Ela sentou-se ao lado do tipo chato no avião. E depois eles apaixonaram-se

CNN , Brenda Goodman
15 mai, 12:30
Krystina Burton e Gabriel Solberg

Como um encontro casual num aeroporto mudou a vida de duas pessoas. E nem começou bem...

A primeira vez que Krystina Burton viu Gabriel Solberg, revirou os olhos.

Burton, uma bailarina então de 30 anos que morava e trabalhava em Los Angeles, estava à espera no aeroporto JFK para voltar para casa após uma audição em Nova Iorque. Era de madrugada. O terminal estava quase vazio, por isso ela tinha uma fila de assentos só para ela.

Quando um homem atirou a sua mala para o chão e sentou-se mesmo ao lado dela, Burton ficou irritada.

O homem era Solberg, então com 34 anos, que voltava de uma visita à família na Europa. Com os olhos turvos já de uma noite de escala no aeroporto, ela estava a dar pouca atenção ao que se passava à sua volta.

"Esse gajo não tem noção do espaço", lembra-se Burton de pensar. Os dois estranhos estavam sentados tão perto que Burton pôde ver o número do assento impresso no bilhete de avião de Solberg. Percebeu que ele tinha o lugar ao lado dela no avião e gemeu internamente: não estava com vontade de passar seis horas sentada ao lado de alguém que não entendia o conceito de espaço pessoal.

Isto aconteceu em julho de 2018. Refletindo agora sobre esse momento, Solberg é rápido a defender-se e lembra-se das coisas de uma maneira um pouco diferente.

"Essa é a perspectiva dela", diz ela à CNN Travel, a rir. "Quando fui para aquele terminal, estava cheio de gente, e sentei-me numa cadeira que estava vazia. Só me sentei lá uns cinco minutos." Burton diz que Solberg apenas se sentou brevemente porque saltou no minuto em que o embarque foi anunciado, confirmando as suas suspeitas sobre a sua natureza arrogante.

Krystina Burton e Gabriel Solberg conheceram-se num terminal de aeroporto, num momento que eles recriaram nesta foto posterior.

Quando Burton finalmente embarcou no voo da Alaska Airlines e viu Solberg já acomodado na sua fila, tentou colocar os auriculares rapidamente, para evitar qualquer conversa. "Mas não fui rápida o suficiente e ele começou imediatamente a falar comigo."

Solberg não tinha reparado em Burton no terminal, mas viu-a assim que ela embarcou no voo, caminhou pelo corredor e se aproximou da sua fila. Ele conta que ficou encantado com seu o sorriso, e que alguma coisa aconteceu.

"- Ei, tu não estavas sentada ao meu lado no terminal?" pergunto ele sorrindo.
"- Tu estavas sentado ao meu lado", respondeu Burton, ainda sorrindo.

A primeira impressão que Burton tinha de Solberg, de arrogante e egocêntrico, desapareceu, e os dois começaram a conversar. "Sinto que a empatia foi imediata", lembra agora Burton. “Assim que entrei no avião e estava a chegar ao meu lugar, tudo mudou – não houve aborrecimento”.

Romance de avião

Burton não teve a melhor primeira impressão de Solberg, mas mudou de ideias logo que começaram a conversar.

O comandante anunciou pelo altifalante que o avião estava atrasado e que provavelmente não partiria nas próximas horas. Burton e Solberg estavam no banco do meio e no corredor. O passageiro perto da janela adormeceu quase instantaneamente, parecia que eles tinham a fila só para eles.

Enquanto a aeronave permanecia no solo, Solberg e Burton conversavam, passando de conversa fiada para tópicos maiores. "Conversámos sobre tudo", lembra Solberg. Eles lembram-se de discutir os seus empregos, onde moravam, por que estavam a viajar. Também se identificaram no amor por viagens - Solberg é meio francês, meio americano e cresceu na Alemanha, pelo que passou a sua vida a viajar. O trabalho de Burton como bailarina levou-a a viajar por todo o mundo, desde apresentações em navios de cruzeiro até digressões pelos Estados Unidos.

Quando o voo finalmente descolou, parecia que Solberg e Burton se conheciam há anos. Eles assistiram a alguns filmes juntos, mas conversaram e riram durante todo o tempo.

