Líder do partido nacionalista Reform UK resigna ao seu assento parlamentar e anuncia recandidatura ao mesmo posto nas eleições especiais
Londres — Nigel Farage, líder do partido populista de direita Reform UK, demitiu-se do parlamento esta terça-feira e vai voltar a candidatar-se ao seu lugar numa eleição especial, no contexto de uma crescente controvérsia relacionada com doações financeiras.
Farage anunciou a decisão de renunciar ao cargo de membro do parlamento por Clacton-on-Sea, o seu círculo eleitoral em Essex, no seu canal de YouTube.
A medida surpreendente parece ser uma tentativa de lidar com recentes notícias negativas da imprensa sobre a origem da sua riqueza pessoal, que é também objeto de uma investigação por parte do órgão de fiscalização das normas do parlamento.
No seu anúncio esta tarde, Farage negou qualquer irregularidade. "Deixem-me ser absolutamente claro, não fiz nada de errado. Não violei a lei de forma alguma", disse, acrescentando que acredita ter "obedecido" às regras parlamentares com base em "boa assessoria jurídica".
"Decidi que o povo de Clacton deve julgar as minhas ações", acrescentou Farage. “Lutarei para vencer. Lutarei para dar continuidade à revolução política iniciada pelo Reform.”
A sua decisão irá gerar novas turbulências na política britânica, após a demissão do primeiro-ministro Keir Starmer, no mês passado. Espera-se que o Partido Trabalhista, no poder, nomeie um novo líder dentro de menos de duas semanas, provavelmente o ex-presidente da Câmara de Manchester, Andy Burnham.
Farage, um dos principais arquitectos do Brexit, é há muito uma das vozes mais proeminentes da extrema-direita populista britânica e, dado o recente sucesso do seu partido nas eleições locais, um possível futuro candidato a primeiro-ministro.
