"É o maior privilégio da minha vida." Rishi Sunak, o primeiro-ministro que se segue no Reino Unido, falou ao país

24 out, 16:54

Num breve discurso na sede do Partido Conservador, o recém nomeado primeiro-ministro do Reino Unido admitiu "desafios económicos" e prometeu "unir o partido e o país"

O futuro primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, subiu esta segunda-feira ao púlpito para o seu primeiro discurso público - não a partir de Downing Street, como habitual, mas na sede do partido conservador em Londres. 

Numa breve comunicação ao país, Sunak, que assumirá o cargo deixado por Liz Truss na terça-feira de manhã, começou por prestar homenagem à antecessora e agradecer-lhe pela sua liderança "digna", "sob circunstâncias difíceis no estrangeiro em casa".

Liz Truss esteve no posto apenas seis semanas e ficará na história como tendo cumprido o mandato mais curto como chefe de Governo.

Considerando-se "honrado" por ter o apoio do Partido Conservador, Rishi Synak afirmou que ser primeiro-ministro do Reino Unido "é o maior privilégio" da sua vida.

"É o maior privilégio da minha vida poder servir o partido que amo e retribuir ao país ao qual tanto devo”, afirmou, advertindo: "Mas não há dúvida de que enfrentamos um profundo desafio económico. Precisamos agora de estabilidade e unidade. E farei a minha maior prioridade unir o nosso partido e o nosso país. Porque só assim venceremos os desafios que enfrentamos e construiremos um futuro melhor e mais próspero para nossos filhos e netos".

Prometendo trabalhar "com integridade e humildade", Sunak disse ser necessária unidade para "superar os desafios" enfrentados e "construir um futuro melhor e mais próspero”.

O antigo ministro das Finanças foi o único candidato à liderança do Partido Conservador a receber o apoio exigido de pelo menos 100 dos 357 deputados Conservadores.

Enquanto líder do partido com maioria parlamentar, Sunak será posteriormente indigitado como primeiro-ministro do Reino Unido pelo Rei Carlos III, após Liz Truss se encontrar com o monarca para o informar e formalizar a demissão. Segundo o gabinete de Truss, esta ainda vai presidir a uma reunião do Conselho de Ministros pelas 09:00. 

No final, fará uma declaração à porta da residência oficial, em Downing Street, antes de se deslocar para o Palácio de Buckingham, onde vai formalizar a demissão de primeira-ministra. 

O novo primeiro-ministro viajará então para Downing Street, fará uma declaração no exterior pelas 11:35, antes de entrar para começar a trabalhar e nomear alguns dos ministros.
 

UE felicita Sunak e espera “trabalho em conjunto”

O presidente do Conselho Europeu saudou Rishi Sunak por ter sido apontado como o novo primeiro-ministro do Reino Unido, esperando um “trabalho em conjunto”, enquanto a presidente do Parlamento Europeu disse esperar uma “relação forte e construtiva”.

“Parabéns Rishi Sunak por se tornar primeiro-ministro do Reino Unido. Trabalhar em conjunto é a única forma de enfrentar desafios comuns e a estabilidade é a chave para os ultrapassar”, reagiu o presidente do presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, numa publicação na rede social Twitter.

Também reagindo naquela rede social, a presidente do Parlamento Europeu congratulou Rishi Sunak e lembrou que, “numa época de enormes desafios, a Europa precisa de estabilidade política e económica”.

“Os nossos interesses fundamentais continuam a ser os mesmos [pelo que] o Parlamento Europeu está empenhado numa relação forte e construtiva com o Reino Unido”, adiantou Roberta Metsola.

Sunak, de 42 anos e descendente de imigrantes indianos, será o terceiro primeiro-ministro do Reino Unido em sete semanas, depois de Boris Johnson e Liz Truss, o mais novo desde 1783 e o primeiro britânico não-branco a ocupar o cargo.

 Descendente de indianos e nascido em Southampton, no sul do país, foi ministro das Finanças de Boris Johnson, tendo a sua demissão precipitado a queda do governo do antigo presidente da câmara de Londres. Depois, foi a vez de Sunak concorrer à liderança dos Tories contra Liz Truss. Durante a campanha, alertou para as potenciais consequências do choque fiscal que a primeira-ministra demissionária prometeu e acabou por implementar, o que levou à desvalorização da libra e obrigou o Banco de Inglaterra a injetar 60 mil milhões de libras para manter a economia britânica estável. Truss acabou por apresentar a demissão após apenas 45 dias no poder, o mandato mais curto da história do país, precisamente devido às consequências daquilo que definiu como "mini-orçamento".

Com formação académica feita em Oxford e na Universidade de Stanford, Sunak trabalhou no banco Goldman Sachs antes de enveredar pela vida política. Chegou à Câmara dos Comuns pela primeira vez em 2015, e foi também um forte apoiante do Brexit durante a campanha para o referendo de 2016.

Como número dois do executivo britânico, Sunak foi o principal responsável por orientar a resposta económica à pandemia de covid-19, período também marcado pelas inúmeras violações das normas anticovid por parte de membros do governo. Sunak não escapou à tendência e, em abril deste ano, foi multado por participar numa festa de aniversário ilegal à luz das normas que o executivo de que fazia parte definiu.

Sunak é também um multimilionário, casado com a filha do fundador da multinacional de tecnologias de informação Infosys, Akshata Murty. A fortuna do casal situa-se nos 730 milhões de libras, colocando-os, de acordo com o Times, no 222.º lugar na lista dos mais ricos do Reino Unido.

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