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Quer que o seu Rolls-Royce combine com o seu cão? Tudo é possível na personalização de carros de luxo

CNN , Peter Valdes-Dapena
4 abr, 15:00
Carros

Os estúdios de personalização de marcas de luxo como Rolls-Royce, Aston Martin, Mercedes-Maybach e Cadillac permitem criar carros únicos, quase como obras de arte, para clientes ultrarricos. Este mercado exclusivo oferece experiências personalizadas que vão muito além das opções padrão

Para chegar ao "Private Office" da Rolls-Royce em Nova Iorque, um estúdio de design VIP para projetos personalizados, o cliente tem de se dirigir a um edifício sem identificação no sul de Manhattan. Depois, apanha o elevador até ao 8.º andar, algo só possível com acesso por cartão fornecido por um assistente. Lá, encontrará um espaço elegantemente decorado, com kitchenette, um sistema de som de alta qualidade com pilhas de discos de vinil, uma varanda e vista para o rio Hudson.

Os clientes que entram aqui - apenas por marcação - conhecem bem a Rolls-Royce. Estão entre os melhores clientes da marca ultraluxuosa. Vêm discutir exatamente como querem os seus carros: as cores - literalmente qualquer cor - os couros, a marchetaria em madeira do seu cão, a paisagem esculpida com um rio dourado.

"Isto é ouro verdadeiro pintado com um pincel depois de ser esculpido", explica Cara Vitry, designer de carros personalizados da Rolls-Royce, enquanto segue com o dedo o curso do pequeno rio dourado numa peça de madeira escura.

Isto faz parte de uma tendência crescente na indústria, que responde àqueles que podem ter praticamente tudo o que desejam nos seus carros. Este tipo de personalização extrema existe desde que existem automóveis, mas o aumento da riqueza global está a levá-lo a mais fabricantes, em mais lugares, e não apenas à Rolls-Royce.

Uma representação em folheado de madeira do cão do cliente espreita a partir dos bancos traseiros de um coupé Rolls-Royce personalizado. (Rolls Royce Motor Car)

Para estes clientes, não há pacotes de opções nem listas para assinalar. Há designers internos como Vitry para ajudar a orientar grandes ideias até criações verdadeiramente belas.

Em muitos destes casos, comprar um carro torna-se como encomendar uma obra de arte, segundo Vitry. Veja-se o Spectre Bailey, por exemplo: alguém quis que o seu coupé elétrico Rolls-Royce captasse o espírito e a personalidade do seu cruzamento Labrador-Golden Retriever. Escondida numa pequena interrupção das linhas decorativas ao longo de cada lado do carro, de cor bege, está uma reprodução pintada à mão da pegada de Bailey. No interior, há um retrato em marchetaria de madeira de Bailey, montado entre os dois bancos traseiros.

O retrato em marchetaria de Bailey demorou mais de quatro meses a ser feito, utilizando 180 peças diferentes de folheado, segundo a Rolls-Royce. Com mais clientes a pedirem este tipo de trabalho, o tempo tornou-se um problema. Por isso, a Rolls-Royce está a expandir a sua fábrica em Goodwood, no Reino Unido, não para produzir mais carros, mas para permitir dedicar mais tempo a cada um.

A Aston Martin também tem o seu próprio estúdio de personalização em Manhattan, mas este não tenta passar despercebido. O espaço, chamado Q New York, fica na Park Avenue. Há um letreiro Aston Martin e há sempre um carro da marca estacionado atrás das grandes montras. O nome da loja vem do personagem Q, responsável pelos gadgets e, mais concretamente, pelos carros Aston Martin nos famosos filmes de James Bond.

O estúdio de personalização da Aston Martin em Manhattan, chamado Q New York, é uma referência ao personagem Q, que cria gadgets de última geração. (Zach Hilty/BFA.com/Shutterstock)

Lá dentro, há uma sala que não é visível da rua, onde os clientes se sentam com designers da Aston Martin para discutir o que pretendem para os seus carros.

Não se trata apenas de tornar o carro único, insiste Marek Reichman, diretor criativo da Aston Martin. Qualquer pessoa pode fazer isso sem esforço. Com a seleção "standard" da marca de cores interiores e exteriores, costuras contrastantes, materiais de acabamento e jantes, estima que as combinações possíveis chegam às centenas de milhões.

