Adeptos do clube brasileiro dizem que o treinador português recuperou o estatuto de grande do Palmeiras e um deles diz mesmo que está acima de qualquer outro técnico da história da equipa paulista. E o FC Porto? Respeito! «Está numa fase ruim, mas é um clube de tradição e tem a camisa que pesa»
Debaixo de um calor tórrido em Times Square, o Maisfutebol cruza-se com Daniel e Igor.
Os dois têm vestidas camisolas do Palmeiras e um deles junta-lhe um boné que serve como reforço do amor incondicional ao Verdão.
Abordamo-los para uma conversa sobre o Palmeiras, o FC Porto e Abel Ferreira. Alinham, claro! Afinal de contas, somos compatriotas de quem tem feito tão bem ao clube paulista nos últimos cinco anos e isso basta para desbloquear uma conversa.
Os dois viajaram até aos Estados Unidos de propósito para apoiar o clube brasileiro. Por ter um compromisso inadiável, Daniel vai só ver este jogo; Igor vai correr toda a fase de grupos, que para o Palmeiras termina na Flórida com o duelo diante do Inter Miami de Lionel Messi.
Acreditam que o conjunto de Abel tem todas as condições para passar a fase de grupos e que, depois disso, tudo pode acontecer em cada jogo. «Temos de nos classificar na fase de grupos. É importante! Dali para a frente, acho que cada jogo é uma final. Acreditamos que podemos chegar a uns quartos ou a uma semifinal, mas sabemos também que não é um campeonato fácil. Há aí os grandes clubes europeus, que estão num patamar um pouquinho acima do futebol sul-americano. Mas é passar a primeira fase e depois cada jogo vai ser uma final», reforça Daniel, ex-conselheiro e membro da direção do Palmeiras que alerta para a importância e o perigo do jogo de estreia, com o FC Porto, por ser mais propício à presença de nervosismo que pode bloquear os jogadores.
Igor concorda e mostra-se conhecedor do momento do FC Porto. Sabe, por exemplo, que teve várias derrotas recentes, que mudou a «diretoria», mas mostra respeito pela história do adversário. «Acho que vai ser um jogo difícil. Apesar do FC Porto estar numa fase ruim, é uma equipa da Europa e temos de entrar ligados. Temos de tomar cuidado, porque tem uma forma de jogo diferente e outra tática. O time tem de entrar focado e não achar que está ganho. O FC Porto é um clube de tradição e tem a camisa que pesa. Por isso, à cautela», avisa.
Daniel acredita que o Palmeiras pode ter uma vantagem em relação aos dragões. Por estar numa fase ainda inicial da temporada, chega ao Mundial mais fresco. Ainda assim, vê o copo (só) meio-cheio, até porque o Verdão ainda não está em ponto rebuçado. «Por um lado, é bom por estarmos no início da temporada, mas por outro o Palmeiras também tem vários jogadores novos e então o Abel tem estado neste início de ano ainda a testar, a fazer algumas modificações. Se fosse no meio da temporada, talvez viéssemos mais entrosados.»
Não nos despedimos sem falar sobre Abel e o peso que o técnico luso tem na história de um dos maiores clubes brasileiros. Afinal de contas, são dez títulos em cinco anos.
«Para mim, está entre os três ou quatro melhores treinadores de sempre do Palmeiras. Quem são os outros? Felipão Scolari e Oswaldo Brandão», enumera Daniel.
«Para mim, o Abel é o melhor!», dispara Igor sem ponta de hesitação.
«O que ele fala é verdade. Se formos pegar no quanto o Abel ganhou neste espaço de tempo, ele é o treinador mais vitorioso da história do Palmeiras. Isso é indiscutível», concorda o amigo, para quem nem um ano de 2024 aquém dos anteriores o leva a equacionar um eventual fim de ciclo do técnico de 46 anos.
«Embora não tenhamos ganhado títulos, nós brigámos até ao fim. Ganhar e perder faz parte. 2024 não foi tão bom, mas isso deveu-se à régua [fasquia], porque o Abel colocou a régua muito lá em cima pelos outros anos.»
«O Palmeiras passava um momento difícil até à chegada do Abel. Ele e a nova diretoria mudaram o patamar. O Palmeiras sempre foi um clube grande, um dos maiores do Brasil, mas passava por um momento não tão bom. E ele ajudou a retomar os bons momentos. Mudou a forma de jogo, o time é outro, taticamente está diferente e a responsabilidade dos jogadores… dá para ver bastante o trabalho dele. Trabalha bastante a parte mental. Ele é muito exigente e isso é bom: não deixa o jogador folgado e a curtir a noite», observa Igor, para quem Abel também é intocável.
«Por mim, assinava contrato vitalício! Podem deixá-lo para sempre no Palmeiras.»