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Evangélicos continuam a crescer em Portugal. Um resultado da imigração ou do mercado religioso. Mas ainda sem poder político

25 set 2025, 07:01
Igreja Evangélica
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Os últimos números oficiais pertencem aos censos e datam de 2021. Mas um estudo da Aliança Evangélica Portuguesa junto de mais de 500 pastores evangélicos, feito no início deste ano, aponta para um crescimento em número de fiéis, muitos convertidos do catolicismo. Setenta por cento dos inquiridos tem mesmo planos e locais definidos para plantar novas igrejas. Mas, já que estamos à beira de duas importantes eleições políticas, terão os evangélicos em Portugal a mesma influência política que apresentam no Brasil ou nos estados Unidos?

(CNN Autárquicas 2025) - Flávia foi educada num meio católico. Foi batizada, ia à missa todos os domingos, frequentava a catequese. Casou pela Igreja católica e batizou os filhos mais velhos na mais expressiva confissão religiosa em Portugal. Agora, frequenta uma igreja evangélica e é aqui que se sente “acolhida”.

“A minha mudança não foi uma coisa repentina. Foi acontecendo. Ao mesmo tempo que eu ia à catequese, a minha mãe também me dava autorização para participar na escola dominical, aos sábados à tarde, na igreja do largo onde eu morava”, conta à CNN Portugal Flávia Pechilga, de 37 anos.

Já depois de casada, Flávia começou a frequentar alguns workshops promovidos pela Igreja Evangélica de Sintra, no largo da casa da mãe. E, um dia, convidaram-na a assistir a um culto. “Fez-me tanto sentido a maneira como eles explicavam a palavra de Deus, a Bíblia. Aprendi a orar, sem ser a rezar. Desde que me converti, considero-me uma pessoa melhor a cada dia”, sublinha.

A Flávia, católica praticante, passou a fazer mais sentido a forma como a Igreja Evangélica "explica a Bíblia". (Gettyimages)

“Senti-me muito acolhida. Somos tratados de forma muito fraterna. Não há julgamentos. Cada pessoa ali importa e é tratada da mesma forma, independentemente de quem seja e do pecado que tenha cometido no passado”, acrescenta.

Flávia, educadora de infância, coordenadora de uma IPSS (Instituição Particular de Solidariedade Social) que pertence a uma paróquia da linha de Sintra, corresponde em quase todos os parâmetros dos novos convertidos às igrejas evangélicas. De acordo com um estudo da Aliança Evangélica Portuguesa (AEP), coordenado por Pedro Silva, o perfil dos novos convertidos traça-se assim: 76% dos novos convertidos são mulheres, 82% têm menos de 43 anos, 48% são católicos não praticantes (8% são católicos praticantes) e 54% são nascidos em Portugal.

Uma fé em crescimento

Alguns especialistas associam o crescimento das igrejas evangélicas em Portugal à imigração brasileira. (Gettyimages)

Ainda de acordo com o mesmo estudo, realizado em março e abril deste ano e que inquiriu 509 líderes de igrejas evangélicas em todo o país, as igrejas evangélicas então em pleno crescimento em Portugal. Oitenta e oito por cento dos pastores evangélicos inquiridos afirmam que as suas igrejas cresceram em relação a 2003 (o último estudo que tinha existido), 73% dizem mesmo que a assistência nos cultos cresceu e 70% das igrejas têm planos e local definido para plantar novas igrejas nos próximos cinco anos, sobretudo na região da Grande Lisboa, Aveiro e Porto.

Timóteo Cavaco, presidente da AEP, defende que é “um crescimento visível, mas que não é novo”. “Temos assistido nas últimas décadas a um crescimento da diversidade religiosa em Portugal. Em 1940, mesmo durante o Estado Novo, já se notava alguma diversidade religiosa em Portugal”, diz o presidente da AEP.

De acordo com os últimos censos realizados em Portugal, que datam de 2021, entre a população com mais de 15 anos, 186 mil pessoas identificam-se como “protestantes evangélicos”. Mais de 2% da população de um país esmagadoramente católico.

“Oitenta por cento da população identifica-se com a igreja católica. Catorze por cento dizem não ter religião. Sobra muito pouco no mercado religioso para as outras confissões”, resume Jorge Botelho Moniz, professor da Universidade Lusófona, onde coordena o mestrado em Ciências das Religiões.

José Brissos Lino, especialista em Ética e Ciência das Religiões, considera que, nas últimas décadas, o crescimento das igrejas evangélicas (e sublinha que se deve falar sempre no plural), se deve sobretudo à imigração brasileira. “Eu chamar-lhes-ia grupos religiosos evangélicos. Não estão integrados numa estrutura, por isso não prestam contas a ninguém. Devia haver uma ordem que certificasse os pastores”, sublinha.

