Ministros das Finanças e da Saúde abandonam governo de Boris Johnson após novo escândalo

5 jul, 19:15
Boris Johnson anuncia novas restrições por causa da variante Omicron

Sajid Javid apontou questões de "consciência" como motivo da rescisão e Rishi Sunak assegurou que não foi "uma decisão tomada de ânimo leve". Novos ministros já foram nomeados

Os ministros das Finanças e da Saúde do Reino Unido demitiram-se durante a tarde desta terça-feira, naquilo que parece ser uma resposta à mais recente polémica com Boris Johnson. O primeiro-ministro britânico tentou desculpar-se por ter nomeado um ministro sobre o qual recaem acusações de conduta sexual imprópria desde 2019.

Sajid Javid, com a pasta da Saúde, foi o primeiro a anunciar a demissão, justificando que "não poderia continuar" por questões de "consciência". "Foi um enorme privilégio servir neste cargo", lembrou Javid.

Momentos depois, seguiu-se a rescisão de Rishi Sunak, ministro das Finanças, que começou a por lembrar que "é com enorme tristeza que se demite do governo".

"Deixar o cargo enquanto o mundo sofre as consequências económicas da pandemia, a guerra na Ucrânia e outros desafios complicados não é uma decisão que tenha tomado de ânimo leve", justificou Sunak.

Nas últimas horas, foi anunciado que Steve Barclay, até ao momento secretário de estado da saúde, foi promovido a chefe da pasta. Downing Street também nomeou o secretário de estado da Educação, Nadhim Zahawi como novo ministro das Finanças.

As posições dos ministros surgiram após Boris Johnson desculpar-se pelo que diz ter sido um erro, ao não perceber que Chris Pincher não era o homem indicado para um cargo no governo, por recaírem sobre ele acusações de conduta sexual imprópria desde 2019.

"Em retrospectiva, foi a coisa errada a fazer. Peço desculpas a todos os que foram gravemente afetados por isso", disse Boris Johnson à imprensa britânica.

Rishi Sunak, ministro das Finanças, realça que vários políticos e parte da opinião pública perderam a confiança política em Boris Johnson, lembrando que os britânicos esperam que o “governo seja conduzido corretamente, competentemente e de modo sério.

“Reconheço que este pode ser o meu último cargo como ministro, mas as minhas crenças e padrões são algo pelo qual vale a pena lutar e é por isso que me estou a demitir”, explica Sunak.

Por outro lado, de acordo com a BBC, a ministra dos Negócios Estrangeiros, Liz Truss, já veio a público garantir que continua a “apoiar o primeiro-ministro a 100%” apesar das duas rescisões.

A oposição de Boris Johnson já reagiu às duas demissões, com o líder do Partido Trabalhador, Kier Starmer, a salientar que é “claro que o governo de Boris Johnson está em colapso”.

“Depois de todo o desprezo, dos escândalos e do fracasso, é agora claro que o governo está a entrar em colapso”, garantiu Starmer em comunicado.

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