"Disse-lhe que as suas escolhas de filmes foram terríveis", diz Solberg. "Estamos a tentar ver o 'Planeta dos Macacos', que acho um bom filme", ​​conta Burton. "Mas ele disse, 'Este é o filme mais estúpido que eu já vi.'" Burton ficou encantada com a franqueza e senso de humor de Solberg. Era óbvio que ele era gentil, por debaixo das piadas.

Durante o voo de seis horas, também houve espaço para conversas mais sérias. Burton e Solberg falaram sobre espiritualidade e religião, e as suas visões de vida. Foi, diz Solberg, "uma conversa realmente orgânica".

Quando o voo aterrou, o seu vizinho de assento acordou com uma surpresa.

"Claramente, quando todos embarcámos, ninguém se conhecia. E então o tipo adormeceu durante o voo inteiro. No final do voo, estávamos basicamente sentados um em cima do outro e esse tipo acorda no final, tipo 'O que está a acontecer aqui?'", lembra Solberg, rindo.

A conexão não era clara apenas para o homem no banco da janela. Era óbvia também para Solberg e Burton.

Ainda assim, eles estavam cautelosos, cada um por razões diferentes. Solberg havia terminado com uma parceira de longa data cerca de cinco meses antes. Tinha passando o verão a visitar entes queridos na Europa, e quando conheceu Burton estava a caminho de Seattle para visitar a família. O romance estava longe da sua mente. "A minha posição sobre relacionamentos era: não são para mim. Basicamente, eu estava tipo, 'Não estou à procura, não estou interessado'", lembra.

Burton diz que também não estava à procura de nada. "Nunca namorei com ninguém antes", diz. "Estava bem, a viver a minha vida de solteira com a minha melhor amiga em Los Angeles."

O "encontro" de oito horas de Burton e Solberg no avião foi uma surpresa para os dois. Não foi, dizem eles, uma paixão instantânea. Parecia natural e fácil estarem na companhia um do outro. “Foi mais essa calma, como se fizesse sentido, esse sentimento, muito diferente do que eu já sentira no passado”, diz Solberg.

Quando o avião aterrou e os passageiros desembarcaram no aeroporto LAX, Solberg e Burton prepararam-se para seguir caminhos separados. "Eu disse-lhe, 'Ei, está aqui a acontecer alguma coisa. Então vou voltar daqui a uma semana e vamos ver do que se trata'", lembra Solberg.

"Pessoalmente, não achava que isso ia acontecer", diz Burton. "Sabia que tínhamos algum tipo de conexão, eu podia sentir isso, mas estava tipo, 'Ah, claro, você vai voltar para Los Angeles e sair comigo? Isso vai acontecer.' Simplesmente não estava convencida."

Quando o carro de Burton parou, Solberg deu-lhe um abraço e um rápido beijo na bochecha de despedida. E mesmo que Burton imaginasse que talvez nunca mais veria Solberg, imediatamente mandou uma mensagem para a sua irmã e os seus amigos para pô-los a par.

"É um encontro fofo", lembra-se de pensar. "Sabia que estava a voltar", diz Solberg. E enviou uma mensagem para o seu irmão enquanto se afastava: "Conheci a miúda dos meus sonhos", escreveu.

Cabana na floresta

Passou uma semana e Solberg voltou para Los Angeles. Pelo meio, ele ligou a Burton para fazerem planos. "Passámos duas ou três horas naquele telefonema", diz ele.

Solberg lembra-se de pensar como a situação era estranha - tinha acabado de falar ao telefone com alguém que ainda era essencialmente uma estranha com a facilidade de como se fosse alguém que ele conhecesse há anos. E agora estava prestes a voar pelo país para visitá-la. "É muito estranho, é como se tivéssemos nos conhecido desde sempre", lembra ele.

"Normalmente não gosto de falar ao telefone. Mas era tão confortável", concorda Burton.

Na ligação, refletiram sobre o que poderiam fazer quando Solberg estivesse de volta à cidade. Burton sugeriu jantar e ver um filme. Solberg disse que eles deveriam fazer algo mais emocionante, até se ele ia voar desde o outro lado do país. Ele sugeriu que alugassem uma cabana em Topanga Canyon, nas montanhas de Santa Monica, na Califórnia. "Eu estava tipo 'Oh, isso é fixe. Podemos ficar aqui e não é uma viagem longa até a praia, e não é muito distante de Los Angeles.'"

Burton, por sua vez, não estava convencida com a ideia de uma "cabana do assassinato". Estava animada para ver Solberg novamente, mas os seus amigos e familiares estavam genuinamente preocupados com a ideia de ela viajar para um local isolado com um homem que acabara de conhecer. Antes de viajar, um amigo deu-lhe um conjunto de soqueiras para levar, caso Solberg tivesse más intenções.

