A Farioli ainda falta aprender um quarto da lição que um famoso DJ tem para nos ensinar

22 fev, 22:28
FC Porto-Rio Ave (FOTO: MANUEL FERNANDO ARAUJO/LUSA)

CRÓNICA || É ao som de Fatboy Slim que se vai desenhando esta nova fase da época do FC Porto. A ganhar, sim, mas sem a Rave que os jogadores podem dar

Vira o disco e toca o mesmo. O FC Porto de Francesco Farioli parece cada vez mais uma linha de som sem qualquer alteração de frequência, mesmo quando há espaço para a fazer mexer.

Com uma entrada acima de muitos dos jogos anteriores, os dragões aceleraram até ao primeiro golo, mantendo a toada na primeira meia hora, obrigando o Rio Ave a encostar lá atrás.

Beneficiando da anarquia de Oskar Pietuszewski, que foi crucial para marcar Victor Froholdt o golo que desbloqueou o encontro, o FC Porto foi totalmente capaz de mostrar rasgo e qualidade.

O problema vem depois, com uma equipa que parece escolher sempre o mesmo lado quando está em cima do muro. Entre arriscar um pouco mais e forçar o 2-0 perante um Rio Ave claramente frágil ou estancar a partida, o FC Porto escolheu a segunda opção, como escolhe quase sempre desde há uns tempos.

Mesmo que se tenha percebido que o Rio Ave tinha demasiadas fragilidades, o FC Porto decidiu resguardar-se em vez de carregar à boleia de um Estádio do Dragão próximo da lotação máxima.

E como o início da segunda parte teve oito centímetros - por esta distância foi anulado o golo de Deniz Gül - que fizeram a diferença, os dragões não conseguiram descansar totalmente até ao fim do encontro, mantendo a partida no limbo do 1-0, que é sempre um resultado perigoso, seja contra quem for.

Até será justo dizer que várias unidades estiveram uns furos acima do que têm mostrado, o que valeu saídas de qualidade e algum perfume aqui e ali. Esse parece ser o maior problema, porque há quem mostre vontade e futebol para mais, mas o conservadorismo de Francesco Farioli não permite essa expressão total.

Gabri Veiga, por exemplo, conseguiu mostrar uma consistência que já não se via há uns tempos, trazendo a nota artística a que Rodrigo Mora deu seguimento quando entrou. Só ele e a vontade de irreverência de William Gomes abanaram o FC Porto na última meia hora, num jogo controlado que os adeptos preferiam que fosse mais do que isso. Nem será tanto uma questão de qualidade, neste ponto, mas antes de segurança. É que lá está, o 1-0 é perigoso.

No fim do dia, o FC Porto de Francesco Farioli é cada vez mais uma música de Fatboy Slim. “Eat, Sleep, Rave, Repeat”, incentiva o DJ britânico, pedindo que se coma, durma, festeje e depois se repita tudo outra vez. Já a equipa do técnico azul e branco prefere saltar a terceira parte, esquecendo a Rave que muitos destes jogadores lhe podiam dar.

O FC Porto retoma assim a vantagem de quatro e sete pontos para Sporting e Benfica, respetivamente.

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