O Mundial estava a correr-lhes bem. Depois pintaram o cabelo

16 jun, 11:00
Roménia no Mundial 1998 (Matthew Ashton/EMPICS via Getty Images)
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FIO DE JOGO || Na vida é preciso ter cuidado com as apostas. Que o digam os jogadores da Roménia no Mundial de 1998

Esta terça-feira não lhe trazemos uma camisola. Não por falta delas, mas porque simplesmente esta história é demasiado boa para não ser contada e tem a ver com fios – de cabelo, neste caso.

Imagine que está a disputar o Mundial de futebol, o pináculo do desporto-rei, um sítio onde todos querem estar. E agora imagine que deita tudo a perder, juntamente com os seus colegas, por descolorar o cabelo. Pois, foi isso que aconteceu à Roménia em 1998.

A Roménia era uma potência futebolística razoável nos anos 90. Produzia bons jogadores para os principais campeonatos europeus e a seleção quase não falhou uma grande competição. A equipa chegou ao França 98 a tentar pelo menos igualar a prestação de quatro anos antes, nos EUA, onde atingiu os quartos de final, fase em que foi eliminada no desempate por grandes penalidades pela Suécia.

A seleção de Gheorghe Hagi e companhia chegou motivada a França, tão motivada que decidiu fazer uma aposta com o selecionador Anghel Iordanescu. "Numa reunião dois dias antes do nosso primeiro jogo, contra a Colômbia, perguntámos ao mister Iordanescu se estaria disposto a rapar a cabeça caso nos qualificássemos após duas partidas. E quando ele concordou, decidimos que, se ele realmente o fizesse, nós também pintaríamos o cabelo. Mas primeiro tínhamos de vencer a Colômbia e a Inglaterra", disse o ex-internacional romeno Adrian Ilie à Vice em 2018.

Dito e feito. A seleção romena teve prestações competentes frente a essas duas seleções, vencendo por 1-0 e 2-1, respetivamente. A bola estava agora do lado de Iordanescu. Será que iria cumprir a promessa e rapar o cabelo?

Para desagrado de alguns jogadores, o selecionador foi um homem de palavra. Os 22 convocados não tinham opção: iriam todos ficar louros para o jogo seguinte.

O 11 inicial da Roménia frente à Tunísia alinhado antes do início do jogo da fase de grupos do Mundial de 1998 (David Cannon /Allsport via Getty Images)

O processo não foi nada fácil. Ao canal romeno ProSport, o avançado Gheorghe Craioveanu recordou o episódio em 2010. “Tínhamos queimaduras na cabeça e o cabelo estava a cair-nos. Durante dois ou três dias, só dormi de um lado por causa da dor. Acho que ficou tudo puxado depois de uma senhora nos ter colocado uma espécie de capacete de celofane e alumínio na cabeça. Foi por isso que fiquei careca”, contou o jogador romeno.

"Fizemo-lo depois do nosso último treino. Ninguém nos viu. Quando voltámos, o pessoal do hotel pensou que éramos outra equipa”, contou Ilie à revista americana. “As nossas famílias ficaram completamente chocadas".

A condizer com o choque, a exibição frente à já eliminada Tunísia no último jogo da fase de grupos deixou muito a desejar. Os romenos não foram além de um empate a um golo. “Irritámos Deus”, disse Iordanescu após o jogo.

Nos oitavos de final, a Roménia não era favorita e acabou por ser eliminada pela Croácia com um penálti de Davor Suker. Foi o último jogo da equipa tricolor em Mundiais. Se o cabelo deixou uma maldição no ar – ou na cabeça dos jogadores romenos, neste caso – fica por saber.

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