“Isso até está a criar um certo desconforto às igrejas evangélicas radicadas em Portugal, porque chega cá uma pessoa que diz que é pastor e ninguém vai confirmar se ele foi ordenado pastor ou não. No Brasil, as pessoas vão à igreja evangélica, como aqui os portugueses vão à igreja católica. Se a coisa funciona, muito bem. Se não funciona, vai para outra cidade ou até para outro país e deixa dívidas de rendas, de água, luz e telecomunicações”, denuncia.

“Assembleia de Deus é uma denominação pentecostal histórica. Como a marca Assembleia de Deus é muito forte, eles colocam Assembleia de Deus do Rio Jordão, Assembleia de Deus de troca o passo, alugam uma loja, fazem uns cultos… É o mercado da fé a funcionar”, diz Brissos Lino.

Jorge Botelho Moniz fala numa grande “plasticidade" e grande "capacidade de adaptação" das igrejas evangélicas. “Há igrejas para diferentes gostos. Com estas vozes tão diferentes e tão diversas, a Aliança Evangélica tem até uma certa dificuldade em dizer ou não o que é evangélico”, considera. 

A imigração brasileira

José Brissos Lino, especialista em Ética e Ciência das Religiões, fala em "crescimento artificial" das igrejas evangélicas. (Gettyimages)

O mesmo estudo da AEP divulgado este ano, dá conta de 65% das igrejas plantadas depois de 2020 serem pastoreadas por missionários brasileiros. Um dado que vem corroborar a convicção dos especialistas de que o fenómeno está intrinsecamente ligado à imigração, sobretudo à imigração brasileira.

Brissos Lino fala mesmo “num crescimento artificial, muito à conta dos brasileiros”. “Em Setúbal, há uns anos, as igrejas evangélicas eram quatro. Agora são umas 40”, exemplifica.

Donizete Rodrigues, professor de Sociologia da Universidade da Beira Interior (UBI), diz que “tem de se somar todos os outros segmentos de imigração para chegar ao total dos brasileiros” nas igrejas evangélicas. “Se eu fizer um mapa onde estão instalados os maiores enclaves de imigração brasileira (Braga, as duas grandes áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, Algarve e Margem Sul) e sobrepuser o mapa de crescimento das igrejas evangélicas, tenho uma sobreposição de quase 100%”, diz o especialista

O professor da UBI lembra que, nas últimas duas décadas, o imigrante brasileiro tem “um perfil socioeconómico muito específico”. “São brasileiros de baixa renda e evangélicos. Cerca de 80% desse fluxo de imigração dos brasileiros que imigraram nas últimas duas décadas são evangélicos. Instaladas aqui as igrejas começam a proliferar”, considera.

Donizete Rodrigues lembra ainda que os evangélicos são “o movimento religioso que mais cresce no Brasil e há mesmo a previsão de que o Brasil se torne um país evangélico”.

“Procuram locais de grande visibilidade e são facilmente identificáveis. Normalmente, têm uma fachada enorme com o nome da igreja. No púlpito ou na fachada, eles utilizam a bandeira do país onde estão localizados, porque é uma maneira de atrair os locais para aquela religião”, acrescenta.

Timóteo Cavaco reconhece que “o fator migratório tem uma grande influência”. “Os portugueses estão claramente em minoria. Há mais brasileiros do que portugueses de origem nas comunidades”, diz o presidente da AEP.

“Mas este fenómeno talvez esteja também a atrair portugueses de origem. O estudo deste ano, feito junto dos líderes inquiridos, diz que dos novos convertidos, 54% são de origem portuguesa. Não podemos, por isso, dizer que não haja novos praticantes evangélicos que sejam portugueses de origem”, acrescenta.

“Esta perceção que hoje existe de que os evangélicos chegaram agora não é real. É mais visível na última década ou década e meia. Mas os evangélicos estão presentes em Portugal desde a primeira metade do séc. XIX e a fé evangélica teve um primeiro crescimento mais significativo com a vinda de retornados, que já pertenciam a igrejas evangélicas nas colónias”, acrescenta Timóteo Cavaco.

Conversão em família

A conversão de Flávia deu-se quase em simultâneo com a conversão da mãe, Luísa, que também era católica e sempre viveu paredes meias com uma igreja evangélica. “Ela começou a ir aos cultos depois de mim. Fomos batizadas pela igreja evangélica no mesmo dia”, recorda Flávia.

Toda a restante família continua a ser católica. Alguns deles praticantes. Os sogros, por exemplo, têm uma atividade muito ativa na paróquia. O convívio nem sempre foi pacífico, mas o diálogo e o respeito mútuo tornaram-se palavras de ordem.

