Tiroteio no Rio de Janeiro faz quatro mortos. Criminosos sequestram 14 autocarros para fazer barricadas

31 ago, 21:45
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A violência estará relacionada com uma disputa pelo controlo territorial entre grupos de milicianos e traficantes ligados ao Comando Vermelho

Quatro pessoas morreram e uma ficou ferida durante um intenso tiroteio registado na noite de sábado em Muzema, na zona sudoeste do Rio de Janeiro, Brasil. Entre as vítimas mortais está uma mulher, identificada como Josiane Dias de Assunção Maia. Os outros três mortos são homens que ainda não foram identificados. A Polícia Civil investiga as circunstâncias do confronto e procura identificar os responsáveis pelos disparos. 

O ferido é um morador da zona, atingido numa perna quando chegava a casa de mota. Segundo as informações divulgadas pelas autoridades, o homem não teria qualquer ligação aos confrontos. “Encontrei o meu marido sozinho, cheio de sangue. É muito revoltante”, referiu a companheira do homem ferido, em entrevista à Globo. A vítima foi transportada para o Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, e encontra-se estável.

A violência estará relacionada com uma disputa pelo controlo territorial entre grupos de milicianos e traficantes ligados ao Comando Vermelho. A facção tem tentado avançar sobre diferentes áreas da zona sudoeste do Rio de Janeiro, numa disputa que envolve comunidades de Jacarepaguá e do Itanhangá. Confrontos entre traficantes e milicianos na Muzema já tinham sido registados nos últimos dias. 

A escalada de violência teve também um forte impacto nos transportes. Segundo o Rio Ônibus, sindicato das empresas de autocarros do Rio de Janeiro, 14 veículos foram sequestrados e utilizados como barricadas para bloquear ruas entre Muzema, Curicica, Gardênia Azul e Taquara. O bloqueio afetou várias linhas que circulam pela região de Jacarepaguá. 

A Polícia Militar reforçou o patrulhamento nas zonas consideradas mais sensíveis e conseguiu restabelecer a circulação. Já a Delegacia de Homicídios da Capital está a realizar diligências para identificar os autores dos homicídios e esclarecer a dinâmica do confronto.

O uso de autocarros como barricadas tornou-se, entretanto, uma estratégia cada vez mais frequente dos grupos criminosos no Rio de Janeiro. Na semana passada, a 26 de agosto, 19 autocarros foram sequestrados e utilizados para bloquear ruas em Cascadura e Campinho, na zona norte da cidade, na sequência de uma operação policial. No dia seguinte, na Cidade de Deus, dois autocarros também foram usados para obstruir uma das principais vias da comunidade.

O fenómeno tem vindo a crescer: segundo um levantamento do Rio Ônibus, o número de ocorrências envolvendo autocarros usados como barricadas mais do que duplicou entre 2024 e 2025, num aumento de 113%. Em 2025, foram registados 99 sequestros de autocarros, de acordo com dados divulgados pelo sindicato.

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