Roger Waters chama a Bolsonaro "porco fascista convicto"

CNN Portugal , FMC
28 set, 23:40
Roger Waters durante concerto em Vancouver, no Canadá (Imagem Getty)

Durante uma entrevista o cofundador dos Pink Floyd expressou o seu forte desdém ao candidato às presidenciais brasileiras e apelou ao povo que optasse por Lula da Silva

O cantor e compositor Roger Waters deu uma entrevista ao jornal brasileiro Folha de São Paulo, onde não poupou o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, descrevendo-o como um "porco fascista convicto". 

Durante a conversa em que o cofundador da banda Pink Floyd abordou vários temas, voltou a mostrar a sua aversão ao candidato às presidenciais brasileiras e apelou ao voto no adversário Lula da Silva. 

“De longe vi a covid-19 no Brasil e a confusão pavorosa que o governo fez. Tenho lido muito sobre as coisas que Bolsonaro diz. Ele é um porco fascista convicto, como sabemos”, afirmou o britânico.

Ao ser questionado sobre as mudanças de ideologia de artistas de rock que passaram a repudiar pensamentos de esquerda e caminharam para uma posição mais conservadora, Waters refere que "se deve esperar pouco das pessoas do ramo" e explica que "teve sorte" pelos ensinamentos que lhe foram transmitidos, tanto pelo pai, um combatente comunista que morreu na II Guerra Mundial como pela mãe. 

Redirecionando a conversa para as eleições brasileiras, o cantor frisa que um dos ensinamentos que a mãe lhe passou foi estudar sempre bem perguntas difíceis, ouvir os dois lados e depois fazer o mais acertado, como deve agora fazer o povo brasileiro. 

“E tentar fazer a coisa certa não é votar em Bolsonaro. Não há como sequer pensar na porra da ideia de que apoiar um idiota como Bolsonaro pode ser uma coisa boa. É tão evidente que é um gosto terrível", argumenta. 

Waters diz mesmo esperar que a população tenha percebido "que a falsa promessa de ‘sou um homem forte, cuidarei de vocês’ enquanto denigre todos os outros, não vale nada", frisando que a única honestidade no discurso de Bolsonaro é quando diz: "Eu não me importo com o que vocês pensam, eu quero ser um ditador e quero que o exército esteja no controlo de tudo."

E das palavras, também ações já foram tomadas. Há duas semanas, o cantor juntamente com outras figuras conhecidas, como o filósofo Noam Chomsky, o ator Danny Glover e a presidente da Câmara de Paris, Anne Hidalgo, juntaram-se num apelo pela defesa da democracia no Brasil, conseguindo que mais de 400 signatários se unissem no “poderoso movimento de solidariedade internacional”. 

Para o artista é fundamental exortar a comunidade internacional "a unir-se em solidariedade para com todos no Brasil", na esperança que "a maioria das pessoas acredite na democracia, no Estado de Direito e nos direitos humanos”, apelando a que o povo brasileiro no domingo opte por Lula da Silva. "Queremos mostrar o nosso desdém absoluto por neofascistas como Bolsonaro”, escreveu Waters sobre a iniciativa. 

Sobre o manifesto frisa que não podia estar mais feliz por o ter assinado. "Desejo ao povo do Brasil toda alegria na eleição. Se houver mais alguma coisa que eu possa fazer para persuadir as pessoas para que elas, com amor nos corações, vão às urnas no dia da eleição para eleger o projeto defendido por Marielle Franco, eu o farei" afirma, exaltando a vereadora Marielle que foi assassinada em 2018 e que defendia os direitos das mulheres negras, LGBTI e dos jovens. 

Esta não foi a primeira vez que o cofundador da banda britânica expressou a sua opinião sobre Bolsonaro. Aquando das eleições de 2018, Roger Waters já tinha, inclusive, num concerto em Curitiba, capital do Estado do Paraná, deixado uma mensagem antes do dia de eleições, frisando "Ele não". O cantor lembra agora esse concerto, decorrido um dia antes da votação, contando que foi ameaçado "de prisão". 

“Disseram-me que se eu fizesse alguma coisa política no meu espetáculo depois das 22:00, colocavam-me na prisão", contou, referindo a norma legislativa que proíbe propaganda política a menos de 24 horas das eleições. Como tal, o cantor optou, na altura, por transmitir a mensagem minutos antes da hora estipulada. 

O cantor britânico tem sido uma voz crítica às mais variadas situações que preocupam o mundo, ainda que a sua posição não seja muito clara no que respeita à invasão russa da Ucrânia, com Roger Waters acusado de ser um defensor de Vladimir Putin. Isto porque opõe-se ao envio de armas do Ocidente para a Ucrânia, posição que levou ao cancelamento de concertos na Polónia.

No início deste ano, os Pink Floyd lançaram a primeira música nova em 28 anos, um single chamado “Hey Hey Rise Up” para angariar fundos para a ajuda humanitária na Ucrânia. Waters, que saiu da banda em 1984, não contribuiu para a música.

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