Voto do Chega é decisivo para a reforma laboral mas nem Ventura sabe "o que vai acontecer"

18 jun, 18:47
André Ventura (Manuel de Almeida/LUSA)
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Presidente do Chega dividiu o Parlamento em dois para dizer que um lado "quer deixar tudo igual" e outro "quer alcançar alguma coisa para quem trabalha", mesmo sabendo "que não é o ideal"

Luís Montenegro garantia no debate quinzenal desta quarta-feira que não tinha como prever qual seria a posição final do Chega na votação da reforma laboral. “Não sei mesmo onde é que André Ventura vai estar”, sublinhou perante o Parlamento. Esta quinta-feira, o presidente do segundo partido mais votado deu-lhe razão.

De mais um debate marcado por acusações de parte a parte, nomeadamente entre PS, PSD e Chega, saíram poucas ou nenhumas certezas sobre a intenção de voto do partido na sessão desta sexta-feira onde a proposta será votada na generalidade.

Já na reta final do debate, que serviu para discutir as alterações ao Código do Trabalho, André Ventura disse mesmo não saber “o que vai acontecer amanhã na reforma laboral que o Governo apresenta”, dando espaço a duas interpretações possíveis com pistas confusas que foi deixando durante o debate.

A primeira intervenção do partido no debate, pela voz do deputado Paulo Seco, serviu para apontar falhas ao Governo, acusando-o de querer tornar os despedimentos “num bar aberto” e de não dignificar o trabalho dos portugueses.

Na sua vez, André Ventura reforçou que "não podemos criar a cultura de que despedir é fácil, de que estes homens e mulheres são descartáveis": “O Chega não concorda que se possa despedir toda a gente de qualquer maneira.” E para evitar isso mesmo, Ventura prometeu “trabalhar em prol dos trabalhadores”, criticando o PS por não o fazer. “O Chega fez o que o PS devia ter feito”, culminou.

“Na verdade, apesar de décadas e anos a falarem de férias, apesar de décadas e anos a falarem de licença parental, a falarem do trabalho por turnos, a falar da amamentação, o que lhes custa mesmo muito é não ter sido nenhum deles, mas o Chega” a alcançar a “maior vitória das últimas décadas em Portugal” para os trabalhadores, acrescentou.

Não ficou de fora uma das principais bandeiras do Chega na discussão da reforma laboral, com André Ventura a dizer que quer fazer uma “correção histórica”, que cabia aos socialistas “terem feito”.

"Queremos garantir que os cortes que se fizeram na Troika sejam devolvidos à população”, completou.

André Ventura sublinhou ainda que depois da votação da proposta laboral, “as pessoas perguntar-se-ão: quem nos conseguiu mais dias de férias? Quem conseguiu corrigir um erro na amamentação e nos direitos das mães? Quem conseguiu o pagamento por turno a um milhão de pessoas?” Segundo o líder do partido, a resposta para todas as questões é a mesma. “Foi o Chega”, exclamou.

"Não foi nem o PS, nem o Livre, nem o BE. Foi o Chega! E temos muito orgulho em fazer isto pelo país", garante.

Nessa altura, Ventura diz que o Partido Socialista dirá que o Chega “fez em duas semanas o que 40 anos de bandeiras vermelhas não fizeram por Portugal”.

O líder do partido falou também num hemiciclo parlamentar dividido em dois hemisférios. Um deles, explica, “sabe que não é o ideal, mas quer alcançar alguma coisa para quem trabalha”, o outro “quer deixar tudo igual”, afirma, sem especificar em qual deles se encaixa o Chega.

A aparente aproximação ao Governo em algumas declarações, mas o distanciamento noutras deixa dúvidas no ar sobre a decisão a ser revelada esta sexta-feira. Ainda assim, o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, entrou no debate com certezas.

"Por muito que vos custe, amanhã esta proposta vai ser aprovada", disse, acusando o PS de dar voz a um novo “não é não”: um “não é não aos portugueses”.

O deputado social-democrata recuperou a expressão utilizada pelo Executivo no início do mandato para afirmar que Portugal “conhece” o “não é não” do Governo - um que se refere a um “acordo de governação com o Chega”.

“Coisa bem diferente é a obrigação que nós, enquanto deputados, temos de poder dialogar com todos os partidos que têm representação parlamentar e aprovar em cada momento e em cada instante com os partidos que querem transformar Portugal”, defendeu.

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