Penálti em cima do intervalo frustra «Lobos» e embala Rio Ave
Levará semanas até o Arouca digerir a derrota em Vila do Conde, a contar para a quarta jornada da Liga (1-0). Uma dividida entre o guardião Mantl e Clayton resultou no único golo da partida. Num encontro geralmente equilibrado, os comandados de Luís Freire inauguraram o marcador no melhor momento ofensivo.
Na tarde deste domingo, o timoneiro dos vilacondenses operou três alterações para retomar a via dos triunfos, após o desaire no Estádio do Dragão. Por isso, Freire apostou em Panzo, Richards e Olinho, em detrimento do suspenso Patrick William, além de João Tomé e Kiko Bondoso, relegados para o banco de suplentes.
Quanto ao Arouca, Gonzalo García repetiu o onze apresentado ante o Nacional, almejando o segundo triunfo na Liga, o primeiro longe da Serra da Freita. Importa realçar que o Arouca não vence em Vila do Conde desde setembro de 2014.
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Ao quarto minuto, Bruno Costa, o árbitro, aproveitou uma bola perdida pela linha lateral para interromper o jogo. Queixoso do pé, o juiz foi obrigado a deixar o relvado, rendido por Miguel Fonseca, de 28 anos, em estreia na Liga. O então quarto árbitro assumiu o apito, a partir do nono minuto.
Seguiram-se 17 minutos de desinspiração e monotonia. Nas bancadas, os adeptos da casa trocaram o ânimo pela frustração, como habitual, sem medo dos adjetivos. Até que, por fim, aos 35m, Tiago Morais deu um «safanão» no encontro. O remate à entrada da área foi o primeiro de vários avisos, inaugurando o melhor momento do Rio Ave.
De ensaio em ensaio, os vilacondenses aliaram a velocidade de Richards à tenacidade de Amine e de Clayton. Numa das várias investidas em profundidade, o ponta de lança brasileiro caiu após uma dividida com o guardião Mantl.
À vista desarmada e à distância, a intervenção do alemão parecia legal. Todavia, Miguel Fonseca assinalou falta, fora de área. E o burburinho nas bancadas intensificou-se quando Manuel Mota – no VAR – se dedicou à análise deste delicado lance. Assim, aos 42m, Miguel Fonseca apontou para a marca de grande penalidade.
Seguiu-se o principal momento de festa no Estádio dos Arcos na tarde deste domingo. Clayton assinou o segundo golo na Liga, frustrando o voo (quase) certeiro de Mantl.
Até à pausa, a equipa técnica dos «Lobos» travou-se de razões, ora com os árbitros, ora com os efusivos adeptos do Rio Ave. No relvado, Sylla continuava «curto» para repor a igualdade.
Desespero traiu forasteiros
O segundo tempo foi mais intenso, face à resposta dos visitantes e aos contra-ataques dos anfitriões. De parada e reposta, Henrique Araújo até empatou, aos 52m, mas em fora de jogo. A acumular créditos em novo empréstimo, o madeirense, de 22 anos, vinculado ao Benfica, foi titular pelo segundo jogo consecutivo. Todavia, nesta jornada, sem motivos para celebrar.
De olho, pelo menos, no empate, Gonzalo García deu ordens para os seus pupilos subirem linhas e insistirem na profundidade, pelo meio. Em simultâneo, o técnico uruguaio apostou em Ivo Rodrigues, Morozov e Trezza, em detrimento de Weverson, Jason e Henrique Araújo.
Em todo o caso, os «Lobos» acusaram o golo em cima do intervalo, pelo que raramente completaram o elo entre o meio-campo e o ataque. Na linha lateral, por várias ocasiões de mãos na cara, Gonzalo García foi o espelho de uma tarde errática na construção e no posicionamento.
Do outro lado, Luís Freire deu ordens para aguardar pelo erro dos adversários, convidando aos sprints de Clayton e potenciando o «perfume» de Tiago Morais.
Até final, o desespero dos «Lobos» esbarrou no muro verde e branco, com Panzo a embalar a festa dos milhares de vilacondenses. Nos derradeiros minutos, foi a vez de Luís Freire cerrar punhos e apontar à «onda» que o guarda.
O segundo triunfo caseiro – e no campeonato – permite ao Rio Ave escalar até ao nono lugar, com seis pontos. Tal como diante do Farense, a turma de Freire triunfou por 1-0, num arranque de época escasso em golos marcados (3). O regresso do campeonato será na Vila das Aves, na tarde de 14 de setembro (18h). São dois os pontos que separam Rio Ave e AVS (11.º).
Quanto ao Arouca, permanece junto da zona de despromoção, no 14.º lugar, com três pontos. O regresso a casa acontecerá ante o líder Sporting, na noite de 13 de setembro (20h15), uma sexta-feira.
Oportuno, Clayton brilha
O autor do único golo foi, naturalmente, decisivo. E, diga-se, um dos mais esclarecidos. Por isso, o golo pareceu tratar-se de uma questão de tempo. Ao cabo de quatro partidas leva dois golos e é a principal referência no ataque do Rio Ave. Veloz e imponente, combinou com Tiago Morais e Richards para ameaçar Mantl. Uma peça crucial no puzzle de Luís Freire.
Penálti capital e polémico
Levou os adeptos da casa à euforia e as hostes dos «Lobos» ao desespero. A partir do minuto 43, o encontro não mais foi igual. Positivo, somente, pela monotonia da primeira parte.
Como referido no arranque desta crónica, Gonzalo García e companhia não esquecerão este lance durante as próximas semanas.
Negativo: uma tarde tão bonita fora relvado
A festa em Vila do Conde começou cedo, à boleia de uma bancada lotada. O céu estava limpo e a temperatura amena, pelo que as condições pareciam ideias. Mas, até aos 35m, pouco ou nada aconteceu. Felizmente, Tiago Morais acordou o Rio Ave.
No segundo tempo, o nervosismo dominou as equipas, que acusaram a necessidade das próximas semanas para aprimorar dinâmicas. Exige-se outro «perfume». Os protagonistas poderão começar por olhar para a bancada, onde não falta vontade e audácia.