Quero que o Reino Unido seja "uma nação aspiracional". O primeiro discurso de Liz Truss no número 10 de Downing Street

CNN Portugal , FMC
6 set, 17:39

A nova primeira-ministra garantiu que o seu governo assentará em três princípios

No seu primeiro discurso enquanto primeira-ministra do Reino Unido, Liz Truss não gastou mais do que quatro minutos. Num púlpito em frente ao conhecido número 10 de Downing Street, a líder conservadora deixou elogios ao seu antecessor, Boris Johnson, e revelou que a sua governação vai assentar em três princípios. 

"Um plano ousado de cortar os impostos, para recompensar os que trabalham", "travar a crise energética" e reforçar o Serviço Nacional de Saúde britânico. 

Liz Truss mostrou ao povo britânico o seu desejo de reconstruir o país e torná-lo uma "nação aspiracional", estando "determinada a que o Reino Unido volte a ser moderno, forte e robusto", com "empregos bem pagos", onde as "ruas são seguras e onde todos têm as oportunidades que merecem". Para tal, prometeu ser a sua missão "pôr o Reino Unido a trabalhar novamente", através do corte de impostos de forma a recompensar o trabalho árduo, do investimento e reformas, diminuindo as despesas das famílias e ajudar a que os cidadãos "sigam com as suas vidas."

No que diz respeito à crise energética, e sem adiantar grandes pormenores, garantiu que ainda esta semana "vai tomar decisões para lidar com as faturas de energia" e assegurar o abastecimento energético do futuro". Em relação ao Serviço Nacional de Saúde (NHS, na sigla britânica), pretende garantir acesso a consultas e aos serviços públicos que os britânicos precisam.  

"Atacando a economia, a energia e no NHS vamos pôr o nosso país no caminho para o sucesso", reiterou.

Não esquecendo a conjuntura internacional - não fosse Liz Truss ex-ministra dos Negócios Estrangeiros -, assegurou que vai trabalhar juntamente com os aliados para defender "a liberdade e a democracia pelo mundo, reconhecendo que não estamos seguros em casa sem que exista segurança no estrangeiro".

A nova primeira-ministra disse ainda sentir-se "honrada por aceitar esta responsabilidade" nos tempos difíceis que correm, defendendo que é "altura de enfrentar os problemas que estão a atrasar o país". No púlpito, já na reta final do discurso, não deixou de confessar que se avizinham tempos duros: será "uma tempestade difícil, mas sei que o povo britânico tem força" para a aguentar. 

"Tenho confiança de que juntos vamos enfrentar a tempestade, conseguimos reconstruir a nossa economia, e podemos tornarmo-nos no Reino Unido brilhante, moderno que sei que conseguimos ser."

Nos elogios a Boris Johnson, Truss destacou o trabalho feito durante o Brexit, a campanha de vacinação contra a covid-19 e ainda a posição firme contra a invasão russa da Ucrânia: "a história vai vê-lo como um muito importante primeiro-ministro."

Liz Truss foi a vencedora das eleições do Partido Conservador na segunda-feira, agendadas depois do ex-primeiro-ministro Boris Johnson se ter demitido no início de julho. Esta manhã, a líder do executivo esteve em Balmoral, na Escócia, onde foi indigitada pela rainha Isabel II

Truss, de 47 anos, ganhou a corrida dentro do partido, com 57% dos votos, contra o antigo ministro das Finanças Rishi Sunak, embora com uma vantagem menor do que indicavam as sondagens.

A ministra dos Negócios Estrangeiros cessante será a terceira mulher primeira-ministra do Reino Unido, após Margaret Thatcher e Theresa May, e a quarta política a ocupar o cargo em seis anos.

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