Quando começa um incêndio, cada segundo conta – e para os bombeiros, entrar num edifício em chamas pode significar enfrentar calor intenso, fumo e o desconhecido.
Mas um grupo de estudantes universitários e recém-formados no Texas está a desenvolver um robô que um dia poderá ajudar os bombeiros a ver o perigo antes mesmo de cruzarem a soleira.
O FireBot está a ser construído pela Paradigm Robotics, uma startup em fase inicial fundada por Siddhart Thakur, formado em engenharia pela Universidade do Texas. O objetivo é ir onde os bombeiros não podem ir — ao centro do incêndio — e enviar informações vitais.
Uma ideia criada por estudantes que nasceu de uma tragédia
“A história do FireBot começou há quase 13 anos”, diz Thakur à CNN, “quando, infelizmente, um grande incêndio num prédio matou cinco bombeiros em Houston, Texas. Como conhecia dois dos bombeiros, fiquei motivado e inspirado a começar a trabalhar e a construir robôs para ajudar a proteger os bombeiros que têm de entrar em prédios em chamas”.
Com apenas 10 anos, começou a construir os projetos. Aos 13, já estava a testar protótipos improvisados construídos a partir de uma churrasqueira de quintal. Hoje, o FireBot é um robô de 136 kg e 1,20 m de comprimento, construído em aço inoxidável, tungsténio e titânio — e projetado para resistir a temperaturas extremas, produtos químicos corrosivos e até mesmo ao colapso de telhados.
“Construímos robôs terrestres não tripulados incrivelmente resistentes — projetados para entrar em ambientes perigosos, obter consciência situacional e manter os socorristas fora de perigo”, explica Thakur.
A versão mais recente, FireBot v4, pode suportar temperaturas de até 650°C por 15 minutos. Está equipado com câmaras térmicas e visuais e sensores de gás. Controlado remotamente através de um dispositivo portátil, o robô pode transmitir vídeo ao vivo e leituras de calor a partir de dentro de uma estrutura em chamas.
Outros desenvolveram robôs para auxiliar os bombeiros, incluindo o Thermite RS3, fabricado pela Howe & Howe Technologies, sediada no Maine, e o Colossus, fabricado pela empresa francesa Shark Robotics, que foi utilizado durante o incêndio de 2019 na catedral de Notre Dame, em Paris. Mas o FireBot é muito menor e mais leve do que esses dispositivos, projetado para recolher informações, em vez de apagar chamas.
Aprendendo na linha da frente
Para refinar o design, os jovens inventores trabalharam em estreita colaboração com corporações de bombeiros, incluindo a Austin e Round Rock, no Texas.
“Quando o vimos pela primeira vez, pensámos: o robô vai deixar-nos sem trabalho?”, diz Shane Glaiser, chefe da Corporação de Bombeiros de Round Rock. “Mas esta é uma ferramenta para oferecer assistência. Não está lá para nos deixar sem emprego.”
Glaiser acredita que o FireBot pode ser especialmente valioso em situações que envolvem materiais perigosos: “Se chegarmos a um incidente com materiais perigosos e não soubermos exatamente qual o produto químico libertado ou onde está a fuga, leva tempo para montar uma equipa para entrar. Este robô pode ser rapidamente implantado para entrar no local. E pode fornecer dados em tempo real para os socorristas que estão do lado de fora.”
Experiência cruza-se com inovação
O ex-chefe dos bombeiros de Austin, Richard L. Davis, ajudou a liderar um dos primeiros programas de robótica da corporação de bombeiros do país e agora é consultor da Paradigm Robotics. Davis tem aconselhado a equipa sobre como o seu dispositivo pode encaixar-se em operações do mundo real.
“A melhor característica que vejo no FireBot é a sua capacidade de resistir ao fogo”, sublinha. “O FireBot pode resistir a até cerca de 648 graus Celsius. Pode imaginar o equipamento de proteção dos bombeiros — só é eficaz entre 90 e 150 graus. Portanto, ter a capacidade de entrar e obter qualquer tipo de informação necessária é benéfico.”
O especialista adianta que as capacidades de reconhecimento do robô podem dar “as informações necessárias para mitigar a situação e, como resultado final, isso salva vidas”.
Engenharia para a próxima geração
Thakur e o seu cofundador Krishnan Ram veem o seu trabalho como parte de uma missão mais ampla, de tornar a robótica mais acessível para os socorristas. “Todos aqui têm um apego a essa missão de ajudar os bombeiros”, diz Ram. “É muito porreiro tentar construir algo que lhes traga valor acrescentado.”
O FireBot continua em desenvolvimento e ainda está a ser testado em colaboração com corporações de bombeiros de todos os Estados Unidos. Mas os seus criadores esperam que, um dia, todos os carros de bombeiros possam transportar um robô capaz de entrar em ação em situações de perigo quando os humanos não podem.
“O nosso sonho”, partilha Thakur, “é dar a todos os bombeiros acesso a um destes robôs para que possam estar ainda mais seguros no seu trabalho.”