Anitta e Post Malone encerram Rock in Rio Lisboa no meio de fogo de artifício e polémica com bandeira de Espanha

27 jun, 02:04

Rapper norte-americano e cantora brasileira foram os responsáveis por trazer 80 mil pessoas à cidade do Rock. Último dia de festival contou ainda com as atuações dos portugueses HMB e de Jason Derulo no Palco Mundo

Casa cheia no último dia de Rock in Rio Lisboa, com 80 mil pessoas a marcarem presença este domingo no Parque da Bela Vista para assistirem aos concertos de HMB, Jason Derulo, Anitta e Post Malone no Palco Mundo. 

"Chegaram as roupas!", começou por dizer Anitta aos jornalistas na conferência de imprensa que antecedeu o concerto no palco principal da Cidade do Rock. Isto porque os figurinos da artista e dos bailarinos tinham estado perdidos pela Air France e Anitta precisou de "armar barraco" para conseguir que os mesmos chegassem a tempo do espetáculo. 

E chegaram. À hora marcada, a brasileira entrava no Palco Mundo sentada numa mota e dava início ao concerto que muitos esperavam para ver. Circular no recinto, perto da hora do espetáculo, tornou-se uma prova de obstáculos com tanta gente que por ali andava (e dançava um pouco por todo o lado), mas poucos foram os que desistiram.  

Assim que soaram os primeiros acordes de "Onda Diferente", o público mostrou que estava ali para a festa e a cantora não desiludiu, no que a esse quesito diz respeito. Entre danças sensuais, a coreografia da música "Envolver", as mudanças de roupa, a família em palco (namorado incluído), o espetáculo teve de tudo para manter a multidão animada.

No entanto, o concerto ficou marcado por um momento que envolve a cantora e uma bandeira espanhola. Quando cantava o medley "Some que ele vem atrás/Loka/Romance com safadeza", a cantora desceu até ao fosso que divide os dois lados do público, correu até ao fundo para estar mais perto dos fãs e quando regressava ao palco alguém estendeu uma bandeira de Espanha, que Anitta agarrou e exibiu no palco.

Se no parque da Bela Vista ninguém assobiou o rápido gesto, nas redes sociais a bandeira rapidamente se tornou tema. Houve quem chamasse a cantora de "ignorante", quem a aconselhasse a estudar e quem dissesse mesmo que "não ter noção das cores da bandeira portuguesa é muito mau para a cantora". A bandeira acabaria por voltar para a plateia pouco depois de ser exibida no palco e o espetáculo seguiu, em várias línguas, como era expectável que acontecesse, dado o repertório da artista.

Perante a polémica, Anitta usou o Instagram para pedi desculpa pelo lapso, dizendo que "não é doida", mas que "não tinha a bandeira de Portugal" no espetáculo.

"Gente eu sei que a bandeira que eu peguei é da Espanha, eu só queria mostrar um amor para a Espanha. Eu não sou doida de achar que aquela era a bandeira de Portugal. Eu não tinha a bandeira de Portugal", afirmou a cantora nas stories do Instagram, acrescentando que desconhecia que existia uma "treta" entre os dois países e que ama os fãs dos dois países.

Prova disso é que nas redes sociais e durante o concerto, a cantora não se cansou de professar o seu amor a Portugal (para onde viajou com toda a família) e aos fãs portugueses, confessando-se emocionada por voltar a pisar o palco onde já tinha atuado em 2018. 

"Eu sonhei muito com esse dia. Eu sonhei muito em estar de volta. Eu estou muito emocionada. Eu nunca vou esquecer este dia. Estou amando muito", atirou a meio do concerto, antes da primeira troca de figurinos e da entrada em palco da família e do namorado, o produtor Murda Beatz.

O espetáculo - que foi feito com os cenários do Coachella deste ano - foi esticado em 15 minutos e teve ainda direito a uma terceira parte. No final, o público ainda pediu "mais uma", mas depois do "Show das Poderosas", Anitta saiu de cena e deu lugar a Post Malone.

Para Inês, Rita, Adriana, Filipa e Patrícia, o espetáculo da artista brasileira não foi o que as fez comprar bilhete - "foi o conjunto dos artistas" -, mas foi o concerto que mais as satisfez.

"Foi fenomenal. Anitta é Anitta. Foi espetacular, fenomenal mesmo. Jason Derulo foi muito bom, mas Anitta é Anitta", afirma o grupo de amigas.

"One man show"

Anitta animou as hostes e Post Malone não desapontou quem quis continuar a festa. O rapper surgiu em palco sozinho, com um look completamente escuro (camisola da saga "O Senhor dos Anéis" incluído) de cigarro e copo na mão, e mesmo que não tivesse trazido fogo de artifício, fumos e fogo no palco, não teria desiludido.

Mostrando que é um verdadeiro "one man show", Austin Richard Post apresentou-se por várias vezes e afirmou que estava muito agradecido por estar de volta a Portugal. 

