CRÓNICA || Como a individualidade de quatro astros ajudou a resolver o que uma equipa não conseguia. Atento deve estar o Sporting, que pode ter aqui a fava a roer dentro de semanas, ainda que também deva ficar com esperanças se lhe calhar mesmo o Real Madrid
Foram apenas três minutos de festa, mas de uma festa mais do que merecida para o Benfica e para os milhares de adeptos portugueses que se deslocaram até ao Santiago Bernabéu no meio de uma eliminatória escaldada pela polémica em torno do caso Prestianni-Vinicius.
E ainda que muitos desses adeptos tenham alertado para as dificuldades em chegar ao estádio a tempo e horas - a caixa de segurança acabou por rebentar em violência entre benfiquistas e polícia espanhola -, dentro do estádio não pararam de cantar.
Naturalmente que o ânimo só ganhou mais força aos 14 minutos, quando Rafa empurrou, numa segunda tentativa, a bola para dentro da baliza, algo que Thibaut Courtois conseguiu evitar de forma incrível milésimos de segundos antes depois de um corte defeituoso de Asencio - pode ficar para outras andanças, mas custa a crer como uma equipa como o Real Madrid tem um jogador destes a titular.
O Benfica já tinha entrado afirmativo e esse golo, que empatava a eliminatória do playoff da Liga dos Campeões, confirmava isso mesmo, um grande Benfica a conseguir impor-se em pleno Santiago Bernabéu.
Só que foi sol de pouca dura. Quase sem saber ler nem escrever, o Real Madrid mostrou porque tem tantas vezes sucesso. Não tem, seguramente, a melhor equipa do mundo - por esta altura não tem sequer muitos jogadores de topo mundial -, mas um erro faz a diferença.
E esse erro surgiu pelos pés do capitão Nicolás Otamendi, que entregou o ouro ao bandido apenas três minutos depois do golo de Rafa. O passe mal feito deixou o Real Madrid com visão para a baliza, e a partir daí fica difícil de parar o comboio.
Mesmo que a equipa merengue ainda estivesse longe, o desequilíbrio estava irremediavelmente feito, até porque a bola passou pelos pés de rapazes como Fede Valverde ou Aurélien Tchouaméni. Foi este último, a passe do uruguaio, a enviar uma raquetada lá para dentro, empatando tudo no jogo e desempatando a eliminatória novamente a favor do Real Madrid.
O Benfica não se deixou atemorizar e continuou composto em campo, ameaçando aqui e ali - que defesa de Thibaut Courtois a evitar o golo de Richard Ríos ainda na primeira parte -, mas já nunca conseguiu intranquilizar verdadeiramente o Real Madrid.
Longe de ser uma grande equipa, o Real Madrid geriu a partida como pôde, esperando pelo momento certo para dar a estocada final, o que aconteceu ao minuto 80. Assobiado pela bancada encarnada praticamente desde o primeiro minuto, foi Vinicius Júnior a fazer o 2-1 no jogo para os merengues, o 3-1 na eliminatória.
O Benfica ainda tentou esboçar uma reação, mas percebeu-se que o sonho tinha terminado ali.
É verdade que este Real Madrid parece estar a rios de distância de ser uma equipa que pode ganhar alguma coisa, mas o Real Madrid é o Real Madrid e o Santiago Bernabéu é o Santiago Bernabéu. Tendo isso em consideração, o Benfica, que nem merecia ter perdido o jogo da segunda mão, pode voltar para casa de cabeça erguida.
No fim do dia, o Benfica foi melhor equipa em vários momentos do jogo e até da eliminatória, mas os tais erros individuais pagam-se mesmo caro - será que Thibaut Courtois tinha deixado entrar o remate de Fede Valverde que passou por Anatoliy Trubin? -, pelo que a individualidade de um guarda-redes, de dois médios e de um ala decidiram a eliminatória. De resto, já em Lisboa tinha sido assim, numa partida mastigada em que um golo só ao alcance dos melhores decidiu.
O Benfica foi, provavelmente é mesmo, melhor equipa que o Real Madrid - como tinha mostrado na última jornada da fase de liga, em que venceu por 4-2 no Estádio da Luz -, mas o Real Madrid é o Real Madrid, o que significa que terá sempre os melhores do mundo para ultrapassar o marasmo.
A olhar para a frente está agora o Sporting, que pode ter neste Real Madrid o próximo adversário na Champions. Serão os espanhóis ou os noruegueses do Bodo/Glimt. E se não há dúvidas de quem tem os melhores jogadores - Real Madrid, claro -, também não existe qualquer problema em afirmar que o Bodo/Glimt é, por esta altura, melhor equipa.