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Rei Carlos III apela à unidade entre EUA e Reino Unido num discurso contido mas firme - que não esqueceu a NATO nem a Ucrânia

CNN , Christian Edwards e Tori B. Powell
28 abr, 22:16

Monarca britânico respondeu de forma subtil a Donald Trump sobre temas como a NATO ou o apoio à Ucrânia

Para uma figura constitucionalmente obrigada a manter-se acima da política, o discurso do rei Carlos III perante o Congresso dos Estados Unidos foi tão firme quanto seria de esperar. De forma subtil — mas com alguma determinação —, o monarca britânico contrapôs várias questões que têm gerado atritos entre o presidente Donald Trump e o Reino Unido nos últimos meses.

No início deste ano, Trump desvalorizou os esforços da NATO no Afeganistão, afirmando sem fundamento que a aliança “ficou um pouco para trás” nas linhas da frente.

No seu discurso, Carlos III sublinhou que, após os atentados terroristas de 11 de Setembro, os Estados Unidos foram o primeiro (e, até agora, único) país a invocar o Artigo 5.º da NATO.

“Respondemos juntos ao apelo — como os nossos povos têm feito há mais de um século, lado a lado, ao longo de duas guerras mundiais, da Guerra Fria, do Afeganistão e em momentos que definiram a nossa segurança partilhada”, afirmou.

Recentemente, Trump também desvalorizou os porta-aviões da Marinha Real, classificando-os como meros “brinquedos”. Mais uma vez, Carlos respondeu de forma discreta, referindo que serviu “com imenso orgulho” na marinha há mais de 50 anos — tal como muitos dos seus antepassados.

No plano da política externa, o rei — conhecido pelo seu ativismo ambiental — apelou à audiência para proteger o “esplendor natural” da América e “decidir como enfrentar o colapso de sistemas naturais críticos”. Carlos III tem defendido, ao longo dos anos, políticas ambientais que o seu anfitrião, o presidente, tem rejeitado, classificando-as como uma “fraude”.

Ainda assim, houve dois temas que o monarca optou por não aprofundar. Ao ouvir o discurso de Carlos III, não se perceberia que os Estados Unidos estão envolvidos numa guerra com o Irão, um conflito que tem provocado ondas de choque na economia global e gerado fortes tensões entre Washington e Londres. O rei fez apenas uma breve referência a um “conflito” no Médio Oriente no início da intervenção, passando rapidamente ao assunto seguinte.

O segundo tema evitado foi o escândalo em torno do falecido agressor sexual Jeffrey Epstein, que tem dominado a política tanto no Reino Unido como nos Estados Unidos. Para além de uma vaga referência às “vítimas de alguns dos males que, tragicamente, existem nas nossas sociedades”, Carlos não abordou diretamente o assunto.

As principais mensagens do discurso do rei

  • Carlos III iniciou o discurso referindo-se ao tiroteio de sábado no jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, afirmando que atos de violência como este “nunca terão sucesso”. E expressa solidariedade para com os Estados Unidos: “Mantemo-nos unidos no nosso compromisso de defender a democracia, de proteger todos os nossos cidadãos de qualquer ameaça e de homenagear a coragem daqueles que diariamente arriscam a vida ao serviço dos nossos países.”

  • Nas palavras iniciais, recordou a sua mãe, a rainha Isabel II, a primeira monarca a discursar no Congresso dos EUA.

  • Parte da intervenção foi dedicada a elogiar a NATO e o papel da aliança na defesa dos cidadãos e dos interesses dos seus membros.

  • A referência à Ucrânia e ao apoio necessário para se defender da agressão não provocada da Rússia surge como outra mensagem dirigida ao presidente Donald Trump, que suspendeu grande parte da ajuda militar a Kiev desde que regressou à Casa Branca, em janeiro de 2025.

  • O rei cita o próprio Trump durante o discurso, lembrando ao Congresso que foi o líder norte-americano quem elogiou a amizade entre os dois países — apenas meses antes de criticar o Reino Unido e o seu governo por não fornecerem apoio militar significativo na guerra com o Irão.

  • A relação profunda entre o Reino Unido e os Estados Unidos é uma “parceria de reconciliação, renovável e notável”, afirmou Carlos, acrescentando que espera que continue assente em valores partilhados.

  • Carlos III terminou o discurso recordando aos legisladores que a influência dos Estados Unidos tem “peso e significado”.

*Lauren Said-Moorhouse, Ivana Kottasová, Manu Raju, Elise Hammond e Maureen Chowdhury contribuíram para este artigo

 

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