Há sete meses nasceu Maria Margarida. A Igreja onde Flávia está inserida tem por tradição a apresentação dos bebés à comunidade. A filha de Flávia não foi exceção e, neste momento importante da vida de Maria Margarida, estiveram presentes o pai, os avós e a restante família católica.

Ainda não se falou no batismo da bebé, mas Flávia não se vai opor se o marido fizer questão que a filha seja batizada na igreja católica. “A educação dos filhos por vezes gera alguns conflitos, mas tudo tem sido feito com discernimento. Como, cá em casa, a educação das crianças recai sobre mim e o meu marido não é propriamente um católico praticante, eles vão comigo aos cultos e frequentam a disciplina facultativa de Educação Moral e Religiosa Evangélica”, relata.

A voz de um pastor

Pedro Canito é pastor da Igreja da Família Reviver de Elvas. (DR)

Pedro Canito, 53 anos, é pastor da Igreja da Família Reviver de Elvas. “A nossa igreja deriva de uma Assembleia de Deus, a Assembleia de Deus de Santo António dos Cavaleiros. Mas quando nos tornámos mais nacionais abandonámos essa denominação e passámos a chamar-nos Igreja da Família Reviver”, recorda.

Em Elvas, Pedro é um pastor de cerca de 60 almas, “o que para um Alentejo desertificado é muito bom”. Nem todos estão todos os domingos no culto. “É volátil. A nossa média de frequência dominical ronda as 35 ou 40 pessoas. No último culto de aniversário, estavam cerca de 50 pessoas. Eu conheço-os a todos. Ouço-os a todos. Conheço os problemas de todos”, orgulha-se de dizer.

“Não quero parecer pretensioso, mas eu vejo-me como um pastor de muito mais gente do que a comunidade que congrega comigo”, acrescenta, explicando que, transporta para o seu dia-a-dia a evangelização das duas horas de culto que faz todos os domingos.  

A mulher de Pedro, Ana Isabel Canito, professora, é também pastora e está sempre ao seu lado quando o objetivo é “ajudar um irmão”. Pedro diz que a fé evangélica tem vindo a crescer e “vai continuar a crescer”. “Não só por causa dos imigrantes, mas porque a fé que professamos vai ao encontro das necessidades das pessoas. Não falamos acima da cabeça das pessoas”, defende.

Antes de rumar a Elvas, Pedro foi pastor em Leiria e recorda o processo da abertura de uma comunidade em Fátima, uma terra marcada pelo catolicismo e pelo Culto Mariano. Trouxeram a diferença, já que a fé evangélica se baseia no culto de Deus. “Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo, centrado na palavra de Deus e nas escrituras bíblicas”, sem a intervenção dos Santos ou mesmo de Maria. “Batizámos cerca de 40 pessoas que eram assumidamente católicas. Porque reconheceram em nós uma autenticidade, um maior acompanhamento”, recorda.

“Na liturgia católica, a abordagem às pessoas, estagnou. Há muitos padres e muitas paróquias muito ativos. Mas, na maioria dos casos, faz-se um pastoreio mais à distância”, justifica.

“A Bíblia diz que, onde estão dois ou três reunidos em nome de Deus, está Deus. A ideia de Deus sempre foi que nós nos congregássemos, que fossemos uma família, em que ele é o Pai. A igreja não é um clube. Não é um lugar para nos sentirmos bem e protegidos. É um lugar onde vamos para recebermos fé, força e coragem e virmos cá para fora, porque a Igreja somos nós, não são aquelas quatro paredes. É extraordinário estarmos com outros irmãos”, diz ainda Pedro Canito.

O caso IURD

A IURD, fundada pelo bispo Edir Macedo, não é reconhecida pela Aliança Evangélica Portuguesa. (DR)

“Até aos anos 90, a igreja evangélica estava a fazer o seu caminho. Quando veio a IURD, que é neopentecostal, tentou entrar na Aliança Evangélica Portuguesa e foi rejeitada por unanimidade, porque tinha práticas que nada têm a ver com o cristianismo. Só que as pessoas não têm o discernimento e colocam tudo no mesmo saco. No Brasil, os neopentecostais são chamados evangélicos. Em Portugal, não”, ressalva Brissos Lino.

Donizete Rodrigues olha para a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) com outros olhos: “É uma igreja pentecostal, mas tem uma dimensão universal. É uma mega igreja. Não é uma assembleiana. Foi criada por Edir Macedo. Sendo uma igreja unipessoal, ela é a maior igreja evangélica no Brasil”.

“Chegou em Portugal de forma muito agressiva. Tentou comprar espaços históricos, como o Coliseu do Porto. É uma igreja com muito dinheiro, muitos fiéis, com muito poder político. Quando chega num país, cria impacto e também anticorpos”, resume o professor da UBI.

