"Sabem quando os amigos se encontram passado muito tempo e parece que estiveram a falar na semana passada? Foi assim": o Rock in Rio voltou à Bela Vista

19 jun, 02:01

Primeiro dia de festival arrancou cedo, bem cedo e 74 mil festivaleiros disseram presente. E nem a chuva que começou a cair no último concerto desmobilizou quem estava no Parque da Bela Vista

Às 11:00 da manhã a fila na zona do parque da Bela Vista já era longa. Centenas e centenas de pessoas aguardavam para entrar no recinto do Rock in Rio e, assim que as grades do pórtico foram retiradas pelos seguranças, houve quem corresse, quem saltasse e quem gritasse. Saudades? Muitas. A palavra "finalmente", repetida por Roberta Medina até à exaustão, parecia representar o sentimento de muitos que vieram ao festival.

E não falamos só de quem veio assistir aos concertos. Tim, vocalista dos Xutos & Pontapés, afirma à CNN Portugal, que o regresso ao Palco Mundo mostrou que, em dois anos sem grandes festivais, "nada mudou".

"É um regresso belíssimo. Foi muito, muito fixe. Sabem quando os amigos se encontram passado muito tempo e parece que estiveram a falar na semana passada? [Voltar ao festival] foi assim", afirma Tim, depois de subir ao Palco Mundo.

E foi isso que se viu um pouco por todo o recinto. Grupos de amigos, uns sentados, outros nas filas para os brindes (o stand dos pufs vermelhos voltou a ser o stand com mais fila), outros a cantar, abraçados, a plenos pulmões "Ai se ele cai". Por todo o recinto, o sentimento era de festa, convívio e alegria. O Rock in Rio quer ser festa e os festivaleiros estão prontos para isso.

Até porque, como afirma Sónia, que veio de Aveiro para o primeiro dia de festival, ouvir Xutos & Pontapés é sempre um regresso aos clássicos, "sentir que tudo está na mesma, que nada mudou". Seja para os festivaleiros, seja para Tim, seja para João Cabeleira. Ou mesmo Liam Gallagher.

E Liam trouxe Oasis

Liam Gallagher esteve confirmado para a edição de 2020, para a tentativa de 2021 e manteve-se firme no primeiro dia de Rock in Rio Lisboa. O enfant terrible do rock britânico foi o segundo a subir ao Palco Mundo e na setlist trouxe vários clássicos da banda que formou com o irmão (e que lhe tem valido vários processos e dores de cabeça). 

Sem esquecer o amor pelo Manchester City e pelos portugueses Bernardo Silva e Ruben Dias - "Eu amo o Bernardo Silva. Eu amo-o! E o Ruben Dias ainda mais, agora" -, Gallagher atirou-se ao público português com a vontade de quem não cantava em terras lusas desde 2009. E o público agradeceu e houve até quem se mostrou surpreendido "pela positiva" pelo concerto que viu enquanto a tarde caía no parque lisboeta. 

Joana veio de Braga acompanhada por um grupo de amigos. O dia já ia longo e Gallagher tinha acabado de sair de palco quando, mesmo à frente de palco, o grupo do Norte, aguardava para ver The National e Muse atuar. 

"Vínhamos para ver Foo Fighters e tínhamos bilhetes comprados desde 2020. Mas depois... fez-nos repensar. Acabámos por vir porque tínhamos saudades disto e estamos a gostar. Liam Gallagher foi uma surpresa pela positiva. Deu um bom concerto".

Um concerto em que o momento alto aconteceu quando, segundo o músico, o outro Gallagher já devia estar a "olhar para o relogiozinho cheio de medo". Para gáudio dos fãs, "Wonderwall" soou no Parque da Bela Vista com o cantor a adaptar a letra: "There are many things that I would like to say to you but I don't speak portuguese". É caso para dizer que o público português não se importou e, a plenos pulmões, acompanhou o britânico até ao fim.