Apesar da acomodação ser mais rústica do que Solberg previa, os dois passaram momentos maravilhosos em Topanga. Apanharam facilmente o ponto em que estavam quando saíram do avião, desfrutaram de passeios ao longo da costa, comeram fora, tiveram conversas profundas.

Burton e Solberg partilham um amor por viagens e aventuras.

No dia em que Solberg deveria voar de volta para Nova Iorque, os dois saíram para um brunch e discutiram para onde as coisas iriam a partir daí. A perspetiva de se separarem novamente era difícil de engolir.

"Estávamos os dois a sentir-nos mal", lembra Solberg. Decidiram que, em vez de se despedirem, Burton voaria com Solberg para Nova Iorque para continuar lá a aventura. “Havia um assento vazio ao meu lado, num voo que já havia reservado, então ela reservou e voltou para Nova Iorque comigo por algumas semanas”, diz Solberg.

Na onda de excitação e romance, Burton esqueceu completamente as soqueiras na carteira.

"Tudo parecia um conto de fadas, mas como todos sabemos, toda a história precisa de um pouco de drama", diz ela agora. Ao passar pela segurança do aeroporto, a sua carteira acionou o alarme. O agente do aeroporto tirou as soqueiras e imediatamente puxou Burton para o lado. "Foi terrível e embaraçoso. E eu não sou ou não era uma pessoa muito emotiva - e só de conhecê-lo - fiquei mortificada", diz Burton.

A polícia foi chamada e Burton foi ameaçada com uma potencial audição em tribunal. Solberg podia ver Burton a fechar-se para ele. "Tirei-a disso, consegui que ela partilhasse isso comigo", diz ele agora. "Não vou deixar você fechar-se", lembra-se de ter dito. "Não é assim que se comunica, não funciona." Encorajou Burton a ser franca com ele sobre como estava chateada. A situação foi resolvida, e Burton e Solberg foram autorizados a deixar a segurança, embarcar no seu voo, e ela nunca teve de ir a tribunal.

Burton diz que mesmo sem esse stress adicional, o romance foi emocionante e esmagador.

"Estava tão ansiosa, porque sou uma pessoa muito equilibrada, sou muito lógica nas minhas decisões, e isto foi muito extemporâneo e fora do meu personagem, por isso, as coisas estavam a deixar-me ansiosa, eu estava tipo, 'Por que estou a fazer isto? Tipo, parece certo, mas não tenho um plano", lembra ela.

Quanto a Solberg, ele admite que, embora estivesse a dizer que a sua crescente conexão com Burton era apenas casual, as suas ações "não refletiam realmente essas palavras".

Burton diz que ela podia ver através dessa fachada. "Eu estou tipo, 'Ok, tu voaste de volta para me veres. Agora nós voamos para Nova Iorque. Mas não é nada sério.' Ok, vamos fingir", conta.

Ainda assim, Burton deixou claro que a sua carreira como bailarina vinha em primeiro lugar. Quando o seu agente a contatou sobre uma excitante oportunidade de ter uma audição, ela cortou a viagem para Nova Iorque e voou de volta para Los Angeles mais cedo.

Ainda assim, Burton e Solberg discutiram como a sua carreira lhe dava a flexibilidade de potencialmente viver em qualquer lugar. No final, os dois passaram apenas alguns meses a voar de um lado para o outro para se verem, antes de Burton decidir morar com Solberg em Nova Iorque.

Foi um grande passo, mas Burton diz que parecia certo. Sabia que ela e Solberg estavam no mesmo comprimento de onda.

E a sua carreira ainda tinha prioridade - depois de mudar para Nova Iorque, ela saiu em digressão durante três meses.

"Na segunda vez que ele veio para Los Angeles, já falámos sobre como iríamos criar os nossos filhos e coisas assim. Mas os dois amamos viajar. Então sabíamos que viajar seria uma coisa. E depois havia a minha carreira, que está num fluxo. Então a constante era apenas que íamos ficar juntos e casar-se em algum momento", diz Burton.

Uma sessão de fotografias no aeroporto

O casal ficou noivo durante as férias na Itália em 2019.