A propósito da IURD não ser reconhecida pela Aliança Evangélica Portuguesa, Timóteo Cavaco, sem particularizar, explica: “Nem todas as comunidades que se intitulam evangélicas estão representadas na Aliança Evangélica. Porque o fenómeno de adesão pressupõe uma análise muito restrita das práticas e de critérios de admissão. Não estamos a dizer se aquela comunidade tem direito a designar-se evangélica ou não. Só não a integramos na nossa aliança”. 

O poder político dos evangélicos

Especialistas não reconhecem expressividade no voto evangélico suficiente para influenciar a política portuguesa. (DR)

No Brasil e nos Estados Unidos, os evangélicos tiveram um peso significativo na eleição de Jair Bolsonaro e Donald Trump. A política faz-se nas ruas, mas também nas comunidades e até nos púlpitos onde pregam os pastores, muitos deles até candidatos a cargos políticos.

Se em Portugal poderão ter ou não o mesmo peso, há opiniões contraditórias. José Brissos Lino acredita que não: “As igrejas evangélicas em Portugal nunca tomaram partido político-partidário. Sempre defenderam o jogo democrático. Numa comunidade, temos pessoas de todo o espectro político, da extrema-Esquerda, à extrema-Direita. Tendo pessoas na sua comunidade de vários quadrantes políticos, se vai fazer campanha, vai dividir o rebanho. Aqui nos púlpitos não se faz campanha, como no Brasil.”

Donizete Rodrigues não é tão linear na análise. O professor universitário considera que o peso dos evangélicos na política portuguesa “não é determinante, mas é significativo” e lembra que “entre os 60 deputados do Chega na Assembleia da República, há evangélicos”.

“Verificamos claramente que há um movimento muito grande no Chega. O clã Bolsonaro esteve em Portugal, o filho de Bolsonaro esteve em Portugal a fazer campanha pelo Chega (também pelo ADN, mas foi menos significativo). Silas Malafaia, que ajudou a colocar Bolsonaro no poder, veio fazer campanha a Portugal, junto dos imigrantes brasileiros, para votarem no Chega”, recorda.

Donizete Rodrigues não vê sequer incongruências no facto de André Ventura ser um católico assumido, mas não dispensar o apoio e os votos evangélicos. “Pragmático como ele é, reconhece a importância desses votos. O interesse dele é ter poder. Para ter poder, vai agregar, não vai excluir. Ele coloca pastores assembleianos em lugares elegíveis”, acrescenta o investigador.

“Aqui, alguns brasileiros deixaram-se seduzir primeiro pelo Chega e depois pelo ADN. O Chega colocou anúncios na internet para quem queria ser candidatos autárquicos. Muitos foram atrás”, reconhece Brissos Lino.

“Conheço muitos líderes evangélicos que são contra esse imiscuir da religião na política”, acrescenta.

Timóteo Cavaco considera que a realidade portuguesa é diferente da brasileira e da norte-americana. Nomeadamente em termos estatísticos. Se continuamos a ter um país maioritariamente católico e apenas 10% dos residentes em Portugal professam outras religiões e só uma parte desses 10% são evangélicos, Timóteo Cavaco considera que não se pode “falar de voto evangélico”. “Um voto religioso só terá significado se abranger no mínimo 15 a 20% dos eleitores”, remata.

“Diria que a diversidade é maior em Portugal. Não há estudos sobre isso, mas a minha perceção é que se distribuem pelas diferentes forças políticas. A minha intuição é que, como não existe um partido evangélico, os evangélicos distribuem-se pelas diferentes forças políticas. Diria que os extremos são incompatíveis com os valores cristãos.  Os extremos promovem a falta de inclusão a discriminação, que não são compatíveis com valores cristãos. Já houve tentativas da criação de partidos políticos que se identifiquem mais com os valores evangélicos, mas sem sucesso”, considera ainda o presidente da AEP, sublinhando que “a Aliança Evangélica é uma instituição absolutamente apartidária. Não apelamos ao voto num partido, apelamos é ao voto em consciência”.

Jorge Botelho Moniz é pragmático na análise desta questão: “Se tens uma percentagem de mercado religioso de cerca de 6% e muitos deles não votam sequer, para quê ir atrás deles?”

“No Brasil, rondam os 27% e nos Estados Unidos 23%. No Brasil, tens a bancada evangélica, sentada na câmara dos representantes. Bolsonaro teve de ir bater às portas das diferentes igrejas. Em Portugal, torna-se mais difícil com essa diversidade, para qualquer ator político, ir atrás desses nichos. Enquanto o teu número de católicos rondar os 80%, nem que sejam apenas católicos culturais, o peso do voto das outras confissões religiosas vai ser muito residual”, contabiliza o professor da Universidade Lusófona.  

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