O músico, agora conhecido como Ye, tem feito nos últimos anos vários comentários antissemitas e declarou-se um fã de Hitler. O músico explicou que é bipolar e já pediu desculpa
O primeiro-ministro Keir Starmer afirmou ser "profundamente preocupante" que Kanye West seja o cabeça de cartaz do Wireless Festival, que se realizam em Londres, em julho.
No início da semana, o rapper norte-americano, de 48 anos, foi anunciado como cabeça de cartaz dos três dias do festival de rap e R&B no norte de Londres. West, agora conhecido como Ye, tem sido alvo de críticas generalizadas por comentários antissemitas feitos nos últimos anos, pelos quais pediu desculpas em janeiro.
Em declarações inicialmente divulgadas pelo jornal The Sun on Sunday, Starmer afirmou que que West foi contratado "apesar das suas anteriores declarações anti-semitas e da sua celebração do nazismo". "O anti-semitismo sob qualquer forma é abominável e deve ser combatido com firmeza onde quer que apareça", disse o primeiro-ministro. "Todos têm a responsabilidade de garantir que o Reino Unido é um lugar onde os judeus se sintam seguros".
Na sequência destas declarações, a Pepsi anunciou ter retirado o patrocínio ao festival, afirmou um porta-voz ao jornal The Independent.
O líder do Partido Liberal Democrata, Ed Davey, afirmou na quinta-feira que o governo deveria proibir a entrada de West no Reino Unido, argumentando que "precisamos de ser mais rigorosos com o antissemitismo" e descrevendo a participação planeada de West como "extremamente séria". Também o líder da maior organização representativa dos judeus no Reino Unido, o Conselho de Representantes dos Judeus Britânicos, declarou que West deveria ser impedido de entrar no país.
West não atua no Reino Unido desde 2015, quando foi cabeça de cartaz do festival de Glastonbury.
A conta X de Kanye West foi banida várias vezes em 2022 devido a publicações que violavam as regras da plataforma. Isto aconteceu depois de ter publicado uma série de tweets ofensivos, incluindo uma imagem que parecia mostrar um símbolo que combinava uma suástica e a Estrela de David, e disse que iria "dar um golpe mortal 3 nos judeus".
No mesmo ano, foi criticado por usar uma t-shirt com a frase "vidas brancas importam" durante a semana da moda de Paris. As suas ações levaram a marca de roupa Adidas a romper o contrato com o rapper. Depois de um pedido de desculpas, no ano passado, West foi impedido de entrar na Austrália após lançar uma música intitulada "Heil Hitler", que glorificava o líder nazi, e ter usado uma camisola com uma suástica.
Em janeiro, West publicou um anúncio de página inteira no Wall Street Journal, pedindo desculpa pelo seu comportamento antissemita. "Não sou nazi nem antissemita", escreveu. Disse que a doença bipolar significa que, quando "se está em mania, não se pensa que se está doente" e que "perdeu o contacto com a realidade". "Lamento e estou profundamente envergonhado pelas minhas ações naquele estado", acrescentou.