Os cinco principais desafios que Rishi Sunak vai enfrentar enquanto primeiro-ministro do Reino Unido

Agência Lusa , CE
24 out, 19:18

No primeiro discurso, esta segunda-feira, Sunak disse que a maior prioridade é "unir o partido e o país"

Inflação recorde, greves e um sistema de saúde em declínio são alguns dos desafios que o próximo primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, tem pela frente, incluindo a missão urgente de unir o Partido Conservador.

Estes são algumas das adversidades que esperam o ex-ministro das Finanças britânico sucessor de Liz Truss:

Crise económica e social

A crise económica é a prioridade principal de Rishi Sunak. A inflação subiu para 10,1%, a mais alta no G7, devido ao aumento dos preços da energia e dos produtos alimentares. O Banco de Inglaterra antecipa uma recessão e espera-se que volte a aumentar as taxas de juro na próxima semana.  

Em protesto contra o aumento generalizado de preços, sindicatos de setores chave, como o dos transportes, têm vindo nos últimos meses a realizar greves com frequência, causando perturbações ao funcionamento da economia.

Sunak terá também de acalmar os mercados financeiros, que foram abalados pelos anúncios de cortes fiscais pelo governo de Liz Truss no final de Setembro.

Unir o Partido Conservador

Após 12 anos no poder, o Partido Conservador está mais dividido do que nunca. Boris Johnson caiu em julho, depois de perder a confiança de 60 membros do Governo. Liz Truss permaneceu no cargo apenas durante seis semanas. Desde 2016, o Reino Unido teve cinco primeiros-ministros conservadores. 

A maioria dos deputados conservadores apoiou a candidatura de Rishi Sunak, o que lhe dá uma forte legitimidade. A oposição britânica exige eleições legislativas, mas Sunak deverá resistir porque as sondagens apontam para uma derrota contundente dos ’tories'.  

Irlanda do Norte

Rishi Sunak é um eurocético que herda o problema do estatuto pós-Brexit da Irlanda do Norte, a província britânica que faz fronteira com a República da Irlanda, país membro da União Europeia.

O próximo primeiro-ministro apoiou a proposta de lei para anular unilateralmente algumas das provisões do acordo, mas Bruxelas poderá responder com sanções comerciais.

Sem a alteração do Protocolo, o Partido Democrata Unionista vai continuar a bloquear a formação de parlamento e governos regionais, pelo que o Governo terá de convocar novas eleições na Irlanda do Norte.

Imigração

Desde o ‘Brexit', os governos Conservadores têm prometido reduzir drasticamente o número de migrantes, mas sem sucesso. Este ano, um número recorde de 37.570 pessoas atravessaram ilegalmente o Canal da Mancha.

Rishi Sunak apoiou o plano de Boris Johnson de enviar para o Ruanda os candidatos a asilo, mas o plano está suspenso devido a ações judiciais.

A escassez de mão de obra representa outro dilema para o próximo primeiro-ministro, com muitas empresas a quererem recrutar trabalhadores estrangeiros para ajudar o crescimento económico.

Política externa

O Reino Unido prometeu 2.300 milhões de libras (2.620 milhões de euros) em ajuda militar à Ucrânia, mais do que qualquer outro país para além dos EUA, apoio que Sunak deverá manter.

Quanto à China, Rishi Sunak descreveu-a como "a maior ameaça à segurança e prosperidade no Reino Unido e no mundo”. Mas os esperados cortes na despesa pública poderão por em causa o aumento dos gastos em Defesa para 3% do Produto Interno Bruto (PIB). 

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