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Não é imigração, é segurança. Sexta maior câmara do país vai despejar 500 famílias após desacatos na Grande Lisboa

8 fev 2025, 22:30

Ouviu as críticas de António Costa e de outros na área do PS, mas diz que este é um território que não pode ficar só para a extrema-direita debater

A divisão no PS é um tema que “custa muito” a Ricardo Leão, presidente da Câmara Municipal de Loures que se colocou no centro da polémica depois de ter sugerido o despejo “sem dó nem piedade” de inquilinos de habitações municipais que tenham participado na onda de desacatos ocorrida em Lisboa na sequência da morte de Odair Moniz. O tema foi de tal forma discutido que o próprio António Costa veio dizer que a posição do autarca “ofende gravemente os valores do PS”.

Desde então que os dois ainda não falaram, mas o homem que lidera o sexto concelho com mais habitantes em Portugal (cerca de 207 mil) entende que o ex-primeiro-ministro foi injusto consigo.

“Tenho a plena certeza de que aquele texto nem foi escrito por ele. António Costa, como pessoa inteligente que é, se ouviu bem as minhas declarações, eu não coloquei nenhuma questão sobre imigração”, começou por dizer no CNN Entrevista com André Carvalho Ramos, numa referência ao artigo publicado a 6 de novembro no jornal Público, intitulado “Em defesa da honra do PS”, e que é assinado por António Costa, José Leitão e Pedro Silva Pereira.

Ricardo Leão achou “estranho”, reiterando que “alguém escreveu o texto por ele e ele assinou”, num assunto que já está “digerido”, mas que não é esquecido pelo autarca, que se prepara para voltar à corrida eleitoral nas Autárquicas deste ano.

Para o presidente da Câmara Municipal de Loures é preciso distinguir imigração e segurança, saudando o secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, por “recentrar” a discussão na questão da imigração, que deve ser debatida de “forma isolada da segurança”, que não diz apenas respeito aos bairros, mas a todo o país.

“Quem discute imigração e segurança dentro do mesmo bolo está a cometer um erro enorme e não se vai resolver nada”, sublinhou.

Passando diretamente às suas declarações sobre os desacatos, Ricardo Leão referiu que anda “na rua”, algo que fez também naquela fase, por vezes “até às quatro da manhã”. “Assisti àquele motorista da Carris a ser alvo de uma tentativa de homicídio”, disse, lembrando o caso do homem que conduzia um autocarro e contra quem foi atirado um cocktail molotov, colocando a vítima em estado grave e com sequelas para o resto da vida.

“Foi de facto polémico. É retirar o ‘sem dó nem piedade’, tudo o resto defendo na íntegra”, sublinhou.

Mas o resto é para manter, já que sobre o despejo destes cidadãos, Ricardo Leão garantiu que é uma medida que é mesmo para levar para a frente, e que deve afetar, segundo o autarca, 20% das pessoas nesta condição. O mesmo é dizer que 500 de 2.500 famílias nesta situação vão ser despejadas, segundo o autarca.

"Esses 20%, digo-o aqui, e pode ser alvo de crítica novamente... estive dois anos a insistir com as pessoas para regularizarem a sua situação e nem sequer responder. Vão ser despejados e já estou a iniciar os processos jurídicos", sublinhou, defendendo, ainda assim, um "lado humanista", já que a lista de espera de pessoas que precisam deste apoio aumenta todos os dias.

"Vou permitir que 20% que nem sequer se dignaram a responder à câmara ocupem estas casas? Não", acrescentou, referindo que não espera um renovar de críticas por parte do PS.

Questionado sobre a eventual existência de um problema nos bairros sociais, Ricardo Leão entende que não. “Em Loures não há assuntos tabus”, garantiu, para depois reiterar que foi importante que Pedro Nuno Santos tenha trazido para a sua agenda política a questão da imigração, sob pena de ficar com “falta de comparência” nesta área.

Esse mesmo tabu, criticou Ricardo Leão, foi herdado dos tempos em que foi a CDU, com Bernardino Soares, a estar ao leme da autarquia. “Não há assuntos tabus, é agarrar no assunto e resolvê-lo”, acrescentou, afirmando que não tem medo de cair numa aparente deriva populista, até porque não há assunto nenhum que diga respeito apenas a uma área ideológica.

“As pessoas estão muito cansadas e temos de mostrar que não é a extrema-direita a única capaz de resolver os problemas que existem”, reiterou.

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