Luís Freire: «Os jogadores tentaram e eu sei bem os homens que tenho»

David Marques , Estádio José Alvalade, Lisboa
14 ago, 00:31

A análise do treinador do Rio Ave à derrota por 3-0 com o Sporting

Luís Freire, treinador do Rio Ave, em declarações aos jornalistas após a derrota com o Sporting por 3-0 em Alvalade:

«É um jogo que sabíamos à partida que era complicado, contra uma equipa candidata ao título. O desafio lançado foi o de tentar condicionar ao máximo o jogo do Sporting, mas também tentarmos fazer o nosso jogo com bola.

Nos primeiros 20 minutos, o Sporting não se acercou com muito perigo da nossa baliza e não conseguiu entrar tantas vezes. Muitas vezes não conseguíamos sair com perigo, mas a intenção com bola era descobrir o Joca entrelinhas, porque por vezes tinha muito espaço e sabíamos que esse espaço podia aparecer. Tentámos, conseguimos por vezes, [mas] chegámos à baliza do Sporting poucas vezes para o que queríamos poucas vezes.

Quando o Sporting marca o 1-0 acaba por descontrair mais, aliviar uma possível impaciência que poderia surgir. Tentámos também reagir aos poucos, mas a partir daí o Sporting soltou-se mais e criou mais situações até ao intervalo.

Ao intervalo tentámos mostrar aos jogadores que o espaço estava lá. E estava! O Sporting estava a pressionar muito e tínhamos de baixar para conseguir ter bola. Entregávamos a construção aos três de trás, mas depois tínhamos de conseguir ligar mais à frente.

Quando o jogo ainda está em aberto e eu procuro mexer com jogadores que gostam de ter bola e de tentar assumir o jogo, que era o que eu estava a tentar pedir à equipa: tentar mais com bola, tentar mais ataques com mais frequência, mas o golo do Matheus de fora da área acaba por sentenciar o jogo.

Sabíamos que quanto mais o jogo fosse equilibrado para o fim, com 1-0, os espaços começariam a aumentar e a intranquilidade podia surgir depois de um jogo em que o Sporting esteve três vezes em vantagem e acabou por deixá-la fugir três vezes. E isso podia jogar.

Fomos à procura do que o jogo podia dar, mas o Sporting, fazendo o 2-0, a partir daí tudo se torna mais difícil. E acaba por ser um justo vencedor, na perspetiva em que ainda fez o 3-0 e criou oportunidades.

Da nossa parte, fica uma aprendizagem. Temos de querer jogar mais com bola e de ter mais coragem. Mas os jogadores tentaram e eu sei bem os homens que tenho ali dentro. Vai servir de aprendizagem. Tivemos dez campeões de II Liga em campo de início e dois jovens da formação do Rio Ave. É um Rio Ave que vai ter de fazer um caminho longo, de crescimento, e acredito que na segunda volta vamos dar muito mais luta ao Sporting.

Temos objetivos que no final da época são o de crescimento e o de chegar a um patamar bom na tabela, mas mais para a frente. Saímos agora da II Liga, temos um mercado que ainda vai durar e, como disse, tivemos dez campeões da II Liga de início.

É difícil ter estes jogos pela frente: é difícil para o Arouca, para o Marítimo, para nós… Acaba por ser um crescimento que temos de fazer. A diferença é grande, não vale a pena esconder, mas os meus jogadores têm qualidade para conseguirem dar mais. Acredito plenamente neles.

[Que diferenças encontrou entre este Sporting sem Paulinho e o que analisou com ele?]

«O Sporting tem muitas soluções. É candidato ao título, está cheio de soluções e não jogar o Paulinho e jogar o Edwards não é nenhuma dor de cabeça. Principalmente para jogar contra o Rio Ave ou outra equipa deste campeonato. Não há dúvidas de que há um campeonato para os quatro primeiros e outro para as outras equipas. Isso acontece em Portugal.

É difícil sempre contrariar. São mais as características dos jogadores. O Sporting manteve tudo o que estávamos à espera. (…) O Edwards dá mais mobilidade, tecnicamente é mais forte em espaços reduzidos e o Paulinho é mais de área. É mais a dinâmica individual que muda e não a coletiva.»

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