Primeiro-ministro recorda que abriu essa porta numa entrevista à CNN Portugal realizada há dois anos
Se for reeleito primeiro-ministro, Luís Montenegro admite ponderar a nacionalização da REN, empresa responsável pela segurança do abastecimento, gestão e planeamento de investimentos na rede elétrica. Questionado sobre essa possibilidade, na conferência de imprensa desta terça-feira, declarou que estará “disponível para a aprofundar sem nenhum problema”.
Luís Montenegro entende que o rescaldo do apagão não é o momento para abrir essa discussão, porque “essas coisas não se devem fazer a quente”. Mas garantiu estar “à vontade”, porque antecipou esse cenário “muito antes deste assunto poder ganhar a evidência que ganhou, fruto do apagão”.
Numa entrevista à CNN Portugal, realizada há dois anos, o então líder da oposição afirmou que “é do interesse estratégico de Portugal ter a rede elétrica na posse do Estado". Como dificuldade, recordou que a reversão da privatização tem custos. Por isso, “também depende das finanças públicas".
O ex-secretário de Estado da Energia do Governo de Pedro Passos Coelho, Henrique Gomes, defende que o Estado recupere a soberania sobre a gestão e o planeamento de investimos da rede elétrica, como da rede de gás. E recorda que a Inglaterra, no ano passado, criou uma estrutura pública com essas competências, na dependência do Governo, sem beliscar os direitos de exploração dos concessionários privados. Este governante enfatiza que o problema não está no capital chinês, que não lhe merece qualquer tipo de objeção especial no mundo de hoje. Considera é que faz pouco sentido Portugal ser o único de 34 países da Europa que não controla a gestão e o planeamento estratégico da rede elétrica.
