É o melhor do mundo e é português. Tem recebido ofertas de todo o mundo, mas não está à venda... nem tem cláusula de rescisão
Aos pombos «excecionais», a equipa Paulo, César & Morais costuma dar alcunhas especiais. Nenhuma teve tanto impacto como a que deram ao pombo campeão do mundo no World Best Pigeon, competição organizada pela Federação Columbófila Internacional. Chama-se Viktor Gyökeres.
«Nós somos adeptos do Sporting, o Viktor Gyökeres foi o melhor avançado do mundo em 2024, por isso decidimos batizar o nosso melhor marcador dentro do pombal como o nome do avançado. Ele foi o melhor pombo em 2024, uma espécie de Bola de Ouro da columbofilia», conta João Morais, um dos sócios da equipa da Azambuja, várias vezes campeã nacional de columbofilia e vencedora de inúmeros títulos no distrito de Lisboa.
Num dos pombais da equipa, na Azambuja, distrito de Lisboa, Paulo Domingos, um dos sócios desta equipa, junta-se ao MAISFUTEBOL com a fêmea ‘Inês Aguiar’ na mão. Sim, foi o nome dado em homenagem à atriz da TVI e namorada de Viktor Gyökeres. Ou seja, um casal na vida real e um casal no pombal na Azambuja.
Mas já lá vamos a história dos pombinhos.
O pombo Gyökeres é um fenómeno no mundo dos pombos. Um pombo completo que teve os melhores resultados entre milhões de pombos largados para as competições em todo o mundo durante o ano passado. É um campeonato com várias provas, não apenas uma.
«Ele é o Bola de Ouro absoluto porque se classificou muito bem nas provas de curta, média e longa distância, isto é velocidade, meio fundo e fundo, dos 200 aos 700km. Ou seja, este pombo é bom nas curtas distâncias, estilo Franciss Obikwelu no atletismo, e nas longas distâncias, estilo Rosa Mota, na maratona», detalha João Morais.
«São 21 provas durante o ano, este pombo venceu em várias especialidades, por isso contabilizando todo o coeficiente de pontos, a nível internacional, chegou ao primeiro lugar, batendo todos os pombos das federações de outros países. Estamos a falar de centenas de milhões de pombos em todo o mundo.»
Na mesma categoria em que o pombo Gyökeres se sagrou campeão do mundo em 2024, a ‘namorada Inês Aguiar’ ficou em oitavo lugar. Um casal de pombos de sucesso.
«Primeiro, batizámos o ‘Gyökeres’, depois como ela era a fêmea dele, estava acasalada com ele, demos-lhe o nome da Inês Aguiar, a namorada do jogador. Tal como o pombo ‘Gyökeres’, tem ótimos resultados, é muito versátil e boa em todas as especialidades», conta Paulo Domingos, um dos sócios desta equipa.
Os resultados, ao nível dos melhores do mundo, não caem do céu
«Estamos aqui nos pombais, nas colónias, cerca de cinco horas por dia. Venho para aqui todos dias depois do trabalho e o treinador está ca sempre. Isto é uma prisão, para se ser columbófilo temos de o ser 365 dias por ano», garante Paulo, que herdou do pai a paixão pelos pombos e passou-a ao filho Gonçalo, um jovem que, contrariando as tendências atuais, é uma apaixonado pela columbofilia.
No pombal, além dos sócios João Morais e Paulo Domingos, estão o Gonçalo, o filho de Paulo, e José Chaves, o treinador a tempo inteiro de centenas de pombos. Reformado, chega às seis da manhã ao pombal e recolhe já de noite. Diz, em tom de brincadeira, que «qualquer dia a mulher expulsa-o de casa».
Neste encontro de gerações, Gonçalo, de 19 anos, o mais novo da equipa de columbófilios, está equipado, no pombal, com uma camisola 9 do Sporting e mostra-nos, através do telemóvel, a repercussão que o título mundial do pombo Gyökeres está a ter nos órgãos de comunicação social e nas redes sociais. «Uma loucura e um orgulho», diz.
«Já recebemos contactos de pessoas do Sporting, dizem-nos, na brincadeira para irmos até à Academia em Alcochete com o pombo. Para nós, seria um honra que o pombo ‘Gyökeres’ tirasse uma fotografia com o jogador», adianta João Morais, que ainda não conseguiu entrar em contacto diretamente com o avançado sueco.
Está lançado o repto.
Os resultados deste pombo de três anos, a idade em que pombos estão no auge para a competição, estão a despertar o interesse de outras equipas de columbofilia em todo o mundo – «pessoas preparadas para investir a sério» – mas, garantem-nos, não há «cláusula de rescisão» para o Gyökeres... o pombo. A do verdadeiro, o sueco do Sporting, é de 100 milhões de euros.
«Temos recebido telefonemas do estrangeiro, mas não estamos disponíveis para falar sobre vendas. Um animal que nos dá estas alegrias, temos tanto carinho a treiná-lo e criá-lo, não estamos preparados para o perder», garante João Morais, habituado a fazer negócios no mundo do futebol, uma vez que trabalha na empresa Idoloásis, uma agência internacional responsável pela assessoria, gestão e intermediação de carreiras de treinadores como Rui Vitória, Renato Paiva, Pepa ou do jogador Nuno Félix, do Benfica.
Gyökeres podia facilmente ser vendido por mais de 100 mil euros
A columbofilia também é, cada vez mais, uma área que move milhões em todo o mundo - já houve um pombo comprado por um chinês por 1,6 milhões de euros. Os melhores pombos são criados na Bélgica ou nos Países Baixos e quem mais investe em quantidade, não tanto em qualidade, são os chineses. Estima-se, aliás, que haja 10 milhões de columbófilios na China.
Já o pombo Gyökeres, segundo dizem os sócios da equipa, poderia facilmente ser comprado por mais de 100 mil euros, mas não está à venda, até porque já está em fase de reprodução, o que também é essencial para os columbófilos. «A genética é essencial», garante João Morais.
Depois, na base do sucesso, há muito trabalho, dedicação e investimento de tempo e de dinheiro.
«Procuramos investir nas melhores rações, suplementações, que fazem potenciar a formar a saúde dos pombos, fazemos treinos bi-diários, fazemos com que os atletas – leia-se pombos – sejam profissionais.»
Após uma hora de conversa, deixámos a equipa voltar ao trabalho. O treinador José Chaves abriu as portas para mais um treino dos pombos, que andam em bando durante 30, 40 minutos à volta do pombal. O Paulo Domingos foi tratar da alimentação e da suplementação e o João Morais foi receber mais uma equipa de reportagem. Afinal, o pombo tornou-se o fenómeno como o ‘padrinho’ sueco.
Ah, o Gonçalo, ainda com a camisola do Sporting, despediu-se da nossa equipa a imitar o festejo do avançado, a mítica máscara. Se os pombos festejassem vitórias...
