Antigo militar está a caminho de um hospital no Texas, onde será reavaliado e tratadao
O norte-americano Robert Gilman foi libertado da custódia russa esta terça-feira, segundo duas autoridades norte-americanas e uma organização que defende a sua família.
A sua libertação ocorreu numa altura em que existem sérias preocupações com a sua saúde. Gilman, um ex-fuzileiro, estava detido desde 2022.
Um porta-voz do Departamento de Estado norte-americano afirmou que Gilman foi libertado por razões humanitárias, referindo que a sua libertação “não fez parte de uma troca e não foi feita qualquer outra concessão”.
Kirill Dmitriev, enviado especial do Kremlin e chefe do fundo soberano russo, afirmou ainda que Gilman foi libertado da detenção “por razões humanitárias”.
Um funcionário norte-americano disse à CNN que Gilman está a receber cuidados médicos e está a ser transportado de volta para os Estados Unidos num avião médico especializado. A mãe, que viajou para a Rússia para tentar ver o filho, está com ele, segundo o responsável e a Global Reach, organização que defende a família.
Eric Lebson, diretor de estratégia da Global Reach, disse à CNN, na semana passada, que Gilman tinha entrado num “declínio dissociativo” há mais de seis semanas. Gilman foi sujeito a tortura física e psicológica, disse Lebson, e havia a preocupação de que pudesse morrer sob custódia russa. Um porta-voz do Departamento de Estado reiterou na semana passada que estavam “profundamente preocupados” com a “saúde e a contínua detenção de Robert na Rússia”.
Lebson afirmou esta terça-feira que “é muito cedo para saber o prognóstico médico a longo prazo de Robert”.
De acordo com Dmitriev, Gilman está a caminho da Rússia para a região de Washington, D.C. Seguirá depois para um hospital militar norte-americano no Texas, informou a Global Reach, “onde será avaliado e tratado médica e psicologicamente”. Muitos americanos que foram considerados “detidos injustamente” receberam tratamento em instalações militares após a libertação. Um porta-voz do Departamento de Estado afirmou também esta terça-feira que Gilman tinha sido considerado detido injustamente.
A irmã de Gilman, Lexie Hudson, agradeceu ao presidente norte-americano, Donald Trump, por “salvar a vida do meu irmão”.
“Não há outra razão para Robert estar vivo hoje a não ser o facto de o presidente Trump ter tomado conhecimento do caso e ter agido”, disse a mulher num comunicado em que agradeceu também ao senador democrata Ed Markey.
“Estou ansioso por ver o Robert. Não consegui falar com ele nenhuma vez desde que tudo isto começou”, disse Hudson. “Vamos garantir que ele recebe o tratamento e o apoio de que necessita”.
Gilman foi detido em janeiro de 2022. As autoridades russas alegaram que estava embriagado e envolveu-se numa altercação com um polícia. Lebson negou esta versão, dizendo que Gilman foi agredido pela polícia, sentiu-se mal e pontapeou acidentalmente o agente.
Gilman foi condenado a quatro anos e meio de prisão. É um dos vários ex-fuzileiros navais americanos que foram presos na Rússia, incluindo Trevor Reed e Paul Whelan.
Vários norte-americanos continuam detidos na Rússia, entre os quais Andre Khachatoorian, Olga Jezler, Chuck Zimmerman, David Barnes, Aleksander Antonov e Stephen Hubbard.
O porta-voz do Departamento de Estado disse na terça-feira que espera que a libertação de Gilman “leve à libertação de americanos injustamente detidos na Rússia, como o detento injusto Stephen Hubbard”.
Frederik Pleitgen, da CNN, contribuiu para esta reportagem
