Farioli ainda não sabe ditados populares portugueses suficientes

27 fev, 21:02
FC Porto-Arouca (JOSE COELHO/LUSA)

CRÓNICA || Adormecimento habitual dos dragões ia dando asneira desta vez, mas apareceu um penálti no fim - com polémica à mistura - que deixou os três pontos no Dragão

A 15 de dezembro tinha havido um susto parecido, mas foi mais cedo e o FC Porto resolveu rápido. Nesse dia esteve apenas três minutos empatado com o Estrela da Amadora, já que Francisco Moura despachou-se a repor a vantagem dos dragões.

A carapuça não serviu a Francesco Farioli, que decidiu não mudar de rumo e achar que o 1-0 chega sempre, mesmo quando se está a jogar em casa e se é superior ao adversário, como acontecia esta sexta-feira com o Arouca.

E esteve mesmo, mesmo à beira de não correr bem, já que o Arouca conseguiu aguentar o empate até aos 89 minutos, numa partida que até acabou 3-1 - já depois de começar o Sporting-Estoril em Alvalade, mas que foi de sofrimento elevado.

Quem anda à chuva, molha-se, pode agora dizer-se, porque foi mesmo o FC Porto a pôr-se a jeito.

É que o jogo não podia ter começado de melhor forma. Oskar Pietuszewski fez, aos 13 segundos, o golo mais rápido da história do Estádio do Dragão, colocando o FC Porto a ganhar logo de início.

E se os dragões mantiveram o ímpeto nos primeiros minutos, rapidamente o abandonaram, começando naquele jogo em que entre até o mínimo de risco e a segurança, preferem a segurança.

O FC Porto encostou-se à sombra da bananeira. E mesmo que a bananeira se chame Bednarek, Kiwior e Diogo Costa, não vai correr sempre bem, como não correu.

Numa segunda parte por vezes anónima, o FC Porto permitiu o empate aos 70 minutos por Djouahra, que rematou à entrada da área para lançar o pânico no Dragão. O que tantos temeram contra Rio Ave, Nacional e muitos outros tinham acabado de acontecer. A gerir demasiado, o FC Porto apanhava-se com pouco tempo para ir em busca da vitória.

Francesco Farioli teve mesmo de engolir o sapo e voltar a pedir à equipa que subisse, em vez de o ter feito antes para ter uma partida descansada. E como até já tinha feito as habituais alterações por volta do minuto 60, ficou sem a possibilidade de jogar com isso.

Foi aí que chamou a jogo Seko Fofana primeiro e André Miranda - estreia na equipa principal para o jovem - depois, com a equipa a voltar a carregar sobre o Arouca, o que ainda torna a dúvida mais legítima: se é possível jogar melhor, porque não se joga melhor e se prefere andar para trás?

Das alterações, diga-se, o treinador acabou por conseguir a vitória. Seko Fofana foi provavelmente o melhor em campo nos cerca de 20 minutos que esteve em campo, enquanto William Gomes e Terem Moffi, que tinham entrado naquela alteração sempre combinada, marcaram o 2-1 e o 3-1.

Sim, o resultado ainda ficou 3-1, mas engana muito, porque só se desbloqueou aos 89 com um penálti que o treinador do Arouca acredita não ter existido. Foi aí que William Gomes, com um remate a razar a trave, conseguiu o 2-1 e o alívio, antes de assistir, já no fim, para o 3-1 de Terem Moffi.

O FC Porto ganha antes da visita a Alvalade e depois à Luz, em jogos para a Taça de Portugal e Liga, mas recebe novo e importante aviso de que há jogos em que é preciso um bocadinho mais.

Se o alerta não for suficiente, talvez um livro com ditados populares portugueses seja a melhor ideia.

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