Novas demissões no governo de Boris Johnson: "Atingimos o ponto de não retorno"

7 jul, 07:51
Nova polémica e Boris Johnson recusa demitir-se do cargo

Ministro da Irlanda do Norte e o secretário de Estado da Segurança juntam-se aos mais de 40 que abandonaram o governo britânico

O ministro britânico para a Irlanda do Norte, Brandon Lewis, demitiu-se esta quinta-feira de manhã em protesto contra a continuidade do primeiro-ministro, Boris Johnson, sendo que mais de 40 membros do executivo apresentaram a demissão desde quarta-feira.

Brandon Lewis disse que "lamenta profundamente" deixar o executivo, frisando que "de um governo se espera honestidade, integridade e respeito mútuo.

"Atingimos o ponto de não retorno", escreveu o ministro.

Na carta de demissão, o ex-ministro para a Irlanda do Norte disse que defendeu o Governo "em público e em privado" mas que foi atingido "um ponto de não retorno".

"Não posso sacrificar a minha integridade pessoal para defender as coisas tal como elas estão. É evidente que o nosso partido [Conservador], os deputados e os apoiantes [do partido] e todo o país merecem melhor", disse Lewis na mensagem enviada ao chefe do Governo.  

São cada vez mais os membros do Governo que decidiram renunciar aos cargos em protesto pelos contínuos escândalos que envolvem Boris Johnson. Esta quinta-feira, pouco depois de se conhecer a decisão de Brandon Lewis, também apresentaram a demissão o secretário de Estado da Segurança, Damian Hinds, a secretária de Estado do Tesouro, Helen Whateley, o da Ciência, George Freeman, o das Pensões, Guy Opperman, e o dos Tribunais, James Cartlidge.

O ex-secretário de Estado da Segurança pediu mudança na liderança do Partido Conservador "pelo bem do país e pela confiança" na democracia. 

Por outro lado, Helen Whateley reconheceu que apoiou as políticas de Boris Johnson, mas que nesta altura "chegou-se ao limite", referindo-se aos pedidos de desculpas do primeiro-ministro.

Com estas novas demissões aumenta a pressão sobre Boris Johnson para que se demita sendo que o influente Comité 1922, que agrupa os deputados conservadores, prepara uma modificação das regras para que se possa levar a cabo uma nova moção de censura interna contra o chefe do governo. Apesar das demissões Boris Johnson tem recusado deixar o cargo.

Johnson argumenta que conta com um forte apoio do eleitorado, após vencer por maioria as eleições gerais de 2019.

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