Reino Unido vai cortar impostos – e quem ganhará mais com isso? Os ricos. Veja como

CNN , Anna Cooban, Londres
26 set, 17:05
Kwasi Kwarteng  Foto Getty Images

Liz Truss avança com o maior corte fiscal em meio século. Estimativas de grupos de análise apontam para que que quase metade dos ganhos irá para os 5% de famílias mais ricas, enquanto apenas 12% irá para a metade mais pobre. Banqueiros também vão poder receber bónus mais elevados.

Os ricos são os grandes vencedores da aposta britânica de baixar impostos

A grande aposta de redução de impostos do Reino Unido para impulsionar o crescimento económico irá beneficiar muito mais os ricos do que milhões de pessoas com rendimentos mais baixos.

Na sexta-feira, o ministro das finanças do Reino Unido, Kwasi Kwarteng, anunciou uma série de cortes de impostos, incluindo o desmantelamento da taxa máxima paga pelos mais altos rendimentos, e reduções nos impostos pagos sobre a compra de casas.

O Tesouro do Reino Unido estima que os cortes eliminarão 45 mil milhões de libras (50 mil milhões de euros) das receitas anuais do Estado durante os próximos cinco anos. É o maior corte fiscal em meio século, de acordo com o Instituto de Estudos Orçamentais (IFS, na sigla original).

Embora todas as famílias vejam as suas taxas de imposto sobre o rendimento baixar, e tenham as suas contas de energia limitadas a uma média de 2.500 libras por ano (2.780 euros), serão as pessoas mais ricas que mais beneficiarão.

Kwarteng reduziu a taxa máxima do imposto sobre o rendimento - pago por quem ganha mais de 150 mil libras (cerca de 167 mil euros ao câmbio atual) – de 45% para 40%.

Isso colocará uma média de 10 mil libras (cerca de 11 mil euros) nos bolsos das cerca de 600 mil pessoas que atualmente pagam a taxa mais alta de imposto, ou pouco mais de 1% dos adultos, calculou o IFS num relatório de sexta-feira. Aqueles que tê rendimentos superiores a um milhão de libras (1,1 milhões de euros) ganharão um extra de 40 mil libras (quase 45 mli euros) por ano.

“Um pequeno número de indivíduos com rendimentos extremamente elevados irá ganhar muito", disse o grupo de reflexão independente.

Kwarteng anunciou também que irá acelerar um plano para reduzir a taxa básica do imposto sobre o rendimento, de 20% para 19%. Espera-se que mais de 27 milhões de pessoas nesta faixa fiscal recebam mais 125 libras (cerca de 139 euros) por ano, de acordo com o IFS.

“As famílias com rendimentos mais elevados são as maiores vencedoras das alterações [de Kwarteng] à tributação de particulares”, disse a Fundação Resolução, num relatório publicado durante o fim-de-semana.

O grupo de investigação anti-pobreza estimou que quase metade dos ganhos dos cortes nos impostos pessoais de Kwarteng irá para os 5% de famílias mais ricas, enquanto apenas 12% do benefício irá para a metade mais pobre.

“Mais para vir''

Kwarteng disse à BBC no domingo que os seus cortes fiscais “favorecem as pessoas em toda a escala de rendimentos”.

“Pusemos de facto mais dinheiro nos bolsos das pessoas", afirmou ele à estação. “Estamos a antecipar o corte na taxa básica [do imposto sobre o rendimento] e há mais para vir”.

Apesar das promessas da primeiro-ministro, Liz Truss, de salvar o país de uma recessão, impulsionar o crescimento e permitir que os britânicos ficarem com mais daquilo que ganham, a Fundação Resolução espera que a proporção de pessoas que vivem na pobreza absoluta aumente nos próximos dois anos de 17% para 20%.

O governo anunciou também na sexta-feira que irá remover o limite máximo para os bónus dos banqueiros para duplicar o seu salário anual, numa tentativa de encorajar os bancos globais a investir no país. O limite foi introduzido após a crise financeira global para dissuadir a assunção de riscos excessivos.

Kwasi Kwarteng, ministro das Finanças do Reino Unido. Foto Carl Court /  Getty Images

O plano de Kwarteng para reduzir os impostos e contrair mais empréstimos tem agitado os mercados desde sexta-feira, com o valor da libra a cair para um mínimo histórico em relação ao dólar, com uma libra a valer pouco mais de 1,03 dólares na manhã desta segunda-feira.

Isto significa que a economia dependente das importações pode esperar pagar mais pelos seus alimentos, energia e outros bens, aumentando os preços para os consumidores numa altura em que o Banco de Inglaterra está a tentar controlar a inflação.

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