Mas afinal como é que Boris caiu em desgraça? Com festas, Pincher e um número - 9,1%

7 jul, 13:49

Houve eventos difíceis de controlar

A demissão de Boris Johnson da liderança do Partido Conservador parecia há muito anunciada. O aumento dos custos de vida no Reino Unido e a subida dos impostos terão influenciado o desfecho a que se assistiu esta quinta-feira. Mas o que realmente conduziu à resignação do primeiro-ministro britânico na liderança do partido foram os escândalos e as polémicas, com o caso Chris Pincher como catalisador definitivo.

Os escândalos de Pincher

O vice-presidente da bancada do Partido Conservador no Parlamento britânico parece ter sido um colecionador de casos e escândalos que culminaram com a sua própria demissão e agora na demissão de Boris Johnson. O último teve como palco um clube privado frequentado por membros do Partido Conservador, em Londres, o Carlton Club. Chris Pincher terá apalpado sem consentimento dois homens durante uma festa privada a 29 de junho.

Pincher demitiu-se dois dias depois. Na carta de demissão, explicou a Boris Johnson que "bebeu demais" e que se "envergonhou a si próprio e a outras pessoas". Segundo aquilo que testemunhas disseram à BBC, Pincher foi visto "extremamente bêbedo" no Carlton Club.

Chris Pincher apresentou a demissão a 1 de julho, depois de ser acusado de apalpar sem consentimento dois homens num clube privado de Londres. 

O caso desenterrou uma série de acusações envolvendo Chris Pincher. Algumas dizem respeito a situações com vários anos.

Inicialmente, Downing Street e Boris Johnson asseguraram não ter conhecimento de “acusações específicas” contra Chris Pincher antes de ter sido nomeado vice-presidente da bancada conservadora, em fevereiro deste ano. Mas a imprensa britânica encarregou-se de mostrar o contrário. Três dias depois de Pincher ter apresentado a demissão, a BBC noticiou que Boris Johnson tinha conhecimento de pelo menos uma queixa formal contra Pincher. Lord McDonald, um antigo funcionário público, assegurou que Boris Johnson foi informado pessoalmente dessa acusação.

De acordo com o jornal POLITICO, deputados e assessores governamentais revelaram que Downing Street estava ciente das preocupações sobre o comportamento de Pincher desde o início do ano. Um grupo de deputados conservadores terá mesmo tentado impedir Pincher de subir ao cargo de vice-presidente da bancada.

"Ele [Pincher] ficou absolutamente lívido quando não foi nomeado chefe", disse um assessor de Johnson, acrescentando que "assim que o seu nome entrou na corrida as pessoas entraram no n.º 10, incluindo deputados, com novas acusações sobre o que ele tinha feito".

Boris Johnson chegou, mais tarde, a admitir que foi informado em 2019 sobre as suspeitas que recaíam sobre Chris Pincher. Mas parece não ter dado ouvidos a ninguém. Também a Sky News noticiou que a nomeação aconteceu depois de terem sido levantadas preocupações sobre ele junto de Steve Barclay, chefe de gabinete de Boris Johnson. As denúncias foram analisadas pela equipa de ética do gabinete do primeiro-ministro britânico, que concluiu que as acusações não eram sólidas o suficiente para que Pincher fosse impedido de desempenhar as suas funções.

As festas de arromba quando o país estava em isolamento

Em plena pandemia, quando todo o país estava confinado, Boris Johnson deu festa de arromba para festejar o seu aniversário. Foi em junho de 2020 e o primeiro-ministro britânico foi multado por quebrar as regras de confinamento.

Boris Johnson pediu também desculpas por ter ido a uma festa estilo “traga a sua própria bebida” nos jardins de Downing Street, ainda durante o primeiro confinamento.

Boris Johnson foi filmado em festas em Downing Street numa altura em que todo o país estava em confinamento. 

Ao todo, a Metropolitan Police emitiu 126 multas a 83 pessoas por terem quebrado as regras de confinamento em Downing Street e Whithall.

Também num relatório elaborado por Sue Gray, uma funcionária pública sénior, descreve uma série de eventos sociais em que participaram políticos britânicos e que não respeitavam as regras de confinamento e de combate à pandemia.

Em dezembro do ano passado, Boris Johnson disse à Câmara dos Comuns que “todas as diretrizes foram inteiramente cumpridas no número 10 de Downing Street”. De acordo com a BBC, uma comissão da Câmara dos Comuns investiga agora essa intervenção de Boris Johnson para apurar se mentiu deliberadamente ao Parlamento.  

9,1%

Nos últimos três anos de governação, Boris Johnson também não foi bafejado pela sorte. A guerra na Ucrânia teve consequências gravosas na economia britânica: fez aumentar os preços dos combustíveis e, por inerência, os preços de bens essenciais, incluindo alimentação. A inflação no Reino Unido tem revelado uma ascensão brutal ao longo do último semestre, até chegar aos 9,1% atuais.

Downing Street reduziu entretanto os impostos sobre os combustíveis para tentar travar a subida de preços mas, em abril, procedeu a um aumento generalizado de impostos, assegurando que o dinheiro seria canalizado para o serviço de saúde britânico e para a assistência social.

Mas nem todas as justificações para o aumento de impostos foram suficientes para evitar críticas. Keir Starmer, líder da oposição, acusou-o de “escolher aumentar os impostos sobre os trabalhadores no meio da pior crise do custo de vida em décadas”.

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