Nos braços dos portugueses 

Na frente do Palco Mundo ainda muitos tentavam perceber por que Simone de Oliveira e companhia tinham subido a palco quando Matt Berninger e a banda surgiram. A primeira música soou, depois a segunda e, em menos de nada, o vocalista assomou-se ao pontão do palco. E, a meio do concerto, já Matt se tinha entregue aos braços dos portugueses junto às grades.

Matt Berninger, vocalista dos The National (José Sena Goulão/Lusa)

O público rendeu-se a Matt e Matt rendeu-se ao público e ali, no Parque da Bela Vista, nasceu uma história de amor, entre os acordes de "Mr. November".

Berninger não é desconhecido para o público português, ou  não fosse este o seu 18.º concerto por cá. E prova disso, é que a entrega foi total, de tal forma que a voz, nas últimas músicas já soava rouca, mas nem isso desmoralizou os fãs. Na frente de palco, estavam concentrados aqueles que nesta tarde de sol envergonhado se tinham deslocado à Bela Vista para ver The National e que não se fizeram rogados a entoar as músicas mais conhecidas e a acompanhar Berninger: entre as muitas que soaram no festival ouviram-se "This is the last time", "Don't swallow the cap" e "Terrible Love".

A banda de Ohio deixou corpo e alma e até aos anjos falou, com "Day I Die", com Matt Berninger a confessar que as pessoas que desciam o slide do parque o estavam a assustar e ele "nem acredita" em anjos.

74 mil para ver Muse debaixo de chuva

Depois de dois anos de espera e com uma mudança de cabeças de cartaz pelo meio - o primeiro dia era de Foo Fighters, mas a banda cancelou depois da morte de Taylor Hawkins -, o público regressou em peso e 74 mil pessoas (segundo a contagem final da organização do festival) cantaram "we will be victorious" da música "Uprising" dos Muse. 

A banda britânica voltou ao palco em que atuou em 2018 e os fãs não saíram dececionados, nem mesmo com a forte chuva que começou a cair meia hora depois do concerto começar. Houve quem dispersasse (foram poucas centenas), houve quem recorresse aos brindes da tarde (os puffs viraram guarda-chuvas improvisados e os chapéus que serviram para tapar o sol, abrigavam agora da chuva), mas a grande maioria dos milhares que ali estavam não arredou pé e ficou para ver a mais de hora e meia de espetáculo com tudo a que teve direito.

Com um recinto "à pinha", a primeira mostra de que o público tinha vindo para ficar surgiu quando soaram os primeiros acordes de "Hysteria". O baixista Chris Wolstenholme, que foi muito aclamado no concerto de 2018, assumiu o solo e o público acompanhou nas palmas, nos saltos e na voz. E quando foi a vez de Bellamy, já a chuva mostrava que não ia dar tréguas durante a noite que, para a banda, estava apenas a começar, a multidão não arredou pé e pediu mais.

Chuva de serpentinas no concerto de Muse (José Sena Goulão/Lusa)

E foi então que, se do céu caía água, do Palco Mundo choveram clássicos como "Psycho", "Compliance", "Uprising" e "Starlight" (que teve direito a uma explosão de confettis que se colaram a muitos dos que assistiam ao concerto). E a multidão acompanhava: cantava a plenos pulmões, abanava os braços ao ritmo do "maestro" Bellamy e batia palmas sem nunca sair do ritmo, como se o momento tivesse sido ensaiado várias vezes e nada daquilo fosse espontâneo. Mas foi.

O espetáculo terminou com duas músicas novas da banda - "Kill or be Killed" e "Knigths of Cydonia" - num alinhamento que em nada fugiu ao apresentado por Bellamy e amigos em Florença, Itália, na sexta-feira.

Sofia, que veio de Viseu para ver o concerto, confessa que sai do recinto "ensopada até aos ossos", mas que valeu a pena. "Em 2019, no Passeio Marítimo de Algés, foi diferente. Mas hoje também foi muito bom. O concerto foi muito bom, valeu a pena", afirma à CNN Portugal.

O festival continua este domingo e tem como cabeças de cartaz os Black Eyed Peas. Para o segundo dia de concertos estão ainda previstas as atuações de Ellie Goulding, Ivete Sangalo e David Carreira no Palco Mundo.

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