Em outubro de 2019, cerca de um ano depois de se conhecerem no avião, Burton e Solberg ficaram noivos quando estavam de férias na costa italiana. Solberg quase se esqueceu de levar o anel, e a mãe de Burton teve de encontrá-lo no aeroporto para entregá-lo sorrateiramente sem que Burton percebesse. O pedido foi feito num telhado, com uma vista de fazer cair o queixo.

Quando os dois decidiram marcar uma sessão de fotografias de noivado, com o fotógrafo Tyler Petit, o local foi óbvio: um aeroporto. Mais especificamente: Terminal A no Aeroporto Nacional Ronald Reagan em Washington, um centro de transporte com um vasto terminal histórico, foi o cenário perfeito.

O seu encontro fofo também se refletiu nos convites de casamento, que foram projetados para se assemelharem a passagens de avião. Burton e Solberg planearam um casamento glamoroso em Santa Lúcia.

Infelizmente a pandemia da covid-19 interrompeu os planos mas, nos últimos meses, os dois voltaram a planear o casamento. Os preparativos ficam mais complicados pelo fato de Burton estar atualmente a trabalhar na Alemanha, protagonizado uma produção de "Aladino".

A distância não é fácil, dizem Burton e Solberg, mas ambos gostam de se verem um ao outro a prosperar nas suas carreiras. E eles sabem que estão no meso comprimento de onda quanto aos seus objetivos e ambições de longo prazo.

"Nos próximos anos, queremos definitivamente fazer muitas viagens. E veremos onde a carreira dela a leva, porque podemos morar em países diferentes, adoraria morar em cidades diferentes", diz Solberg. "E então queremos encontrar em algum momento a cidade natal, queremos ter uma base, só não sabemos onde fica”. Burton acrescenta: “Nós realmente gostamos de ser nómadas".

Burton e Solberg posaram para fotografias de noivado no Aeroporto Nacional Reagan, em Washington DC.

Embora Burton e Solberg digam que há desde o início uma facilidade no seu relacionamento, isso não significa que seja sempre fácil. Têm muito em comum, mas também têm personalidades diferentes – Burton diz que é mais lógica, enquanto Solberg é movido pela emoção. Têm também origens diferentes: Solberg cresceu na Europa, enquanto Burton cresceu nos EUA. Solberg vem de origem judaica ortodoxa e Burton é católica. E Burton é negra e Solberg é branco.

Desde o início, o casal diz que teve conversas francas sobre estar num relacionamento interracial. “Tivemos incidentes que eu vi como uma pessoa branca e ela experimentou como uma pessoa negra, e eu tenho de entender o que ela está a passar”, diz Solberg. "Gostaria de poder dizer que poderia entender isso sem ter de conversar, mas eu não estava aí. E então houve muitas conversas sobre isso, o que foi bom."

“Acho que foi um desafio só no princípio, porque sempre digo que você não sabe se essa não for a sua experiência, você não está ciente dessas coisas”, diz Burton. "Faz diferença quando você está a ver isso acontecer em tempo real versus a ouvir sobre isso ou tipo ler sobre isso, não é a mesma coisa, porque você está muito longe disso."

Solberg e Burton partilham as suas aventuras de viagens na conta do Instagram do casal @swirlthroughtheworld. Têm também um canal no YouTube e um blogue, onde falam abertamente sobre como se conheceram e como navegam pelo mundo juntos.

Fundação forte

Burton e Solberg, aqui na Grécia, estão agora ansiosos para futuras aventuras juntos.

Solberg e Burton acham que a abertura e a comunicação no relacionamento decorrem do fato de que ambos estavam contentes consigo mesmos quando se cruzavam.

“É como o cliché – pare de procurar, pare de tentar ser alguém que não é, e apenas fique bem consigo mesmo, encontre-se primeiro e fique bem em estar sozinho e em quem você é”, diz Solberg. "Eu estava tipo, 'Estou contente. Gosto do que estou a fazer. Estou a viver o meu sonho. E acho que é isso que me deixa ser franco", diz Burton.

"As pessoas vão revirar os olhos com isto", acrescenta ela, rindo. "Mas foi o que aconteceu."

E para Burton e Solberg, um primeiro encontro prolongado no avião de Nova Iorque para Los Angeles foi o trampolim perfeito para onde hoje estão.

Burton remata: "Por causa da fundação que criámos no avião - falando sobre tantas coisas, e especialmente todas as coisas sobre as quais conversámos no início - acho que foi isso que abriu o caminho ou a base para saber quais são as expectativas, ou quem somos como pessoas e como nos combinamos".

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