"Ele que vá cantar em Moscovo". Concertos de Roger Waters na Polónia cancelados após polémica em relação à invasão da Ucrânia

CNN , Jorge Engels e Zoe Sottile
26 set, 12:52
Roger Waters durante concerto em Vancouver, no Canadá (Imagem Getty)

Músico posicionou-se contra o envio de armas do Ocidente para a Ucrânia

Os concertos marcados para abril, na Polónia, da lenda do rock britânico e cofundador dos Pink Floyd, Roger Waters, foram cancelados na sequência de controvérsias após a posição do músico em relação à invasão da Ucrânia pela Rússia.

A Live Nation Poland, promotora dos concertos, confirmou o cancelamento no sábado, mas não especificou a razão.

Este cancelamento acontece depois de Roger Waters, de 79 anos, ter publicado uma controversa carta aberta no seu site, no início de setembro, dirigida à primeira-dama ucraniana Olena Zelenska. Na carta, Waters tornou público que era contra o envio de armas do Ocidente para a Ucrânia como auxílio na guerra contra a invasão russa.

Waters também acusou o Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky de voltar atrás nas suas promessas de campanha eleitoral de 2019 e disse, sem apresentar provas, que “as forças do nacionalismo extremista que antes espreitavam, malévolas, nas sombras, passaram desde então a governar a Ucrânia.”

Waters continuou, acusando esses “nacionalistas extremistas” de colocarem a Ucrânia no caminho da guerra com a Rússia ao cruzarem uma “série de limites” estabelecidos pelo Kremlin.

(O cofundador dos Pink Floyd explica o significado por trás do aviso no início do seu concerto)

No domingo, Waters negou ter sido ele a cancelar os concertos que estavam marcados para acontecer em Cracóvia e faziam parte da digressão internacional do músico.

Numa declaração no Facebook, endereçada ao jornal britânico “The Guardian” e ao jornal polaco “Gazeta Krakowska”, Waters negou ter sido ele ou o seu agente a cancelarem os concertos na Polónia. Apontou o dedo a Lukasz Wantuch, um vereador de Cracóvia que escreveu uma publicação no Facebook, a 10 de setembro, opondo-se aos concertos de Waters.

“É verdade que um vereador de Cracóvia, o senhor Lukasz Wantuch, ameaçou realizar uma reunião para pedir ao município que me declarasse ‘Persona non grata' por causa dos meus esforços públicos de encorajar todos os envolvidos na desastrosa guerra na Ucrânia, especialmente os governos dos EUA e da Rússia, a trabalharem numa paz negociada, em vez de numa escalada do conflito para um fim amargo como uma guerra nuclear e o fim de toda a vida neste planeta”, escreveu Waters no Facebook.

“Apesar de este sujeito, o senhor Lukasz Wantuch, parecer não saber nada sobre a minha história de trabalho, de toda a minha vida, a algum custo pessoal, a serviço dos Direitos Humanos, ele, num artigo num jornal local, apelou aos bons cidadãos de Cracóvia para que não comprassem bilhetes para o meu concerto”, acrescentou Waters.

Continuou dizendo que, se Wantuch “alcançar o seu objetivo… será uma perda triste para mim” e também para os residentes de Cracóvia.

“A censura draconiana que este senhor fez ao meu trabalho vai negar às pessoas a oportunidade de decidirem sozinhas”, concluiu Waters.

A publicação de Wantuch exprimia a sua oposição ao concerto de Waters, apelidando o músico de “um claro apoiante de Putin” e os concertos planeados para Cracóvia de “uma vergonha para a nossa cidade”.

“Roger Waters, um claro apoiante de Putin, quer atuar na Tauron Arena em Cracóvia”, escreveu Wantuch. “Na quarta-feira, vai realizar-se uma assembleia na Câmara Municipal de Cracóvia e falarei com o presidente e com os vereadores para impedir isto. Um evento como este seria uma vergonha para a nossa cidade. Ele que vá cantar em Moscovo.”

Wantuch respondeu à declaração de Waters no domingo escrevendo que ainda estava na Ucrânia, mas que “faria uma oferta” a Waters, à noite.

No início deste ano, os Pink Floyd lançaram a primeira música nova em 28 anos, um single chamado “Hey Hey Rise Up” para angariar fundos para a ajuda humanitária na Ucrânia. Waters, que saiu da banda em 1984, não contribuiu para a música.

Já foi confirmada a morte de cerca de 6000 civis na Ucrânia desde o início da invasão da Rússia, segundo dados das Nações Unidas.

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