Ex-deputado brasileiro e aliado de Bolsonaro entrega-se às autoridades depois de atirar granadas e disparar contra agentes da Polícia Federal

24 out, 09:19
Roberto Jefferson rendeu-se às autoridades depois de ter sido detido na sua casa, em Levy Gasparian (AP Photo)

Bolsonaro comentou a detenção de Roberto Jefferson, desta vez num vídeo onde classifica como "bandido" qualquer indivíduo que dispare contra polícias. Mas as redes sociais lembram a proximidade entre os dois

Um ex-deputado brasileiro entregou-se às autoridades depois de ter atirado granadas e disparado contra agentes da Polícia Federal que apareceram em sua casa, em Levy Gasparian, um condado do Rio de Janeiro, com uma ordem de detenção do Supremo Tribunal Federal.

Trata-se de Roberto Jefferson, um aliado de Bolsonaro, que já estava em prisão domiciliária por ter insultado a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Carmen Lúcia, criticando o facto de aquele tribunal ter concedido três direitos de resposta ao candidato às presidenciais Lula da Silva.

Nos últimos dias, Roberto Jefferson utilizou o Twitter da filha, Cristiane Brasil, para criticar Carmen Lúcia e, de acordo com o jornal Folha de São Paulo, o juiz Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal, ordenou no domingo a sua detenção, alegando violação das condições que lhe foram impostas para a prisão domiciliária, nomeadamente não dar entrevistas, não receber visitas e não utilizar redes sociais para comunicar com o exterior.

Roberto Jefferson resistiu à detenção, atirando granadas e disparando vários tiros com uma espingarda. Os dois agentes tiveram de ser transferidos para o hospital local com ferimentos provocados por estilhaços e, entretanto, já tiveram alta. Mais tarde, o ex-deputado brasileiro acabou por se entregar às autoridades.

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, reagiu à detenção de Jefferson através da rede social Twitter, onde começou por dizer que "repudia as falas do Sr. Roberto Jefferson contra a Ministra Carmen Lúcia e sua ação armada contra agentes da PF [Polícia Federal], bem como a existência de inquéritos sem nenhum respaldo na Constituição e sem a atuação do MP [Ministério Público".

Mais tarde, Bolsonaro comentou a detenção de Roberto Jefferson, desta vez num vídeo onde classifica como "bandido" qualquer indivíduo que dispare contra polícias. Bolsonaro termina a declaração a manifestar a sua "solidariedade aos polícias feridos no episódio".

O presidente brasileiro, que está na corrida para o segundo mandato no Palácio do Planalto, está a tentar assim desvincular-se do seu aliado, tendo afirmado mesmo que nem sequer tem uma foto com ele. Depois destas declarações, começaram a surgir várias imagens nas redes sociais que mostram os dois juntos, como esta, de 2020:

Roberto Jefferson e Jair Bolsonaro, em 2020 (D.R.)

 

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