.

A 24 de novembro, Georgescu, candidato independente nacionalista que chegou a estar filiado à Aliança para a União dos Romenos (AUR) – o principal partido de extrema-direita da Roménia – saltou da relativa obscuridade para um contestado primeiro lugar na corrida presidencial.

A vitória, segundo os serviços secretos romenos, aconteceu muito graças a uma campanha de desinformação semelhante às operações que o Kremlin tem levado a cabo online na Ucrânia e na Moldova, que teve lugar sobretudo no TikTok e que, segundo noticiou o snoop.ro este fim de semana, adveio de uma campanha lançada por uma empresa externa contratada pelo PLN.

Nicolae Ciuca, ex-primeiro-ministro e candidato do PNL às eleições presidenciais de novembro, ficou em quinto lugar na primeira volta entretanto anulada Foto: Getty Images

Segundo o snoop.ro, a Autoridade Tributária romena descobriu que os liberais pagaram a influenciadores para terem uma campanha no TikTok com base numa hashtag que acabou por ser usurpada para beneficiar a candidatura de Georgescu. Esta campanha foi inicialmente gerida pela Kensington Communication, que já reagiu à notícia do snoop em comunicado.

“Se a campanha foi clonada ou desviada a favor de um ou outro candidato, pedimos aos órgãos competentes que analisem o caso e tomem as medidas legais necessárias”, escreveu a empresa, garantindo que o plano original de campanha enviado aos influenciadores foi alterado.

O caso romeno envolvendo suspeitas de interferência eleitoral por via do TikTok levaram o Tribunal Constitucional do país a anular os resultados da primeira volta presidencial a dois dias de se disputar a segunda, ordenando que o processo fosse retomado de raiz, o que significa que o eleitorado romeno só voltará às urnas para eleger o seu próximo Presidente dentro de dois a três meses.

Estas suspeitas também levaram a Comissão Europeia a abrir uma investigação formal às práticas do TikTok, nomeadamente à forma como a empresa gere os riscos de ingerência em eleições por atores estatais e não-estatais.

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