Salgado e Morais Pires também acusados por fraude milionária ao BES Angola

21 jul, 21:38
Ricardo Salgado contesta separação de processos e acusa juiz de irregularidade

Os arguidos foram hoje notificados da acusação

Ricardo Salgado e Amílcar Morais Pires, entre outros, também foram acusados pelo Ministério Público, sabe a TVI, do mesmo grupo da CNN Portugal, num despacho com mais de 800 páginas em que os procuradores do DCIAP apontam ao luso angolano Álvaro Sobrinho, que presidiu ao BES Angola, o desvio de centenas de milhões de euros do banco para contas por ele controladas, nomeadamente na Suíça. 

A TVI já tinha noticiado, na terça-feira, que Sobrinho estava acusado.

Quanto ao patrão do BES e a Morais Pires, braço direto de Salgado, são considerados co-autores por terem tido conhecimento da forma como Álvaro Sobrinho geria o BESA e por uma parte do desfalque superior a quatro mil milhões de euros do BES em Angola ter sido utilizado na compra de dívida das entidades não financeiras do GES - sobretudo a Espírito Santo Enterprise e a Rio Forte - que vieram a ser declaradas falidas em 2014.

A acusação versa sobre crimes como burla agravada, abuso de confiança ou branqueamento de capitais, num esquema com recurso a testas de ferro através da concessão irregular de empréstimos, entre 2009 e 2013, de um total de 6,8 mil milhões de dólares (cerca de 6 mil milhões de euros ao câmbio atual).

O luso angolano, recorde-se, está atualmente sujeito a uma caução de 6 milhões de euros, que pagou, e sem passaporte - só podendo circular no espaço Schengen. Foram estas as medidas impostas pelo juiz Carlos Alexandre quando Sobrinho for interrogado em março passado. 

Quanto à acusação, foi proferida no final da última semana, antes da entrada em férias judiciais, e os arguidos foram hoje notificados da mesma.

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