Presidente do Parlamento Europeu disse que é missão daquela instituição “lutar pelas mulheres em qualquer parte”
A presidente do Parlamento Europeu alertou para o sofrimento silencioso de muitas mulheres e raparigas vítimas de violência, insistindo que é preciso fazer mais para se continuar a “quebrar o silêncio”.
“Esta semana, o Parlamento [Europeu] brilha com cor laranja, uma luz por cada mulher e rapariga que sofreu, a promessa a cada uma dessas mulheres e raparigas que merecem segurança, dignidade e uma vida livre do medo”, disse Roberta Metsola, durante o plenário em Estrasburgo, em França.
Por ocasião do Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, a presidente do Parlamento Europeu disse que é missão daquela instituição “lutar pelas mulheres em qualquer parte”.
“É um momento para agir e para honrar todas as mulheres e raparigas perderam a vida, as que sobreviveram e todas as que continuam a sofrer, muitas vezes em silêncio”.
Roberta Metsola disse estar orgulhosa do trabalho que o Parlamento Europeu desenvolveu no sentido de criminalizar a maioria dos crimes de género, “tanto ‘online’ como ‘offline’”.
“Agora têm de ser implementadas [estas alterações legislativas], e juntos precisamos de ir ainda mais longe”, completou, fazendo um apelo para que os 27 Estados-membros da União Europeia incorporem nas legislações nacionais o que os eurodeputados aprovaram.
Roberta Metsola recordou mulheres como Gisèle Pelicot, que lutou contra os agressores sexuais, incluindo o ex-marido, em França, e Ana Bella, vítima de violência sexual em Espanha que criou uma organização para proteger vítimas destes crimes.
A presidente do Parlamento Europeu também recordou vítimas de feminicídios, nomeadamente Giulia Cecchettin, de 22 anos que foi morta pelo ex-namorado Filippo Turetta, em 2023, ou Paulina Dembska, com 29 anos e que foi morta por um homem em janeiro de 2022.
Roberta Metsola disse que é necessário fazer mais para fazer valer o esforço das vítimas que “se ergueram e quebraram o silêncio”.
“Precisamos de fazê-lo por todas as mulheres”, finalizou.
A legislação aprovada pelo Parlamento Europeu e que tem de ser inscrita pelos parlamentos e governos de cada Estado-membro nas leis nacionais criminaliza todos os tipos de violência sexual identificados online, como a divulgação de imagens e vídeos íntimos sem consentimento, a perseguição através das redes sociais.
Nos últimos meses foram descobertos vários grupos nas redes sociais Facebook e Telegram com milhares de utilizadores homens que partilhavam com outros homens imagens e vídeos das namoradas, mulheres, filhas, outras familiares e até desconhecidas, sem consentimento das vítimas.
De acordo com dados de 2023 do Gabinete de Estatística da União Europeia (Eurostat), quatro mulheres em cada milhão são vítimas de homicídios intencionais por familiares ou parceiros na União Europeia, o dobro do número de homens.
Entre 2015 e 2023, os homicídios intencionais contra mulheres perpetrados por parceiros flutuou, mas 2022 foi o ano com o número mais elevado (pelo menos quatro mulheres por milhão de habitantes).