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Quase três mil pessoas pedem recondução de Rita Rato no Museu do Aljube

Agência Lusa , WL
17 mar, 12:58
Museu.do.aljube.dreamstime

Consideram que o afastamento é “um ato político agressivo”

Quase três mil pessoas assinaram uma petição que pede a recondução de Rita Rato no Museu do Aljube, considerando o seu afastamento “um ato político agressivo”, e, a requerimento do PCP, haverá um debate de urgência na próxima semana.

A empresa municipal EGEAC-Lisboa Cultura, responsável pela gestão cultural em Lisboa, comunicou na sexta-feira que a ex-deputada à Assembleia da República não seria reconduzida no cargo de diretora do Museu do Aljube–Resistência e Liberdade, terminando o seu mandato a 31 de março.

A própria Rita Rato já tinha comunicado isso mesmo à Lusa um dia antes, juntando um balanço dos seus mandatos.

Os signatários da petição pública que pede a recondução de Rita Rato (2.824 às 12:25) dirigem-se ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, e ao presidente do Conselho de Administração da EGEAC, Pedro Moreira, para os acusar de “limpeza ideológica”, exigindo explicações públicas sobre as razões para o “afastamento infundado”.

Isto porque consideram que Rita Rato fez um “trabalho exemplar” no Museu do Aljube, edifício que foi prisão política durante 37 anos. A atual direção “imprimiu grande dinamismo à frente do museu”, destacam.

“Durante os últimos cinco anos, as atividades do Museu do Aljube envolveram uma média de 45 mil visitantes por ano, totalizando um número superior a 270 mil visitantes”, contabilizou Rita Rato, na declaração enviada à Lusa por correio eletrónico no dia 12.

Simultaneamente, recebeu 940 escolas e mais de 45 mil estudantes e realizou ações de formação para mais de 2.500 educadores.

Foi durante os mandatos de Rita Rato que foram lançadas as exposições itinerantes, que circularam por mais de 170 espaços culturais e educativos no país e no estrangeiro, foi criado o arquivo digital, com mais de 14 mil documentos e 45 testemunhos de resistentes antifascistas, e se realizaram pela primeira vez visitas com intérprete de língua gestual e audiodescrição.

Na petição, os signatários exigem que Rita Rato possa continuar o “extraordinário trabalho que tem feito na divulgação da memória, respeitando a igualdade de direitos de todas as classes sociais no usufruto da história e da cultura”.

O Museu do Aljube – onde estiveram detidos, entre milhares de outros resistentes antifascistas, Álvaro Cunhal, Miguel Torga, Manoel de Oliveira, Agostinho Neto e Mário Soares – foi instalado em 2015 para promover a memória do combate à ditadura.

Rita Rato foi nomeada em julho de 2020 pelo executivo de Fernando Medina na Câmara Municipal de Lisboa, decisão que gerou alguma polémica na altura. Foi reconduzida para novo mandato em 2023, já com Carlos Moedas eleito.

No dia em que Rita Rato comunicou o seu afastamento, a EGEAC fez saber que estava “a desenvolver um processo de avaliação conjunta” dos 25 espaços culturais, entre museus, galerias, cinemas e monumentos, que tutela em Lisboa.

No comunicado que viria a emitir um dia depois, oficializou mudanças apenas no Museu do Aljube – onde Rita Rato será substituída por Anabela Valente, destacada na EGEAC e atual líder da principal organização maçónica feminina em Portugal – e no Teatro do Bairro Alto (onde Francisco Frazão será substituído por Miguel Loureiro, atual diretor artístico do Teatro São Luiz).

“Os restantes dirigentes dos equipamentos culturais serão reconduzidos nos respetivos nos cargos”, informou.

O afastamento de Rato e Frazão já motivou uma carta aberta, divulgada nesta segunda-feira, que junta quatro centenas de pessoas, sobretudo personalidades da área da cultura.

Entretanto, o grupo municipal do PCP em Lisboa requereu um debate de urgência sobre a EGEAC e a política cultural para Lisboa, que foi agendado para o dia 24, às 15:00, no Fórum Lisboa.

A iniciativa surge após a não recondução de alguns diretores culturais, que suscitou “questões quanto aos critérios”, justifica o partido, considerando que a gestão dos equipamentos municipais deve “assentar em princípios de transparência, estabilidade, valorização do trabalho desenvolvido e respeito pela autonomia artística e programática”.

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