O FC Porto esteve a um Dybala de passar a Roma (e isso é uma distância demasiado grande)

20 fev, 19:39
Roma x FC Porto (Lusa)

Houve um golaço de Samu, mas depois houve muito do pior FC Porto e muito do melhor Dybala

Há aqueles adeptos que dizem que gostam sempre de ver os melhores em campo, mesmo que isso implique um jogo mais difícil para a sua própria equipa. Os adeptos do FC Porto que se reveem nessa filosofia estarão, certamente, a perguntar-se se valerá a pena pensar assim.

É que Paulo Dybala lesionou-se no Estádio do Dragão ainda na primeira parte, soando rapidamente alarmes para um dos melhores jogadores do mundo, mas também um dos jogadores mais azarados. Pensou-se que podia não atuar esta quinta-feira, mas a história foi claramente outra.

É mesmo assim: Paulo Dybala é um dos melhores jogadores do mundo e só as lesões impedem que todos possam ver isso com maior clareza.

No meio de tanto atleta em campo no Olimpico de Roma, talvez só o argentino tenha verdadeira categoria mundial. Contra um FC Porto completamente à deriva defensivamente isso torna-se ainda mais evidente, o que acabou por redundar na eliminação do clube português da Liga Europa.

Aquele primeiro golo é magia de Paulo Dybala ou é passividade e infantilidade da defesa do FC Porto?

Ainda tentaram agarrá-lo, mas não deu mesmo para o parar (AP)

Aquele segundo golo é um génio numa cabine telefónica ou é uma defesa que não percebe que tem pela frente um dos melhores?

Depois de Samu ter dado uma pequena esperança de que esta fosse a noite dos dragões com um grande pontapé de bicicleta a colocar o FC Porto em vantagem, o génio do argentino soltou-se para espalhar o pânico do outro lado e virar a eliminatória em apenas quatro minutos.

Que terá pensado Otávio, que já tantas vezes anda às aranhas com defesas de Santa Clara ou Rio Ave, quando viu uma coisa daquelas pela frente?

Se já era difícil, com atitudes como as de Stephen Eustáquio fica mesmo impossível. O internacional canadiano foi na manha do adversário e agrediu-o em pleno relvado. Alertado pelo VAR, o árbitro não teve como não o expulsar. O FC Porto passou o resto do jogo a tentar entre a sobrevivência e a esperança. Não deu.

O autogolo que ainda deu o 3-2 para o FC Porto já só serviu para uma pequena consolação de não haver um resultado tão pesado.

Para Martín Anselmi, que sofreu a primeira derrota no novo clube, e mesmo atendendo à ambição claramente utópica que todos no clube traçaram para esta competição, há duas boas notícias: Samu voltou aos golos e o FC Porto terá, agora sim, tempo para treinar.

É isso mesmo: chega o tempo de treinar, de criar a ideia do treinador que ainda não teve uma única semana inteira para poder trabalhar um sistema que quase ninguém ali conhecia. Mais do que nesta época, onde já só resta o campeonato - e o FC Porto continua dentro, a apenas seis pontos do líder e quatro do segundo -, há que preparar o que acontece no próximo ano, aí sim o verdadeiro teste do argentino.

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