Palácio italiano com o único mural conhecido de Caravaggio vai a leilão judicial

Agência Lusa , CM
18 jan, 06:56

Especialistas dizem que o valor do imóvel é "incalculável" e pedem a intervenção do Estado

O palácio italiano com o único mural conhecido de Caravaggio vai a leilão esta terça-feira, por ordem judicial, com um preço base de 353 milhões de euros.

O leilão da Villa de Aurora, em Roma, que tem despertado a atenção do mercado nacional e internacional, começa às 15:00 [14:00 em Lisboa] e prolonga-se durante 24 horas.

Residência histórica da família Ludovisi, berço de cardeais e até de dois papas ao longo da história, um juiz determinou o seu leilão porque os herdeiros do último proprietário, Nicolò Boncompagni Ludovisi, que morreu em 2018, foram incapazes de o mantê-lo e têm de saldar uma dívida fiscal.

O palácio, com seis andares e rodeado por um grande jardim, é considerado um tesouro porque no teto de uma das suas salas está o único mural conhecido do conceituado pintor italiano Michelangelo Merisi Caravaggio (1571—1610), a representação dos deuses Júpiter, Neptuno e Plutão.

Além desta famosa pintura, o edifício tem também inúmeras peças de arte, como a alegoria da Aurora, obra de Guercino, expoente do barroco romano, além de outras pinturas como de Dominichino , Paul Bril ou Giambattista Viola.

Atualmente mora no palácio a atriz norte-americana Rita Jenrette, viúva do aristocrata Nicolò Boncompagni Ludovisi.

Especialistas falam em valor "incalculável"

Um juiz fixou o preço inicial em 353 milhões de euros, embora um especialista o tenha elevado para 471 milhões de euros, enquanto historiadores referem que o valor é “incalculável”.

Nos últimos dias, foi lançada uma campanha para que o Estado italiano assuma este palácio, devido ao alto valor histórico e cultural.

Segundo a legislação, o Estado apenas pode exercer o direito de preferência no prazo de 60 dias após a aquisição do imóvel por um particular e por um valor superior.

Até ao momento o governo italiano ainda não admitiu esta hipótese, em parte para não interferir com o leilão, embora fontes do Ministério da Cultura realcem que o valor inicial equivale a um quinto do orçamento anual desta pasta.

Há quinze anos, o fundador da Microsoft, Bill Gates, ofereceu cerca de 200 milhões de euros para a sua aquisição, revelou à agência EFE uma das herdeira.

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