Ricardo Leão diz que as áreas metropolitanas acumulam "reservatórios de descontentamento onde começam, agora, a despontar sinais de revolta"
O presidente da Câmara de Loures reconhece ter tido um “momento menos feliz” quando disse que “é para despejar” quem tenha participado nos tumultos que ocorreram na Grande Lisboa, incluindo Loures, mas diz que “ser de esquerda não pode significar enfiar a cabeça na areia quando se trata de temas mais sensíveis de gerir”. E garante: “Nunca enfiei a cabeça na areia.”
Num artigo de opinião intitulado “Favorece o populismo quem, conscientemente, ignora o elefante na sala”, publicado esta quinta-feira no jornal Público, Ricardo Leão defende que não pode “aceitar ser condenado por uma frase menos feliz” e que “a inclusão” é um dos valores que preza, tal como a segurança, que diz ser o tal “elefante que temos na sala e que muitos, conscientemente, teimam em ignorar”.
“É essencial que a esquerda tenha a coragem de encarar este elefante, fazendo-o sem tabus ou preconceitos, com respostas e soluções. Continuar a ignorar é entregar questões estruturais à direita e ao populismo. Sabemos bem que a política, tal como a natureza, tem horror ao vazio”, escreve Leão.
O texto de Ricardo Leão surge depois de alguns nomes do Partido Socialista, incluindo António Costa, “em defesa da honra do PS” terem criticado as suas declarações numa reunião pública da Câmara de Loures, na qual Ricardo Leão defendeu o despejo “sem dó nem piedade” de inquilinos de habitações municipais que tenham participado nos distúrbios que têm ocorrido na Área Metropolitana de Lisboa.
“É óbvio que eu não quero que um criminoso que tenha participado nestes acontecimentos, se for ele o titular do contrato de arrendamento é para acabar e é para despejar, ponto final, parágrafo”, afirmou na ocasião o autarca de Loures.
Ricardo Leão diz que as áreas metropolitanas acumulam “reservatórios de descontentamento onde começam, agora, a despontar sinais de revolta”. E atira: “Este não é um debate só nosso: atravessa toda a Europa” e “faltará ao PS quem faltar a este debate”.
Na sequência de tais declarações, Ricardo Leão demitiu-se do cargo de presidente da Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL).
