Mensagem numa garrafa alerta para a situação dos migrantes em Kent. "Jornalistas, organizações, toda a gente: por favor, ajudem-nos"

3 nov, 22:12
Carta escrita por migrante em Kent (PA Media)

Uma carta atirada a um jornalista denuncia condições deploráveis no interior do centro de processamento de migrantes em Kent, Reino Unido, onde estarão retidas milhares de pessoas

A crise migratória no Reino Unido tem marcado os primeiros dias do governo de Rishi Sunak, com acusações de detenções ilegais, condições degradantes e incapacidade logística para acolher as milhares de pessoas retidas no centro de processamento de migrantes em Manston, no distrito de Kent. Uma nova denúncia anónima, divulgada pela imprensa britânica na quarta-feira, vem reforçar estas alegações e intensificar os protestos que têm ocorrido no exterior. 

A carta, datada de 31 de outubro, terá sido escondida numa garrafa de plástico e atirada para lá da vedação por uma menina que conseguiu escapar aos seguranças, tendo atingido um fotógrafo da agência de notícias PA Media. No cabeçalho, diz-se endereçada a "jornalistas, organizações, toda a gente" e repete um apelo desesperado ao longo de uma página A4: "por favor, ajudem-nos". Em inglês hesitante, o remetente da carta diz existirem "50 famílias" no interior do centro, com destaque para uma criança com Síndrome de Down e várias mulheres grávidas. "A nossa comida é muito má e está a deixar-nos doentes", escreve o alegado migrante, acrescentando que a única resposta por parte dos guardas é a administração de Paracetamol. "Sentimos que estamos numa prisão", lamenta. 

De acordo com o autor, os migrantes não estão autorizados a sair do centro de processamento ou a comunicar com o exterior, pelo que se encontram inteiramente dependentes da "ajuda de organizações". "As crianças deveriam estar na escola e não na prisão", lê-se no último parágrafo, com um apelo à empatia dos destinatários da carta. "Não é fácil para quem tem crianças. Espero que compreendam os nosso sentimentos. Por favor, ajudem-nos."

O centro tem capacidade máxima para 1.600 pessoas num período de 24 horas, mas a imprensa internacional estima que, nas últimas semanas, mais de 4.000 pessoas tenham sido detidas e mantidas em condições que "violam a dignidade humana". 

O Ministério do Interior assegura, no entanto, que o centro proporciona todas as necessidades básicas dos migrantes e sublinha que a segurança de todas as pessoas no interior - tanto migrantes, como funcionários - é prioridade máxima. 

"Manston continua equipado para processar os migrantes de forma segura e irá proporcionar acomodações alternativas o mais cedo possível", afirma fonte do Ministério do Interior, citada pela BBC. E deixa um aviso: "Apelamos a qualquer pessoa que esteja a pensar abandonar um país seguro e arriscar a sua vida às mãos de traficantes de pessoas para reconsiderar seriamente. Apesar do que lhes foi dito, não serão autorizados a começar uma nova vida aqui." 

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