Empresa de defesa alemã emitiu entretanto um comunicado no qual exprime o seu respeito pelos fabricantes de equipamento de defesa ucranianos, depois de o CEO Armin Papperger ter desvalorizado a indústria ucraniana de drones
O CEO da Rheinmetall, Armin Papperger, comparou a inovação ucraniana nos drones a “brincar com Legos”, afirmando ainda que os seus criadores eram como “donas de casa” a usar impressoras 3D nas cozinhas.
“Isto não é inovação”, acrescentou o diretor-executivo da Rheinmetall, numa entrevista publicada na sexta-feira na revista norte-americana The Atlantic.
As declarações provocaram indignação imediata na Ucrânia, onde os drones são, neste momento, um elemento central da defesa do país contra a invasão russa.
O jornal ucraniano Kyiv Post adianta que o presidente Volodymyr Zelensky respondeu de forma rígida às declarações do CEO da empresa alemã.
“Se cada dona de casa ucraniana consegue realmente produzir drones, então cada dona de casa ucraniana pode ser CEO da Rheinmetall”, afirmou Zelensky aos jornalistas esta segunda-feira
“Os resultados destas tecnologias demonstramo-los diariamente – no campo de batalha, em terra, no ar e no mar”, acrescentou o presidente ucraniano.
Antes das declarações de Zelenksy, já o seu conselheiro, Oleksandr Kamyshin, tinha respondido às polémicas declarações, destacando o impacto dos ataques de drones ucranianos contra blindados russos.
“As mulheres ucranianas trabalham em pé de igualdade com os homens nas fábricas de defesa”, escreveu Kamyshin na rede social X. “Merecem respeito.”
I visit 200+ military factories a year. I see Ukrainian women working equally with men often enough.
— Alexander Kamyshin (@AKamyshin) March 29, 2026
They are great housewives, yet they have to work hard in the military factories.
They deserve respect, @RheinmetallAG. https://t.co/C84GGIkeYR
A reação alastrou-se rapidamente às redes sociais ucranianas, dando origem à hashtag #MadeByHousewives e a uma vaga de publicações com imagens a sublinhar a eficácia dos drones e dos sistemas de defesa aérea produzidos no país.
Well, not exactly a Ukrainian “housewife,” but a Ukrainian ??#MadeByHousewives🇺🇦@UKRinNATO pic.twitter.com/B7ZfRcw9px
— Alyona Getmanchuk (@getmalyona) March 29, 2026
Perante a polémica, a Rheinmetall publicou no domingo uma mensagem na rede social X, na qual procurou desanuviar a controvérsia.
“Temos o maior respeito pelos imensos esforços do povo ucraniano na sua defesa. Cada mulher e cada homem na Ucrânia está a dar um contributo incomensurável”, escreveu a empresa.
We have the utmost respect for the Ukrainian people’s immense efforts in defending themselves against the Russian attack - now for more than four years. Every single woman and man in 🇺🇦 is making an immeasurable contribution. It is to Ukraine’s particular credit that it is…
— Rheinmetall (@RheinmetallAG) March 29, 2026
A primeira-ministra ucraniana, Yulia Svyrydenko, reforçou as críticas, afirmando que os ucranianos “merecem não só respeito, mas também ser ouvidos”.
“Sim, a defesa da Europa é movida por ‘donas de casa’ ucranianas”, acrescentou, recorrendo também à hashtag #MadeByHousewives.
O mesmo jornal ucraniano adianta que a polémica surge numa altura em que a Rheinmetall, uma das maiores fabricantes de armamento da Europa, continua a beneficiar do aumento da despesa ucraniana com defesa na sequência da invasão russa de 2022.
Paralelamente, a Ucrânia tem vindo a projetar no exterior a experiência acumulada com drones testados em combate, procurando afirmar-se como referência neste setor. Nas últimas semanas, Kiev acordou aprofundar a cooperação na área da defesa com países como o Catar, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos.