Carlos III. Há quase nove anos que a Europa não assiste a uma coroação

25 abr, 22:00
Carlos e Camilla (Família Real)

Nos últimos dez anos, a Europa viu subir ao trono três reis, todos após abdicação do monarca em regência, acompanhados por três rainhas-consortes. Em todas o termo consorte caiu, à semelhança do que acontecerá com Camilla a 6 de maio

Carlos e Camilla sobem ao trono a 6 de maio para se tornarem reis de Inglaterra. A coroação, preparada há vários meses (ou anos), acontece oito meses após a morte da rainha Isabel II e é a quarta cerimónia na Europa nos últimos dez anos.

Ao contrário de Carlos III, os reis dos Países Baixos, da Bélgica e de Espanha subiram ao trono depois do monarca anterior ter abdicado do cargo. Já Isabel II, que morreu em setembro do ano passado, prometeu servir o povo britânico até ao final dos seus dias. 

“Declaro diante de todos vós que toda a minha vida, seja ela longa ou curta, será dedicada a servir-vos e a servir a nossa grande família imperial, à qual todos nós pertencemos”, disse quando subiu ao trono.

E assim fez, não tendo abdicado para o filho, ao contrário da rainha Beatriz, do rei Alberto II e do rei Juan Carlos.

Na Europa existem, atualmente, dez famílias reais, sendo que duas são principados: Mónaco e Liechtenstein. No Luxemburgo, a monarquia é representada pelo Grão-Duque.

À CNN Portugal, Alberto Miranda, especialista em realeza, explica que "a Inglaterra é o único país que coroa o seu rei" enquanto nos restantes países "chegam ao trono por juramentos, por proclamações, por investiduras".

"Por exemplo, vimos em Espanha, em 2014, vimos nos Países Baixos, na Bélgica também, a regália, ou seja, o conjunto das joias da coroa que se usam no dia da coroação, não serem usadas. E são todas colocadas ao lado, como um sinal simbólico de representação que estão lá. Inglaterra é o único país em que o rei, e neste caso agora a rainha, vão usar a regália, vão usar as joias da coroa, vão usar as coroas", antecipa.

Países Baixos

Há dez anos, precisamente, os reis Guilherme e Máxima dos Países Baixos foram coroados, na igreja Nieuwe Kerk, em Amesterdão, depois da rainha Beatriz ter abdicado a favor do filho. Ao subir ao trono com apenas 43 anos, Guilherme tornou-se no mais jovem rei europeu.

Máxima, conhecida pelos seus visuais coloridos, frequentemente com cores fortes, escolheu um vestido comprido azul Klein, de Jan Taminiau, com corpete, apontamentos em tule e aplicações artesanais de cristais, mangas compridas e saia com bordados na parte inferior, com uma capa comprida, da mesma cor do vestido. 

Na cabeça, a Tiara Mellerio, desenhada por Oscar Masin, de diamantes e safiras, um presente que o rei Guilherme III, trisavô do atual monarca, ofereceu à esposa. 

Reis Guilherme e Máxima dos Países Baixos no dia da coroação (AP Photo/Peter Dejong)

A cerimónia de juramento e investidura, que durou cerca de uma hora, contou com a presença de mais de 200 convidados, entre eles 19 representantes da família real.

Os reis são pais da princesa Catharina-Amalia (Princesa de Orange), da princesa Alexia e da princesa Ariane. Em outubro de 2022, os reis dos Países Baixos revelaram que a princesa herdeira, que se encontrava a estudar em Amesterdão, estava a ser alvo de "ameaças muito graves" e que tinha regressado a casa por motivos de segurança.

Bélgica

Philippe e Mathilde da Bélgica ascenderam ao trono a 21 de julho de 2013 após a abdicação de Alberto II. Philippe foi entronizado sétimo rei da Bélgica, sucedendo ao pai, que abdicou após 20 anos de reinado, depois de ter subido ao trono após a morte do seu irmão Balduíno, que não deixou herdeiros.

A abdicação de Alberto II foi a primeira na história da Bélgica, que se tornou independente dos Países Baixos em 1831. Segundo a imprensa belga na altura, uma das principais razões foi a confirmação de que Alberto II tinha uma filha de uma relacionamento extra-conjugal.

O novo rei, de 53 anos, prestou juramento numa cerimónia no Palácio Real de Bruxelas, sem a presença de representantes das monarquias europeias.

Reis da Bélgica com os filhos no dia da coroação (AP Photo/Geert Vanden Wijngaert)

Philippe e Mathilde são pais de Elisabeth, duquesa de Brabante, e dos príncipes Gabriel, Emmanuel e Eléonore. Quando subir ao trono, Elisabeth será a primeira herdeira do trono belga a beneficiar da nova lei de sucessão aprovada nos anos 90, que fez com que o primogénito do monarca fosse o herdeiro ao trono, independentemente do sexo. 

No seu 18.º aniversário, a princesa que começou com os atos oficiais aos 10 anos garantiu: "O país pode contar comigo."

Espanha

A 19 de junho, Felipe de Espanha subia ao trono em Madrid depois de o pai, o rei Juan Carlos, ter abdicado a favor do filho, na sequência do escândalo com a viagem ao Botswana para caçar elefantes - acompanhado da amante Corinna Larsen - e que abalou a sua popularidade.

Felipe de Borbón foi proclamado Felipe VI durante uma sessão histórica conjunta das duas câmaras das Cortes Gerais espanholas. Assistiram ao juramento 325 deputados e 259 senadores, o presidente do governo e o presidente do congresso, do senado, do Tribunal Constitucional e do Supremo Tribunal, além de todos os presidentes autónomos da Catalunha e do País Basco.

Reis de Espanha com as filhas no dia da coroação (AP Photo/Emilio Morenatti) 

Letizia, que se casou com Felipe depois de se ter divorciado de Alonso Guerrero, tornou-se rainha consorte e a filha mais velha do casal, Leonor, passou a ocupar o primeiro lugar na linha de sucessão ao trono, recebendo o título de princesa das Astúrias. Com o título de rainha, Letizia teve um importante papel na redução da família real a quatro pessoas mais uma: Felipe, Letizia, princesa Leonor, infanta Sofia e a sogra, a rainha emérita Sofia que continua a assumir algumas responsabilidades em representação da coroa.

Ao longo dos últimos nove anos, Felipe VI, que no discurso de tomada de posse prometeu uma “monarquia renovada para um novo tempo”, viu-se a braços com várias polémicas que envolveram o rei emérito e que o obrigaram a tomar decisões como as de tornar público o valor total do seu património, com o objetivo de "reforçar a confiança" dos cidadãos na monarquia.

"Desde a sua proclamação, o rei iniciou o caminho de modernização da coroa para a tornar merecedora do respeito e da confiança dos cidadãos, sob os princípios de exemplo, transparência, retidão e integridade dos seus comportamentos", pode ler-se no comunicado divulgado online.

Uma decisão que colocou em prática as leis de transparência e dos altos cargos, em vigor em Espanha desde 2013 e 2015, respetivamente, das quais o rei está automaticamente excluído, mas que não impedem a que se submeta a elas voluntariamente. 

Quanto a Juan Carlos, que abandonou Espanha depois de abdicar ao trono, foi alvo de várias investigações judiciais relacionadas com alegados crimes fiscais e que tornaram insustentável a presença do rei emérito no seu país. Os casos que envolveram Juan Carlos levaram mesmo o atual rei de Espanha a anunciar, em março de 2020, que renunciava a qualquer futura herança a que tenha direito do seu pai, o rei emérito, e que também lhe retirava as ajudas de custo anuais que este recebia.

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