Mudança, renovação e serviço público. Keir Starmer é o novo primeiro-ministro do Reino Unido

5 jul, 12:57

Líder trabalhista promete mudança "imediata"

O rei Carlos III nomeou Keir Starmer como primeiro-ministro do Reino Unido, depois de uma audiência no Palácio de Buckingham, na sequência da esmagadora vitória do Partido Trabalhista, que conseguiu maioria absoluta nas eleições desta quinta-feira.

O chefe de Estado convidou o líder trabalhista para o cargo e para formar governo, o que foi prontamente aceite.

Já no número 10 Downing Street, casa que vai ocupar nos próximos 10 anos, Keir Starmer agradeceu a todos os que o escolheram, deixando também palavras ao antecessor, o conservador Rishi Sunak, que está de saída da liderança do partido.

"O nosso país votou decisivamente pela mudança, pela renovação nacional e pelo regresso da política ao serviço público", afirmou, pedindo que o país se mova "em conjunto".

“O meu governo vai fazer-vos acreditar de novo. O trabalho para a mudança começa imediatamente. Vamos reconstruir o Reino Unido. Tijolo a tijolo, vamos reconstruir a infraestrutura de oportunidades", disse Starmer enquando os seus apoiantes o aplaudiam à porta da residência oficial do primeiro-ministro.

Keir Starmer notou que existe uma "ferida" no Reino Unido, em parte explicada pela "falta de confiança que só pode ser curada pelas ações - não palavras".

"Hoje podemos fazer um começo", reiterou, prometendo uma mudança a começar "imediatamente", sobretudo por uma reconstrução do país.

Na intervenção de hoje, Starmer insistiu que irá liderar um "governo de serviço" numa missão de renovação nacional, depois de o Partido Trabalhista ter chegado ao poder com uma vitória esmagadora, após mais de uma década na oposição.

Starmer reconheceu que muitas pessoas estão desiludidas e céticas em relação à política, mas disse que o seu governo tentará restaurar a fé no governo.

Starmer tomou posse da residência oficial cerca de duas horas depois de o líder conservador Rishi Sunak e respetiva família terem abandonado a residência oficial e de o rei ter aceite a demissão do líder conservador.

"Este é um dia difícil, mas deixo este cargo honrado por ter sido primeiro-ministro do melhor país do mundo", disse Sunak no discurso de despedida.

Sunak tinha admitido a derrota ao início da manhã, afirmando que os eleitores tinham dado um "veredicto preocupante".

No mesmo local onde tinha convocado as eleições antecipadas seis semanas antes, Sunak desejou sucesso a Starmer, mas também reconheceu os seus erros.

"Ouvi a vossa raiva, a vossa desilusão e assumo a responsabilidade por esta derrota", disse Sunak. 

"A todos os candidatos conservadores e a todos os ativistas que trabalharam incansavelmente, mas sem sucesso, lamento que não tenhamos podido dar o que os vossos esforços mereciam”, acrescentou.

Para Starmer, trata-se de um triunfo maciço que trará enormes desafios, uma vez que enfrenta um eleitorado cansado e impaciente por mudanças, num cenário sombrio de mal-estar económico, desconfiança crescente nas instituições e um tecido social desgastado.

"Penso que vamos ter de nos habituar novamente a um governo relativamente estável, com os ministros a permanecerem no poder durante bastante tempo e com o governo a ser capaz de pensar para além do muito curto prazo, com objectivos a médio prazo", afirmou.

Keir Starmer venceu as eleições de quinta-feira com uma ampla maioria, o que permite ao Partido Trabalhista regressar ao poder após 14 anos na oposição.

Quando faltava atribuir dois dos 650 lugares, os trabalhistas tinham conseguido 412 deputados, uma margem significativa em relação aos 326 necessários para ter uma maioria no parlamento, segundo resultados provisórios divulgados pela televisão britânica BBC.

Os conservadores seguiam com 121 deputados e os liberais democratas com 71.

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