Quando as pessoas querem ir além disso, é porque procuram uma história, não apenas um carro. Um comprador encomendou o seu Vanquish de 2025 como homenagem a um tio falecido, que possuía um clássico Aston Martin DB6. O novo carro, batizado "The Role Model", não é vistoso. Pintado de um verde metálico pálido, tem discretos desenhos da bandeira Union Jack incorporados nas entradas de ar laterais. O interior é em tons de bege e branco, com a silhueta do carro no teto. No para-sol está a frase: "O teu cão é bem-vindo… mas tu talvez não", uma saudação irónica retirada de uma placa num pub favorito.

Um cliente da Aston Martin encomendou o seu Vanquish 2025 verde-pálido como tributo a um tio falecido, batizando-o de "The Role Model". (Nicholas Downie/Aston Martin)

Carros como este são extremamente caros, altamente lucrativos e destinam-se a um mercado em crescimento. Existem hoje mais de meio milhão de indivíduos ultrarricos no mundo, segundo a Altrata, empresa que acompanha a população e os hábitos dos muito ricos. Espera-se que esse número aumente mais de 30% até 2030.

Antes de 2021, a Rolls-Royce nunca tinha tido um carro com custo superior a 1 milhão de dólares encomendado por um cliente nos Estados Unidos. Isso seria cerca do dobro do preço base do modelo mais caro da marca, o Phantom. No ano passado, a Rolls-Royce entregou vários carros nos EUA com esse valor ou superior, segundo um porta-voz. Quase todos eram modelos de fábrica, com mais de 500 mil dólares em extras e personalização. Alguns, no entanto, poderão ter sido modelos como o Boat Tail, criações totalmente artesanais que custam muitos milhões.

Dado o potencial do mercado, não surpreende que fabricantes que normalmente se dirigem aos "apenas ricos" procurem novas formas de conquistar os super-ricos.

A edição limitada da Mercedes-Maybach, concebida pelo falecido artista Virgil Abloh e revelada após a sua morte em 2021. (Mercedes-Benz Group AG)

Para mostrar o que era capaz de fazer, a Mercedes trabalhou com o falecido artista e designer Virgil Abloh numa série de carros e SUV. Um deles, um Mercedes-Maybach S-Class S 680 especial em preto e bege, foi revelado pouco depois da morte de Abloh em 2021. Neste carro, até a interface eletrónica foi personalizada, e foi criado um perfume específico para difundir no interior. O modelo foi disponibilizado a um número limitado de clientes, e alguns já foram vendidos em leilão por cerca de 350 mil dólares.

Até a General Motors, com a sua marca de luxo Cadillac, entrou neste segmento. Este ano foi entregue o primeiro Cadillac Celestiq elétrico ao seu proprietário anónimo. Com um preço base de cerca de 340 mil dólares, cada Celestiq é montado à mão, não numa linha de montagem, mas numa instalação especial dentro do Global Technical Center da GM, em Warren, Michigan.

A GM espera produzir um número reduzido de Celestiq este ano, mas todos os previstos para o ano-modelo 2026 já foram vendidos, disse um porta-voz. Através deste programa, a GM está a aprender a servir estes clientes ultrarricos.

Os luxuosos Cadillac Celestiq da General Motors são montados à mão, em vez de numa linha de montagem em movimento. (Cadillac)

 

O Celestiq apresenta um ecrã interior de 55 polegadas de ponta a ponta. (Cadillac)

"Identificámos realmente que o tempo é o bem mais precioso para o indivíduo ultrarrico", explica Rob Sanmartin, especialista de marketing da Cadillac, enquanto fazia uma sessão de personalização experimental do Celestiq numa reunião online. Se eu fosse um cliente real, isto teria provavelmente sido feito num estúdio de design em Warren, após uma reunião prévia para perceber o meu estilo geral.

Fiquei interessado num material de acabamento "sustentável". Ao contrário da madeira ou do metal habituais, era feito a partir de jornais reciclados. Tinha uma cor cinzento-claro com uma textura subtilmente ondulada, quase como casca de bétula.

"Também é bastante bonito", afirma Sanmartin, "porque é uma das nossas únicas opções de decoração muito, muito neutras, e quando se observa de perto, conseguem-se distinguir pequenas letras e às vezes uma palavra aqui ou ali, o que lhe dá um certo romantismo."

Certamente, se olharmos com atenção suficiente, há uma história ali.

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