"Muitíssimo obrigado, senhoras e senhores. Estou muito feliz por estar aqui", afirmou Post Malone por diversas vezes ao longo do concerto.

Mostrando-se muito comunicativo com o público e tentando até alguns passos de dança mais sensuais ("Perdoem-me, mas ainda tenho os quilos a mais da pandemia", desculpou-se), o rapper não se intimidou pelas 80 mil pessoas que se espalhavam na frente de palco e apresentou um alinhamento de apenas uma hora (o concerto deveria ter durado uma hora e meia) que arrancou com potência máxima com "Wow" e "Better Now".

E se houve músicas que só os verdadeiros fãs sabiam na ponta da língua, houve outras que acabariam por transformar o recinto do Parque da Bela Vista novamente numa discoteca ao ar livre, ou não fossem elas bem conhecidas do público, como é o caso de "Candy Paint" e "Rockstar".

Antes de cada música, o artista fez questão de explicar o que cada uma significava, como foi o caso da "I like You", que escreveu para uma namorada de quem gostou mesmo muito, e de "Circles", que retrata "uma altura da vida em que estava preso a uma relação".

O concerto terminou com "Congratulations" (e o cantor a correr por entre o público) depois de Post Malone ter arriscado a tocar guitarra, num momento acústico, para apresentar as músicas "Go Flex" e "Stay". O público aplaudiu e acabou por incentivar o músico a destruir o instrumento, o que acabaria por vir a acontecer.

"Estou surpreendido com a qualidade dos cantores que vimos hoje. O primeiro espetáculo (HMB) foi muito bom, o segundo (Jason Derulo) foi sensacional, Anitta foi sem palavras e o Post Malone, caramba, foi muito bom", afirmou Roberto Rui, que veio pela sétima vez ao Rock in Rio e que, em 2018, ficou preso no slide do festival vestido de Batman.

Um espetáculo de música e dança ao sol

Se Post Malone foi rei e senhor da noite, a Jason Derulo coube a tarefa de animar o fim de tarde. Tarefa essa facilitada pela equipa de bailarinos que acompanha o cantor vindo da Florida e as coreografias ensaiadas ao pormenor.

Fenómeno no tik tok e com vários êxitos nas plataformas de streaming (e não só), Jason Derulo entregou tudo desde o início do concerto para uma plateia que o esperava debaixo de sol. O espetáculo arrancou com "Watcha Say" com o cantor ainda recolhido dentro de palco, antes de se assomar ao pontão para gáudio dos fãs.

Num concerto em crescendo, os momentos altos aconteceram quando as músicas mais conhecidas do público soaram - como foi o caso de "Take you dancing", "Savage Love", "In my head" e "Talk Dirty" -, mas também quando o cantor estreou a música "Slidin'" ao vivo. 

"Ponham os telemóveis no ar, se queremos ficar virais é agora!", pedia o speaker do concerto. E os fãs assim fizeram: de telemóvel em punho, acompanharam o artista, mostrando já saber de cor a música lançada em maio deste ano.

Uma hora depois do concerto, um Jason Derulo já sem casaco, nem camisa, nem camisola de alças, abandonou o palco, garantido ao público português que foi um "prazer" estar no festival, para dar lugar a Post Malone.

Arranque em português com HMB

O último dia no Palco Mundo arrancou com os portugueses HMB a quem coube a árdua tarefa de começar a animar o público que chegou cedo para ver os espetáculos e desfrutar da Cidade do Rock que enchia a cada minuto que passava.

Héber Marques e companhia subiram a palco às 17:00 e ao longo de uma hora apresentaram músicas como "O amor é assim", "Peito", "Naptel Xulima" e "Não me leves a mal", num concerto em tom morno e que ficou pautado pelas conversas que decorriam entre os grupos recém-chegados ao recinto.

A banda ainda conseguiu puxar pelos festivaleiros com as coreografias de a "Cdqp" ("Culpa de quem pariu") e de "Naptel Xulima", mas foi a balada "Peito" que colocou o parque da Bela Vista a cantar a plenos pulmões.

Em entrevista à CNN Portugal depois do concerto, a banda mostrou-se satisfeita com a estreia no palco principal do festival e com a resposta do público.

"Foi incrível do primeiro ao último momento, o público esteve connosco. E não há melhor sensação. Já estivemos no Brasil, já tínhamos estado no outro palco aqui, portanto, é casa para nós e é um orgulho para nós podermos fazer parte de um festival que apoia a nossa música e a música portuguesa", afirmaram.

O Rock in Rio Lisboa tem regresso marcado para 2024 depois deste ano ter recebido, ao longo de quatro dias, cerca de 287 mil pessoas: 74 mil no primeiro sábado, 63 mil no primeiro domingo, 70 mil este sábado e 80 mil este domingo, o único dia com lotação esgotada.

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