No meio de tanto luxo, ainda sobrou espaço para Trump ter "uma das maiores honras" da sua vida no Castelo de Windsor

17 set 2025, 23:14
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Presidente dos Estados Unidos seguiu o protocolo, mas não deixou de dizer, mesmo em país alheio, que vive no melhor de todos os territórios

Lá fora até apareceram imagens de Donald Trump com Jeffrey Epstein, mas quando se tem um menu todo em francês e vinhos que custam centenas de euros tudo se torna mais fácil de gerir.

Foi assim mesmo no Reino Unido, onde o presidente e a primeira-dama dos Estados Unidos foram recebidos com pompa e circunstância. O rei Carlos III parece saber como agradar a Donald Trump, que estava visivelmente contente com toda a cerimónia.

Não é de admirar, portanto, que o presidente norte-americano veja nesta segunda visita de Estado ao Reino Unido “uma das maiores honras” da sua vida. Palavras que o próprio disse para uma audiência de 150 pessoas, entre as quais estavam algumas das pessoas mais ricas do mundo, além de excêntricos magnatas da tecnologia como Sam Altman ou Jensen Huang, donos da Open AI e da NVIDIA, respetivamente.

Afinal, este jantar no Castelo de Windsor também se faz à margem do Acordo de Prosperidade Tecnológica que ambos os lados alcançaram, estreitando laços na Inteligência Artificial, na computação quântica e na energia nuclear.

Um pacote que até podia parecer simbólico, não fosse o valor de quase 40 mil milhões de euros arregalar os olhos a qualquer um que deitasse a vista.

“Isto surge numa altura em que as maiores empresas de Inteligência Artificial e de tecnologia - como a Microsoft, NVIDIA, Google, Open AI ou CoreWave - se comprometem a robustecer a infraestrutura de Inteligência Artificial do Reino Unido com 42 mil milhões de dólares”, escreveu o governo britânico num comunicado.

Com valores destes em cima da mesa, pratos como o Ballotine de Poulet Fermier en Robe de Courgettes - que é como quem diz Ballotine de Frango Orgânico de Norfolk enrolado em Courgettes, com Tomilho e um Jus Salgado, que esta coisa dos jantares de Estado exige sempre que os pratos sejam apresentados em francês - até sabem ainda melhor.

Se pratos como este forem acompanhados por vinhos como o Wiston Estate, Cuvée, 2016 ou o Domaine Bonneau de Martray, Corton-Charlemagne, Grand Cru, 2018 então, ainda melhor. Centenas de euros em cada uma destas singelas garrafas.

Aqui pode ser visto o menu escolhido para a noite. Como manda a tradição, foi escrito em francês (AP)
Aqui pode ser visto o menu escolhido para a noite. Como manda a tradição, foi escrito em francês (AP)

Com tudo isto à sua frente, ou umas coisas a vir e outras a chegar, Donald Trump quis fazer saber à família real britânica que estava muito grato pelo convite, ironizando até que espera ser, pelo menos durante algum tempo, o último presidente norte-americano a ser honrado com duas visitas de Estado.

“É um privilégio singular”, atirou, mostrando “muito respeito por vós e pelo vosso país”.

Tudo espetacular, portanto, até porque Donald Trump se mostrou maravilhado com o Castelo de Windsor e com o “notável filho” do rei Carlos III, o príncipe William, que um dia será também ele rei.

Tudo em prole de uma “relação especial” entre as duas partes, mesmo que os Estados Unidos sejam “o melhor país”, como o próprio não deixou de dizer.

“Tínhamos um país muito doente há um ano. Hoje, acredito que somos o melhor país em qualquer lugar do mundo”, referiu.

Seguindo a etiqueta, Carlos III mostrou-se menos fervoroso, ainda que tenha introduzido um dos temas fortes desta viagem. A guerra, claro. “Numa altura em que a tirania volta a ameaçar a Europa, nós e os nossos aliados mantemo-nos fortes no apoio à Ucrânia para deter a agressão e assegurar a paz”, sublinhou, sem nunca referir a Rússia.

E foi nesse mesmo registo que o rei agradeceu ao presidente dos Estados Unidos pelo “comprometimento pessoal para encontrar soluções para alguns dos conflitos mais intratáveis do mundo no sentido de assegurar a paz”.

Longe dos tempos em que os dois países andavam às turras - o próprio Carlos III lembrou que nos aproximamos dos 250 anos da independência dos Estados Unidos -, o cocktail criado para esta noite quis relembrar isso mesmo. Um “Whiskey Sour Transatlântico” que manteve a tradição mais leve destes banquetes de Estado.

A visita de Estado de Donald Trump seguirá, afastando-se cada vez mais do protocolo e entrando na discussão política ao mais alto nível. Fora todos acordos que se possam alcançar, não há como não ver que as guerras na Ucrânia e no Médio Oriente serão um dos pontos altos.

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