Governo já introduziu língua ucraniana no atendimento telefónico a refugiados que estava a ser feito em russo

30 mai, 14:32
Ucranianos numa ação de "luta contra o fascismo russo", promovida pela Associação dos Ucranianos em Portugal. Rodrigo Antunes (Lusa)

Alto Comissariado para as Migrações prometeu mudança e, desde sábado, quem telefona para a Linha de Apoio a Migrantes e para o Serviço de Tradução Telefónica já pode ouvir uma mensagem automática em ucraniano. Pavlo Sadhoka, presidente da Associação dos Ucranianos em Portugal, considera mudança "positiva" num momento em que a sua língua está sob ataque na Ucrânia

O Alto Comissariado para as Migrações (ACM) já dispõe de atendimento automático em ucraniano na Linha de Apoio a Migrantes e no Serviço de Tradução Telefónica, confirmou a CNN Portugal. O serviço foi incorporado este sábado, juntando-se aos idiomas até agora disponíveis: o português, o inglês e o russo.

A denúncia para o facto de o atendimento nestes serviços do ACM, recomendados para o acolhimento de refugiados da guerra, não ter a opção de ucraniano partiu da comunidade ucraniana que, como a CNN Portugal noticiou na semana passada, sentia-se “magoada” pelo facto de "um símbolo da sua identidade, a sua língua”, não estar a ser respeitado.

O Alto Comissariado para as Migrações reconheceu que o atendimento automático destes serviços, no âmbito da operação de acolhimento de refugiados ucranianos, tinha “três opções de idiomas: português (língua nacional), inglês (língua universal) e russo (dos mais solicitados)”. No entanto, destacou que, independentemente do idioma selecionado, e logo que sejam atendidos por um operador, “os cidadãos podem solicitar o atendimento noutro idioma ou dialeto”.

Pavlo Sadhoka, presidente da Associação de Ucranianos em Portugal, que acusou o Alto Comissariado de “não querer reconhecer o ucraniano como língua oficial da Ucrânia”, considerou a mudança “muito positiva” e, à CNN Portugal, sublinhou que este “é um sinal de que Portugal está a ajudar politicamente a Ucrânia”.

“Agradecemos que o Alto Comissariado para as Migrações tenha tomado este passo importante, já que em questão estava o reconhecimento da Ucrânia como um estado independente da Rússia”, afirma Sadhoka, sublinhando que se a língua ucraniana não fosse “também uma das origens da guerra”, a comunidade podia “ter fechado os olhos”, “mas neste caso é um importante sinal político porque a Rússia quer negar os direitos dos ucranianos a falar a própria língua”.

De acordo com as sondagens mais recentes do governo ucraniano, de julho de 2012 - anteriores à revolução Euromaidan e do início da guerra no Donbass -  50% dos inquiridos adultos consideravam a sua língua materna como ucraniana, 29% disseram russo e 20% identificaram tanto o russo como o ucraniano como a sua língua materna.

O Kremlin, por outro lado, tem alegado que a língua russa tem sido vítima da administração de Kiev, sublinhando que quem fala russo está a ser marginalizado na Ucrânia. Mas a guerra alterou consideravelmente o panorama destas alegações. Em Mariupol, por exemplo, o governo ucraniano alertou que os russos cancelaram as férias de verão e “anunciaram a extensão do ano letivo até ao dia 1 de setembro”.

"Durante o verão, as crianças terão que estudar língua russa, literatura e história, bem como aulas de matemática em russo", disse o conselheiro presidencial Petro Andryushchenko, considerando que o objetivo de Putin era "retirar a Ucrânia do currículo e prepará-los para voltar à escola com um currículo russo".

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